
Neste 1º de abril, médicos alertam que seguir dicas falsas de nutrição na internet pode causar fadiga e efeito sanfona
No dia da mentira, as brincadeiras costumam ser inofensivas, mas no mundo da nutrição, acreditar em “fake news” pode ter consequências reais para o organismo. Com a viralização de dietas restritivas e promessas de “alimentos milagrosos”, muitos pacientes acabam adotando hábitos que, em vez de emagrecer, prejudicam o metabolismo e a saúde mental.
Um dos mitos mais difundidos recentemente é o de que o leite seria um vilão silencioso. Segundo a nutricionista Karine Lima, que atende no complexo clínico Órion Business, essa é uma afirmação perigosa para quem não tem restrições clínicas.
Leite faz mal
“O leite só tem potencial inflamatório para pessoas que possuem diagnóstico de intolerância à lactose ou alergia à proteína do leite de vaca, que envolve o sistema imunológico e pode trazer reações respiratórias, dermatites. Para a população saudável, ele é uma excelente fonte de cálcio e proteínas. Inclusive, a retirada do alimento sem orientação pode, inclusive, abrir portas para deficiências nutricionais graves no futuro”, explica.
O perigo de cortar o combustível do corpo
Outra mentira que ganha força nas redes sociais é a demonização dos carboidratos. Muitos acreditam que “zerar” o grupo alimentar é a única via para a perda de peso, ignorando que ele é a principal fonte de energia para o cérebro e para os músculos.
“O carboidrato não pode ser retirado de forma drástica causa uma falsa ilusão de emagrecimento, pois o corpo perde água e massa muscular rapidamente. A longo prazo, isso gera irritabilidade, lentidão mental e aumenta muito o risco de compulsão alimentar”, acrescenta a especialista.
Da mesma forma, a ideia de que passar fome é sinônimo de eficiência no emagrecimento também entra na lista das inverdades. “Ficar longos períodos sem comer, tem alguns prejuízos. Um deles é o aumento do cortisol, o hormônio do estresse, onde a pessoa tem facilidade para acumular gordura na região abdominal e também aumenta a compulsão alimentar à noite”, diz Karine Lima. Ela ainda afirma que é importante fazer as quatro refeições ao dia e que todas tenham proteína para ter saciedade e que a pessoa não fique beliscando fora dos horários das refeições.
A “mágica” que não existe
Até mesmo receitas populares, como a famosa água com limão em jejum, entram no radar dos mitos quando recebem propriedades que não possuem. Embora seja uma prática saudável para hidratação e aporte de vitamina C, ela não tem o poder de queimar gordura sozinha. “Nenhum alimento isolado, chá ou mistura tem a capacidade fisiológica de ‘derreter’ a gordura corporal. O emagrecimento real vem do conjunto de uma alimentação equilibrada e gasto calórico”, reforça a nutricionista.
Neste 1º de abril, o melhor conselho de saúde é a cautela. Antes de retirar grupos alimentares inteiros da sua rotina baseando-se em vídeos rápidos da internet, lembre-se que o equilíbrio e o acompanhamento profissional são as únicas ferramentas que não mentem para o seu corpo.




















