
Depois das festas de fim de ano, com refeições pesadas e o consumo de álcool, um medicamento ganha lugar de destaque: o omeprazol. Um remédio utilizado para aliviar quadros de azia, queimação e refluxo.
Nos últimos meses, pesquisas têm discutido potenciais efeitos adversos associados ao uso contínuo do medicamento, incluindo possíveis impactos cognitivos e prejuízos à absorção de nutrientes, reacendendo questionamentos sobre seus riscos e benefícios.
Utilizado com prescrição e acompanhamento médico, o omeprazol é uma opção segura e eficaz, de acordo com os especialistas, o perigo está na automedicação.
O Dr. Natan Chehter, docente do curso de Medicina da Universidade Cidade de São Paulo (UNICID), clínico geral e geriatra, entende que decisões sobre suspensão ou substituição não podem ser generalizadas.
“Antes de pensar em substituir ou suspender o omeprazol, é fundamental entender por que ele foi indicado. Há casos em que o remédio pode, sim, ser necessário por toda a vida, como em pacientes que fazem uso contínuo de ácido acetilsalicílico (AAS) após infarto ou AVC, ou que utilizam anti-inflamatórios com frequência. Nesses contextos, o benefício é maior que o risco”, explica o médico.
Ele reforça que, quando há prescrição adequada, os riscos de complicações são mínimos. “O problema está no uso por conta própria, sem diagnóstico preciso ou acompanhamento, o que pode mascarar sintomas e atrasar o tratamento de doenças gástricas mais graves”, acrescenta.
De acordo com o especialista, existem alternativas terapêuticas — como o pantoprazol, esomeprazol e os inibidores de bomba H2 (como ranitidina e famotidina) —, mas a escolha entre elas deve considerar a condição clínica e a resposta do paciente. “Essas trocas não costumam representar grandes diferenças em termos de segurança. A decisão sobre substituir ou não deve ser feita pelo médico, com base na necessidade real de controle da acidez”, pontua.
O Dr. Chehter também destaca que ajustes no estilo de vida podem reduzir a dependência de medicamentos. Manter o peso adequado, evitar o tabagismo, o álcool e a cafeína, não se deitar logo após as refeições e preferir porções menores e mais frequentes estão entre as medidas que ajudam a controlar sintomas de refluxo e acidez
“Há pacientes que, com hábitos mais saudáveis, conseguem controlar o refluxo sem o uso contínuo de omeprazol. Mas, se os sintomas persistirem, o medicamento segue sendo uma opção segura e eficaz”, conclui o docente da UNICID.




















