Feliz Ano Novo

Olá, você ao ler o título da coluna deve estar achando que houve um erro de publicação, mas não, o título é esse mesmo e a data é 02 de março de 2020, uma segunda-feira. O motivo desse texto é que findamos o Carnaval, agora o ano de 2020 efetivamente começa para o brasileiro e assim, quis escrever algo sobre a festa de momo e a psicanálise, para levar de alguma maneira uma reflexão sobre o tema. E para isso em primeiro lugar é necessário entender que  em nós “habitam três seres”: o Id, o Ego e o Superego.

O primeiro de nossos habitantes, o Id praticamente nasce conosco poderíamos dizer que é um sujeito que não liga para nada, que somente pensa em si mesmo, mal sabe falar e fica empurrando a todos com suas vontades, perturbando, desejando e que anseia fazer tudo aquilo que tem vontade, deseja realizar as suas fantasias.

O segundo habitante é o Superego, que é meio que o xerife da casa, e que fica a todo tempo estabelecendo os limites de ação, inscrito através da cultura do sujeito, determinando o que se pode e o que não se pode fazer. O Superego, tal como Id tem sua força, também possui sua potência e faz com que o sujeito seja esmagado nesse embate.

Da briga desses dois moradores, surge um mediador, o chamado de Ego, aquele que da uma organizada na casa, mas nota que ele não é o dono da casa, ele apenas a habita, aliás Lacan já dizia, “o homem não é senhor nem em sua morada”, mesmo assim, ele que aparece para cumprir as tarefas do dia a dia do sujeito, o Ego até viveria em paz nessa casa, se não fossem esses dois moradores que para ele são inconvenientes.

Quando chega o carnaval o Id cata o Ego pela mão e o ajuda a se libertar e, após um princípio reticente, o Ego se deixa levar pela folia, pelos desejos do Id e cai no “samba”. O mais interessante vem agora, após a folia de Momo, Ego volta para a sua casa, aquela que ele apenas aluga e se depara com seu Superego, com um olhar de recriminação e Ego, tomando Id pelas mãos o tranca no porão da casa e começa a se penitenciar de tudo que aconteceu no carnaval, penitência que dura até o próximo festejo da carne.

Talvez isso explique porque o brasileiro adora tanto o Carnaval, porque diante de uma realidade tirânica, que massacra o Ego, impõe duras realidades a pessoa, para que esse povo possa aguentar calado todo esse sofrimento da desigualdade social, dos desmando da política e principalmente da falta de acolhimento pelas superestruturas, somente com essas pequenas “rupturas” é que conseguimos caminhar e caminhar.

Feliz Ano Novo!

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