DF se destaca no financiamento estadual da ciência, aponta painel nacional

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O Distrito Federal possui um perfil robusto no financiamento da ciência no contexto nacional, combinando aportes federais expressivos com uma forte atuação da fundação estadual de amparo à pesquisa. É o que revela o Painel do Financiamento das Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs), lançado pelo Centro de Estudos Sociedade, Universidade e Ciência (SoU_Ciência) da Unifesp em parceria com o Conselho Nacional das FAPs (Confap).

O painel, que consolida dados de 2024, mostra que o orçamento conjunto das 27 FAPs do país (R$ 4,8 bilhões) superou individualmente os recursos de agências federais como Capes, CNPq e Finep no mesmo ano.

No DF, o total destinado à ciência em 2024 foi de R$ 392 milhões. Desse montante, a FAPDF respondeu por R$ 140 milhões (36%), valor superior ao aporte individual de cada uma das agências federais no território. O CNPq contribuiu com R$ 96 milhões (24,5%), a Capes com R$ 82 milhões (21%) e a Finep com R$ 73 milhões (18%).

Indicadores de destaque do DF

  • Esforço fiscal: o DF destinou 0,52% de sua receita tributária à FAPDF, ocupando a 8ª posição nacional (média nacional: 0,39%).

  • Investimento per capita: a FAPDF investiu R$ 42,30 por habitante, o segundo maior valor do país, atrás apenas de São Paulo (R$ 61,48).

  • Densidade de pesquisadores: o DF tem a maior proporção do Brasil, com 459 pesquisadores por 100 mil habitantes (média nacional: 186).

Contraponto

Embora o investimento por habitante seja alto, o investimento por pesquisador no DF ficou em R$ 9,2 mil, abaixo da média nacional das FAPs (R$ 12,2 mil) e na 17ª posição no ranking. Isso reflete a elevada densidade de pesquisadores na região, que dilui o recurso disponível por profissional.

O painel evidencia a importância crescente das fundações estaduais no sistema científico brasileiro e as assimetrias regionais no financiamento. A transparência dos dados busca qualificar o debate público e subsidiar políticas de CT&I.

“Ciência não é gasto — é desenvolvimento, inovação e soberania”, resume Maria Angélica Minhoto, coordenadora do painel.