Congresso em Goiânia discutirá avanços no tratamento do melanoma subungueal e de outros tumores de pele, com especialistas nacionais e internacionais
O melanoma sob a unha, conhecido tecnicamente como melanoma do aparelho ungueal ou melanoma subungueal, será um dos temas em destaque no IV Congresso Brasileiro de Câncer de Pele e no II Congresso Internacional de Câncer de Pele, que serão realizados de 22 a 24 de outubro, no Centro de Convenções de Goiânia.
Organizado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), o evento reunirá especialistas nacionais e internacionais para discutir avanços no diagnóstico e no tratamento do câncer de pele.
Entre os temas da programação está a comparação entre a amputação, historicamente utilizada em parte dos casos de melanoma do aparelho ungueal, e as cirurgias conservadoras, que podem permitir a retirada do tumor com preservação do dedo e de sua função em casos selecionados, sem comprometer os princípios de segurança oncológica.
Aula discutirá amputação e cirurgia conservadora
A aula “Melanoma subungueal: amputação vs. cirurgia conservadora?” será ministrada por Mauro Enokihara, chefe do Departamento de Dermatologia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
A apresentação está prevista para sábado, 24 de outubro, último dia do congresso, no bloco “Melanoma: apresentações especiais”.
O melanoma subungueal é considerado raro e representa aproximadamente 0,7% a 3,5% dos melanomas no mundo. Embora seja pouco frequente na população geral, o melanoma do aparelho ungueal representa proporcionalmente uma parcela maior dos melanomas diagnosticados em pessoas negras, asiáticas e hispânicas.
Congresso reunirá diferentes especialidades
De acordo com Flávio Cavarsan, cirurgião oncológico, vice-coordenador da Comissão de Neoplasias da Pele da SBCO e presidente da Comissão Organizadora do congresso, o encontro busca integrar conhecimentos de diferentes áreas envolvidas no cuidado ao paciente com câncer de pele.
“Vamos discutir os avanços terapêuticos, trazer atuais e novos protocolos para os cânceres de pele e compartilhar experiências entre diversas especialidades que tratam o tumor”, explica Cavarsan.
Outro tema previsto é o carcinoma espinocelular (CEC), um dos principais tipos de câncer de pele não melanoma, ao lado do carcinoma basocelular.
O cirurgião oncológico Felice Riccardi, membro da SBCO e diretor do Grupo Brasileiro de Melanoma, ministrará a aula “Abordagem da base linfonodal no CEC cutâneo”, com foco em casos considerados de alto risco.
A discussão abordará como avaliar os linfonodos, quando investigar possível disseminação da doença e em quais situações a abordagem cirúrgica pode ser indicada.
Diagnóstico precoce continua fundamental
Os linfonodos são estruturas do sistema linfático e podem estar entre os primeiros locais atingidos quando determinados tumores se disseminam.
“A identificação de um possível comprometimento linfonodal pode influenciar a definição da estratégia de tratamento e o acompanhamento do paciente. Durante a aula, serão discutidos os critérios utilizados para avaliar esse risco e as situações em que a cirurgia dos linfonodos pode fazer parte do tratamento”, explica Cavarsan.
Segundo o especialista, o tratamento do câncer de pele tem evoluído em diferentes frentes, permitindo considerar o tipo de tumor, o estágio da doença e as características de cada paciente.
“Hoje, há diferentes estratégias para tratar o câncer de pele e a escolha depende do tipo de tumor, do estágio da doença e das características de cada paciente. O diagnóstico precoce continua sendo fundamental, mas, mesmo nos casos mais avançados, temos ampliado as possibilidades de tratamento e controle da doença”, afirma.
Câncer de pele é o mais incidente no Brasil
O câncer de pele é o tipo de câncer mais incidente no Brasil. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2026–2028, são esperados 263.280 novos casos de câncer de pele não melanoma por ano no país, o equivalente a mais de 720 novos diagnósticos por dia.
Embora seja menos frequente, o melanoma exige atenção pelo maior potencial de disseminação. Para o período de 2026 a 2028, o INCA estima 9.360 novos casos por ano no Brasil, sendo 4.930 em homens e 4.430 em mulheres.
“Os números reforçam a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento adequado, temas que estarão entre os principais assuntos do Congresso”, aponta Paulo Henrique Fernandes, cirurgião oncológico e presidente da SBCO.
