Ibovespa renova máximas históricas e atinge 186 mil pontos com impulso de fluxo estrangeiro

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O Ibovespa renovou suas máximas históricas no início de fevereiro, alcançando no dia 9 o maior patamar de fechamento de todos os tempos, aos 186.241,15 pontos. O movimento foi impulsionado por ações de bancos e empresas ligadas a commodities, em um cenário de forte entrada de capital estrangeiro e reprecificação dos ativos brasileiros, que partiram de múltiplos considerados mais baixos em relação a outros mercados emergentes.

Dados da B3 indicam que apenas em janeiro houve entrada líquida de cerca de R$ 26,3 bilhões de investidores estrangeiros, volume superior ao saldo registrado em todo o ano de 2025. Esse fluxo tem sido apontado como um dos principais catalisadores do movimento recente, ao ampliar a liquidez e reduzir prêmios de risco, favorecendo a valorização dos ativos locais .

Lucas Sharau, planejador financeiro e sócio da iHUB Investimentos, afirma que a alta do índice reflete uma combinação entre fundamentos e fatores conjunturais. “O mercado brasileiro entrou neste rali com valuation relativamente mais baixo do que outros emergentes, o que abriu espaço para uma reprecificação. Ao mesmo tempo, o gatilho de curto prazo foi claramente o fluxo estrangeiro, que tem guiado grande parte da força recente do movimento”, afirma.

O avanço recente foi liderado por blue chips, especialmente bancos e empresas de commodities, que concentram grande peso no índice. Para os próximos ciclos, a liderança tende a depender da trajetória do custo de capital e da continuidade do fluxo externo. Historicamente, após o movimento inicial das ações mais líquidas, setores domésticos e cíclicos, como consumo, construção e educação, costumam ganhar espaço quando a confiança aumenta e as taxas de desconto cedem.

Apesar do otimismo, Sharau defende uma postura mais cautelosa para o investidor pessoa física diante dos níveis elevados do índice. “Com o Ibovespa operando em máximas históricas, a assimetria exige mais método. Evitar entrar de uma vez por efeito de manchete e priorizar aportes parcelados, com foco em objetivos de curto, médio e longo prazos, selecionando ativos de renda fixa em sua maior parcela da alocação e empresas de setores mais perenes”, afirma.

Entre os principais riscos para a continuidade do rali, ele destaca uma possível reversão do fluxo estrangeiro, mudanças no cenário fiscal e político, manutenção de juros reais elevados e oscilações relevantes nos preços de commodities, especialmente em cadeias ligadas à China. “O fluxo não substitui os fundamentos, mas catalisa o movimento. Se esse vetor mudar, o impacto sobre o índice pode ser rápido”, completa.

Na comparação internacional, o Brasil ainda aparece descontado em termos relativos. O ETF iShares MSCI Brazil (EWZ) vinha sendo negociado com múltiplos de preço sobre lucro e preço sobre valor patrimonial inferiores aos do iShares MSCI Emerging Markets (EEM), o que ajuda a explicar por que o mercado local reage de forma mais intensa quando o fluxo global retorna para emergentes.

Para Sharau, esse diferencial de valuation funciona como pano de fundo estrutural, mas não explica sozinho a velocidade da alta. “Hoje, eu classificaria o movimento como misto. O valuation ajudou, mas a força do curto prazo está muito associada à rotação global de portfólio e à entrada de estrangeiros, que destravam múltiplos e aceleram a precificação do risco”, finaliza.