Maratona mundial de desenvolvimento de jogos deve reunir 600 participantes em Curitiba

Participantes da Global Game Jam Curitiba de 2025 Foto: Global Game Jam Curitiba 2025/Cassiano Rosário

Curitiba será palco, entre esta sexta-feira (30) e domingo (1º), da 17ª edição da Global Game Jam, etapa brasileira da maior maratona mundial de desenvolvimento de jogos digitais.

Até o momento, mais de 500 participantes já estão inscritos, e a organização espera alcançar a média histórica do evento. As inscrições são gratuitas e seguem abertas até sexta-feira (30) e podem ser feitas pela internet. Menores de idade também podem participar, desde que acompanhados por um responsável.

A Global Game Jam ocorre simultaneamente em 100 países, envolvendo aproximadamente 30 mil pessoas em 800 sedes ao redor do mundo. No Brasil, são cerca de 30 locais participantes, entre universidades, empresas e coletivos independentes. Segundo o coordenador do curso de Jogos Digitais da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Bruno Campagnolo de Paula, a edição de Curitiba é a maior do país realizada de forma totalmente presencial.

Além do porte, o evento curitibano se destaca pela produtividade. A cada edição, a Global Game Jam Curitiba costuma gerar entre 70 e 100 novos jogos. Para 2026, a expectativa é que mais de 80 games inéditos sejam desenvolvidos ao longo da maratona.

Tema de 2026: “Máscara”

Neste ano, o tema que orienta o desenvolvimento dos jogos é “máscara”, conceito que poderá ser explorado livremente pelos participantes. De acordo com Campagnolo, a diversidade cultural dos participantes é um dos principais atrativos do evento.

“O pessoal do Oriente Médio interpreta de uma maneira, o pessoal da Rússia interpreta de outra, e assim por diante. Essa pluralidade gera jogos muito diferentes entre si”, explica.

Durante 48 horas, os participantes permanecem imersos no processo criativo, organizados em equipes multidisciplinares. Embora haja distribuição de troféus para projetos mais bem avaliados, a proposta não é competitiva. “Não se trata de uma disputa. É um evento de criação colaborativa, com visibilidade internacional para os jogos produzidos”, ressalta o professor.

Os projetos desenvolvidos abrangem diversas plataformas e formatos, incluindo PC, dispositivos móveis, realidade virtual e até jogos analógicos, como jogos de tabuleiro, livros-jogo, escape rooms e aventuras narrativas de RPG.

Visibilidade e mercado

Todos os jogos criados durante a maratona são publicados no site oficial da Global Game Jam, o que abre possibilidade de comercialização futura e contato com empresas do setor no Brasil e no exterior. Segundo Campagnolo, muitos projetos continuam sendo desenvolvidos após o evento, com versões adaptadas para lojas de aplicativos e plataformas digitais.

“Sem dúvida, a economia criativa ligada aos games é hoje uma das áreas mais relevantes. Muitas equipes se formam durante a Game Jam e seguem produzindo juntas”, afirma.

Dados da Pesquisa Game Brasil apontam que o setor segue em expansão no país. Entre 2024 e 2025, o consumo de jogos digitais cresceu 8,9%, e 82,8% da população brasileira afirma jogar algum tipo de game. Para o coordenador, a indústria já alcançou dimensão comparável à do cinema.

Troca de experiências

A Global Game Jam Curitiba reúne desde iniciantes — pessoas que nunca participaram do desenvolvimento de um jogo — até profissionais experientes do mercado. Para Campagnolo, esse encontro entre diferentes níveis de conhecimento é um dos grandes ganhos do evento.

“É muito rico ver alunos em sua primeira experiência trocando ideias com profissionais consolidados. Todos aprendem e todos são valorizados”, destaca. Ele também ressalta o aspecto pessoal do reencontro com ex-alunos. “É recompensador ver jovens que começaram tímidos no evento e hoje são referências no mercado brasileiro de games”.

No domingo (1º), das 15h às 18h, ocorre a finalização dos projetos e a tradicional Play Party, momento em que participantes e público podem jogar os games criados durante a maratona.