“Desistir não é falta de capacidade, é falta de método”, afirma especialista

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O Dia dos Desistentes, celebrado simbolicamente na segunda sexta-feira de janeiro, aponta para o momento em que muitas pessoas começam a abandonar as resoluções feitas para o novo ano. Em 2026, a data cai em 9 de janeiro.

Para o engenheiro civil, empresário e campeão mundial de karatê Junior Campos Prado, esse fenômeno não está ligado à falta de capacidade individual, mas sim à falta de método na busca por objetivos. “Desistir não é falta de capacidade, é falta de método”, afirma.

Com décadas de experiência em artes marciais, engenharia e desenvolvimento humano, Prado observa que o erro mais comum é buscar o resultado final sem respeitar o processo contínuo e incremental. “O progresso real acontece de forma silenciosa e repetitiva, com ajustes diários, e não por meio de ações pontuais de alta intensidade”, explica.

Ele destaca a filosofia japonesa Kaizen – que significa “mudança para melhor” – como uma abordagem eficaz, baseada em pequenos avanços diários em vez de saltos ocasionais. “O Kaizen propõe pequenos avanços por dia e não um salto heroico por mês”, ressalta.

A mensagem reforça a importância da constância, do planejamento e da adaptação contínua para que metas de início de ano não sejam abandonadas logo nas primeiras semanas.

Pensando em quem precisa estabelecer metas pessoais e profissionais de forma mais consistente, Junior destaca quatro princípios do Kaizen que podem ser aplicados ao longo do ano. Confira, a seguir:

1. Priorize constância em vez de intensidade

No método Kaizen, o progresso acontece por meio da repetição. “No karatê, ninguém entra no dojô pensando na faixa preta. O avanço não ocorre por picos de esforço, mas pelo treino repetido, silencioso e, muitas vezes, invisível”, explica Junior. “Pequenos avanços diários reduzem a sobrecarga emocional e aumentam as chances de permanência no longo prazo, o que evita a frustração de quem busca grandes saltos em pouco tempo e diminui a chance de abandono no médio e longo prazo”, completa.

2. Crie sistemas e não dependa da motivação

A desistência frequente está ligada à dependência de picos de energia e decisões emocionais. Para Junior, o caminho é outro, menos sobre motivação e mais sobre sistema. “Não é sobre motivação, é sobre sistema. Na engenharia, projetos que fracassam não falham no final, mas no planejamento, no controle e na disciplina diária”, ressalta. Segundo ele, estruturar rotinas simples, mensuráveis e repetíveis cria estabilidade, sustenta a evolução mesmo nos dias de baixa disposição e evita construir metas sem base sólida. “No Kaizen, o polimento diário demonstra que a consistência supera a intensidade”, reverbera.

3. Respeite o processo diário de melhoria

O método Kaizen valoriza ajustes contínuos e progresso invisível. “Ao realizar pequenas correções contínuas, o cérebro reforça circuitos ligados à melhoria e fortalece a percepção de progresso. Essa prática evita picos de esforço seguidos de exaustão e transforma a evolução em um processo sustentável”, comenta Junior. Segundo ele, a neurociência também reforça esse princípio, ao mostrar que o cérebro não muda por decisões impulsivas, mas por repetição consistente. “Quando alguém escolhe melhorar aos poucos, cria um caminho mais sustentável do que promessas grandiosas feitas no impulso”, complementa.

4. Comece pequeno para evitar desistências amplas

Verdadeiras mudanças não acontecem em ciclos curtos. “Não existe saúde construída em 30 dias. Existe saúde construída em anos de escolhas pequenas e consistentes. Dormir melhor, treinar e alimentar-se com consciência e gerenciar o estresse fazem parte desse processo gradual”, explica. A mesma lógica se aplica para metas profissionais e pessoais. Quem tenta resolver tudo de uma vez costuma abandonar tudo no mesmo ritmo”, conclui o especialista.