Queda de Bolsonaro na prisão reforça importância da investigação clínica detalhada

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes autorizou que o ex-presidente Jair Bolsonaro deixe temporariamente a custódia da Polícia Federal para realizar exames médicos no hospital DF Star, após sofrer uma queda na cela que resultou em traumatismo cranioencefálico leve.

O episódio ocorreu na madrugada do dia 6 de janeiro. Embora o laudo inicial não indicasse necessidade de transferência imediata, a defesa solicitou a realização de exames complementares, como tomografia, ressonância magnética e eletroencefalograma, em unidade hospitalar externa.

A médica Caroline Daitx, especialista em medicina legal e perícia médica, destacou que a boa prática médica exige investigar a causa da queda, e não apenas tratar as consequências. O relatório oficial aponta quatro hipóteses: interação medicamentosa, crise epiléptica, hipoxemia relacionada ao uso de CPAP e processo inflamatório pós-operatório.

“A busca pela causa é o que define a medicina de excelência. Não se trata de preciosismo, mas da diferença entre um atendimento protocolar e um ato que realmente salva uma vida”, afirmou Daitx, ressaltando que exames complementares são indispensáveis para esclarecer o quadro.

Bolsonaro, que tem histórico de cirurgias e idade avançada, será submetido aos exames indicados e retornará à custódia após os procedimentos, conforme determinação do STF. A decisão judicial indica a necessidade de equilibrar protocolos de segurança com garantias fundamentais à saúde do custodiado, em um caso que segue mobilizando atenção médica, jurídica e política.