
Bruno Lowczy identificou vulnerabilidade que poderia permitir acesso não autorizado a serviços da empresa
O que começou como uma oportunidade de formação em cibersegurança se tornou um marco na trajetória pessoal e profissional de Bruno Lowczy. Aluno do Hackers do Bem, programa de capacitação em cibersegurança executado pela RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa), o engenheiro de computação de 31 anos identificou uma vulnerabilidade de alto impacto em um software da Autodesk, empresa norte-americana que desenvolve programas amplamente usados em áreas como engenharia e arquitetura, entre eles o AutoCAD.
A descoberta foi reconhecida oficialmente pela companhia e registrada em uma base internacional de vulnerabilidades. “É tipo uma medalha de ouro nas Olimpíadas da Cyber”, diz Bruno Lowczy, celebrando o feito.
A falha estava no ADP Desktop SDK, software da Autodesk que transmitia informações sensíveis sem a proteção adequada. Entre elas estava um token de autorização, uma credencial digital que permite a um sistema reconhecer um usuário e liberar seu acesso a determinados serviços. Se interceptado por um invasor com acesso à máquina da vítima, esse código poderia permitir que ele se passasse pelo usuário legítimo e acessasse serviços sem autorização. A vulnerabilidade foi registrada sob o código CVE-2026-15102 e incluída na documentação oficial de segurança da Autodesk.
Iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Hackers do Bem é coordenado pela Softex e executado pela RNP em parceria com o SENAI-SP. O programa oferece formação gratuita em cibersegurança, com conteúdos teóricos e atividades práticas, e busca ampliar o número de profissionais qualificados para atuar na proteção de sistemas e dados digitais.
Lowczy conheceu a iniciativa quando ainda cursava engenharia da computação. Na formação, teve contato com conceitos de segurança digital e participou de desafios práticos, incluindo uma atividade do tipo Capture The Flag (CTF), em que os alunos precisam resolver problemas de segurança. A formação ajudou o então estudante a entender como atua um profissional de cibersegurança. “Depois disso, eu já conseguia falar com outros especialistas de igual para igual”, explica.
Com o que aprendeu, Lowczy passou a desenvolver projetos próprios e a testar técnicas de segurança em sistemas de grandes empresas. Foi enquanto trabalhava em seu próprio sistema de autenticação que identificou a vulnerabilidade no software da Autodesk.
Depois de identificar a falha, ele entrou em contato com a empresa por meio da plataforma HackerOne, usada para receber relatos de vulnerabilidades. A primeira resposta, porém, foi negativa: o caso foi classificado como fora do escopo e sem impacto.
“Fiquei bem tenso e pensei: será que eu achei alguma coisa mesmo?”, relata Bruno. No entanto, convencido de que havia um problema, de fato, reuniu evidências técnicas e levou o caso diretamente à equipe de engenharia de segurança da companhia, que confirmou a vulnerabilidade. A Autodesk, então, deu início a um processo de correção que levou cerca de sete meses e registrou oficialmente Bruno Lowczy como responsável pela descoberta.
Para o engenheiro e ex-aluno do Hackers do Bem, a conquista reforça a importância da formação em cibersegurança e da atuação ética dos profissionais da área. Ao encontrar uma vulnerabilidade, Bruno optou por comunicá-la à empresa para que o problema pudesse ser corrigido em vez de explorá-las para obter vantagens indevidas. “Vale muito mais escolher o lado ético. Eu consegui salvar milhares, talvez milhões de estações de trabalho”, afirma.




















