Projeto no DF capacita 150 profissionais para identificar riscos à saúde mental materna

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Iniciativa coordenada pela pesquisadora Kátia Tarouquella reúne profissionais de diferentes áreas em seis turmas de formação; projeto conta com gestão administrativa e financeira da Finatec

No Distrito Federal, um projeto coordenado pela pesquisadora Kátia Tarouquella busca ampliar esse olhar do cuidado no pós-parto por meio da capacitação de profissionais para identificar precocemente situações de risco e fortalecer a rede de acolhimento às famílias.

A iniciativa, com conclusão prevista para novembro de 2026, contempla a formação de 150 profissionais, distribuídos em seis turmas ao longo de duas etapas. Todo o financiamento das atividades de formação e pesquisa no Distrito Federal foi viabilizado por meio de emendas parlamentares locais. A primeira etapa reuniu 100 participantes em quatro turmas, enquanto a segunda contempla outros 50 profissionais, distribuídos em duas turmas.

A proposta aposta na formação interdisciplinar para ampliar a compreensão sobre a saúde integral de gestantes, puérperas e crianças, além das diferentes formas de parentalidade. O objetivo é oferecer ferramentas para que os profissionais reconheçam sinais de sofrimento psíquico, vulnerabilidade social e possíveis situações de violência, contribuindo para encaminhamentos adequados e um acompanhamento mais humanizado, especialmente durante a primeira infância.

O projeto conta com o apoio da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), responsável pela gestão administrativa e financeira das ações, contribuindo para a execução da iniciativa e para a aproximação entre conhecimento científico e práticas de cuidado na rede de saúde.

Experiência em Niterói deu origem à formação desenvolvida no DF

A proposta tem origem em estudos e experiências desenvolvidos por uma equipe vinculada ao Laboratório de Psicanálise e Subjetivação, do Departamento de Psicologia Clínica e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica e Cultura, que atua há anos com questões relacionadas à saúde mental, maternidade e parentalidade, em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF).

Em 2019, o grupo participou de um chamamento público da Prefeitura de Niterói, no Rio de Janeiro, para desenvolver uma formação voltada a profissionais de saúde, com atenção especial ao acompanhamento de gestantes e puérperas e à prevenção da violência na primeira infância.

A experiência partiu de uma preocupação importante: situações de violência contra crianças pequenas podem ocorrer dentro do próprio ambiente familiar, muitas vezes em contextos marcados pelo sofrimento emocional e pela vulnerabilidade das pessoas responsáveis pelo cuidado. Nesse cenário, preparar as equipes para reconhecer sinais de alerta tornou-se uma estratégia para ampliar as possibilidades de prevenção.

Ao longo de mais de três anos, considerando uma interrupção provocada pela pandemia, a iniciativa em Niterói capacitou cerca de 460 profissionais de diferentes especialidades, como psicologia, medicina, enfermagem, nutrição e serviço social. A experiência serviu de base para a construção do projeto desenvolvido posteriormente no Distrito Federal, com adaptações às particularidades da rede local e às necessidades das famílias atendidas.

Profissionais de saúde como agentes de prevenção

Um dos principais fundamentos do projeto é reconhecer que os serviços de saúde ocupam uma posição estratégica na identificação de situações de vulnerabilidade durante os primeiros anos de vida de uma criança.

Antes mesmo de frequentarem creches ou escolas, crianças pequenas costumam passar por consultas pediátricas, vacinação, acompanhamento nutricional e outros atendimentos nas unidades de saúde. Esses encontros representam oportunidades para que os profissionais observem não apenas o desenvolvimento infantil, mas também as condições emocionais e sociais das pessoas responsáveis pelo cuidado.

A formação busca preparar as equipes para reconhecer sinais de depressão pós-parto, sofrimento psíquico, dificuldades no vínculo familiar, vulnerabilidades sociais e possíveis situações de violência. A intenção é que esse conhecimento contribua para intervenções mais precoces, encaminhamentos adequados e maior articulação entre os serviços de saúde e a rede de proteção.

Para Kátia Tarouquella, coordenadora do projeto, a capacitação amplia as possibilidades de prevenção ao incorporar uma compreensão mais abrangente sobre a maternidade e o cuidado na primeira infância.

“Quando um profissional de saúde atende uma gestante, uma mãe ou uma criança pequena, ele também tem a oportunidade de observar questões que vão além da saúde física. Nosso objetivo é ampliar esse olhar para que situações de sofrimento emocional, vulnerabilidade e risco sejam identificadas o mais cedo possível. Ao formar esses profissionais, também multiplicamos as possibilidades de cuidado e proteção às famílias”, explica.

Investimento na formação de 150 profissionais no Distrito Federal

No Distrito Federal, o projeto está em sua segunda edição e chegará ao fim em novembro, após a realização de seis turmas de formação. Ao todo, a iniciativa contempla 150 profissionais, sendo 100 na primeira etapa e 50 na segunda.

As duas etapas foram financiadas com recursos de emendas parlamentares de bancada do Distrito Federal, destinadas à formação e à pesquisa na área da saúde. O apoio da bancada do DF permitiu dar continuidade à iniciativa e ampliar o número de profissionais contemplados. A execução administrativa e financeira dos recursos é realizada pela Finatec.

A metodologia é baseada em oficinas, discussões e troca de experiências entre diferentes áreas de atuação. A proposta é estimular uma compreensão integrada das necessidades de gestantes, puérperas e crianças, considerando que a saúde mental materna e a prevenção da violência exigem uma atuação articulada entre diferentes profissionais e serviços.

A iniciativa dialoga com uma rede diversificada de instituições e áreas de atuação, envolvendo profissionais vinculados a serviços públicos de saúde, universidades e organizações que trabalham com maternidade, infância e proteção social. Entre as instituições identificadas no levantamento de vínculos profissionais estão a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), a Universidade de Brasília (UnB), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs) e a Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS), além de outras instituições.

Mais do que transmitir conhecimentos teóricos, a formação procura aproximar a discussão científica das situações enfrentadas diariamente pelos profissionais. A expectativa é que os participantes possam incorporar esse olhar ampliado à rotina de atendimento, contribuindo para reconhecer vulnerabilidades que nem sempre se manifestam de maneira evidente durante as consultas.

Com a conclusão prevista para novembro, o projeto reforça a importância de investir na qualificação das equipes como estratégia de cuidado e prevenção. A proposta é que os conhecimentos compartilhados durante as oficinas continuem circulando entre os profissionais e contribuam para fortalecer a capacidade de acolhimento e proteção às famílias.

Ao atuar na gestão da iniciativa, a Finatec contribui para viabilizar uma ação que aproxima pesquisa, formação profissional e demandas sociais, com foco na promoção da saúde mental, no fortalecimento da parentalidade e na proteção das crianças desde os primeiros anos de vida.