
Sete filhotes iniciam etapa de socialização com famílias voluntárias e outros 11 cães entram em treinamento especializado para atuar na condução segura de deficientes visuais
O projeto de formação de cães-guia do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) avançou mais uma etapa nesta semana. Sete filhotes da raça golden retriever foram entregues a famílias voluntárias para o processo de socialização, enquanto outros 11 cães iniciam treinamento especializado voltado à condução de pessoas com deficiência visual.
Retomada em agosto de 2025, após a inauguração do Centro de Treinamento de Cães do CBMDF, a iniciativa busca ampliar a oferta de cães-guia no Distrito Federal e contribuir para a autonomia, mobilidade e segurança de pessoas com deficiência visual.
Os filhotes entregues nesta fase pertencem à chamada “ninhada D”, composta por Duda, Delta, Dacota, Dora, Dom, Dante, Draco e Dexter. Os animais foram selecionados a partir do cruzamento de cães com aptidão para o trabalho de assistência.
Socialização é etapa fundamental da formação
Durante os próximos dez a doze meses, os filhotes viverão com famílias voluntárias, responsáveis por inseri-los em situações cotidianas e diferentes ambientes sociais.
Segundo o capitão Jean Charles Meireles dos Santos, a convivência em ambientes domésticos e urbanos é essencial para que os cães desenvolvam equilíbrio comportamental e capacidade de adaptação.
“É o momento em que o cão sai de bebê até ficar adulto, mas numa vida normal, convivendo com a sociedade, indo e vindo aos lugares a que as pessoas vão”, explica.
Além dos golden retrievers, três labradores também estão em fase de socialização e devem concluir essa etapa até outubro deste ano.
As famílias selecionadas recebem acompanhamento técnico permanente do Corpo de Bombeiros, além de suporte para alimentação e cuidados veterinários dos animais.
Treinamento prepara cães para condução segura
Enquanto os filhotes iniciam a convivência com as famílias hospedeiras, outros 11 cães avançam para a fase de treinamento especializado.
O grupo é formado por sete pastores-alemães nascidos na corporação e quatro labradores recebidos por doação.
Nesta etapa, que dura entre seis e oito meses, os animais aprendem comandos avançados de obediência, mobilidade urbana, identificação de obstáculos e técnicas específicas de condução.
De acordo com o capitão Jean Charles, o objetivo é garantir que os futuros cães-guia consigam oferecer segurança durante os deslocamentos de pessoas com deficiência visual.
“O cão vai aprender a conduzir alguém. Todo esse processo foca principalmente a condução segura. Ele é treinado para proteger o tutor, evitar que ele caia em um buraco, tropece em um obstáculo ou até mesmo colida com estruturas mais altas”, detalha.
Após essa fase, os cães passam por um período de adaptação ao lado dos futuros usuários antes da entrega definitiva.
Parceria que amplia autonomia
Desde a retomada do projeto, dois cães-guia já foram destinados a pessoas com deficiência visual: os labradores Bento e Tom.
O atleta paralímpico Leonardo Moreno recebeu Tom e destaca a diferença que o animal trouxe para sua rotina.
“O cão é preparado para reconhecer obstáculos baixos, médios e aéreos. Com a bengala só consigo rastrear o obstáculo, correndo o risco de bater o rosto. O cão não deixa isso acontecer. É meu parceiro 24 horas”, afirma.
Leonardo também ressalta a importância do trabalho realizado pelas famílias socializadoras na formação dos animais.
“O trabalho com as famílias socializadoras é muito importante. Elas ajudam muito no preparo dos nossos parceiros”, acrescenta.
Formação exige profissionais especializados
Além da preparação dos cães, o CBMDF também investe na qualificação de novos instrutores.
Atualmente, quatro militares participam do processo de formação para atuar como treinadores e instrutores de cães-guia. Cada profissional será responsável pelo acompanhamento individualizado dos animais durante as etapas de treinamento.
Segundo o major João Gilberto Silva Cavalcanti, a atividade exige alto nível de especialização.
“Todo esse treinamento é muito complexo e exige excelência. Um cão treinado de maneira errada pode colocar em risco a segurança de uma pessoa com deficiência visual”, ressalta.
A metodologia utilizada pelo CBMDF é baseada em técnicas canadenses aprendidas por militares durante intercâmbios internacionais.
Como participar
As famílias interessadas em participar do programa de socialização podem entrar em contato com o Corpo de Bombeiros por meio do e-mail familiahospedeira@gmail.com.
Já as pessoas com deficiência visual interessadas em ingressar no cadastro nacional para futura seleção de cães-guia podem solicitar informações pelo e-mail cadastronacional@projetocaoguia.com.
As atualizações do projeto também são divulgadas pelo perfil oficial do Centro de Treinamento de Cães do CBMDF no Instagram: @centrodetreinamentodecaescbmdf.




