Em Goiás, sede do evento, são estimados 13.780 novos casos de câncer de pele não melanoma e 170 de melanoma em 2026, totalizando 13.950 casos novos estimados. Apenas em Goiânia, a estimativa é de 2.360 novos casos de câncer de pele não melanoma e 50 de melanoma no ano.
Alterações persistentes na pele devem ser avaliadas
A exposição à radiação ultravioleta está entre os principais fatores associados ao desenvolvimento do câncer de pele. Exposição excessiva ao sol, histórico de queimaduras solares, uso de câmaras de bronzeamento artificial e pele clara estão entre os fatores relacionados a maior risco.
No caso específico do melanoma do aparelho ungueal, entretanto, a associação com exposição solar não está estabelecida da mesma forma que ocorre nos melanomas cutâneos convencionais.
A doença pode se manifestar por feridas que não cicatrizam, pintas que mudam de cor, formato ou tamanho, aparecimento de novas pintas e lesões escuras com assimetria ou bordas irregulares. Alterações persistentes na pele devem ser avaliadas por um profissional de saúde.
Inteligência artificial, cirurgia de Mohs e melanoma na gestação estão na programação
A programação do congresso será dividida entre cursos pré-congresso e atividades gerais.
No dia 22 de outubro, dois cursos serão voltados a conhecimentos fundamentais para cirurgiões que atuam no tratamento do câncer de pele. Os conteúdos incluem identificação de tumores, uso da dermatoscopia para reconhecer sinais de melanoma, técnicas de reconstrução após retirada de tumores no nariz, pálpebras, lábios e outras regiões da face, além de sessões interativas com atividade prática e quiz.
No dia 23, um dos temas será a estratificação molecular no prognóstico do melanoma, apresentada por Clóvis Antônio Lopes Pinto, médico patologista do A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo.
O convidado internacional Gabriel Salerni, médico argentino especialista em câncer de pele, participará do debate sobre a abordagem do lentigo maligno da face e também falará sobre o avanço da inteligência artificial no diagnóstico do câncer de pele.
Outro convidado internacional, Abel Gonzalez, médico argentino e cirurgião de cabeça e pescoço, apresentará dados de 35 anos de acompanhamento de pacientes submetidos à cirurgia de Mohs, técnica que permite remover o tumor com controle microscópico das margens cirúrgicas, preservando tecido saudável.
Tratamentos antes e depois da cirurgia serão debatidos
Também no dia 23, a oncologista clínica Veridiana Pires de Camargo, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, apresentará aula sobre a seleção de pacientes com melanoma em estádios II e III de alto risco para tratamento adjuvante, realizado após a cirurgia.
No sábado, 24 de outubro, o tratamento realizado antes da cirurgia será discutido no bloco “Neoadjuvância em Melanoma”. A chamada terapia neoadjuvante consiste no uso de outro tratamento, como imunoterapia, antes do procedimento cirúrgico.
O oncologista clínico Milton Barros, do A.C.Camargo Cancer Center, discutirá a escolha do tratamento sistêmico e as alternativas quando essa estratégia não alcança o resultado esperado.
Na sequência, João Duprat, diretor do Departamento de Câncer de Pele do A.C.Camargo Cancer Center e cirurgião oncológico, abordará o papel da retirada dos linfonodos após a terapia neoadjuvante.
A programação também inclui recomendações para o manejo do melanoma durante a gestação, apresentadas por Frederico Teixeira, cirurgião oncológico e responsável pelo Grupo de Cirurgia Oncológica da Divisão de Clínica Cirúrgica da Faculdade de Medicina da USP.
Entre os tumores raros, Ivna Gonçalves, cirurgiã oncológica do A.C.Camargo Cancer Center e membro da SBCO, abordará o dermatofibrossarcoma protuberans, câncer de pele que pode se estender além da área visível e apresentar risco de voltar no mesmo local.
Para Paulo Henrique Fernandes, o congresso será uma oportunidade de atualização científica e integração entre especialidades.
“O câncer de pele exige uma abordagem cada vez mais integrada, personalizada e baseada nas melhores evidências, envolvendo diferentes profissionais desde o diagnóstico até o seguimento. Os congressos são uma oportunidade de atualização científica, troca de experiências e integração entre as especialidades, com o objetivo final de levar ao paciente um tratamento cada vez mais seguro, efetivo e individualizado”, finaliza.
Serviço
IV Congresso Brasileiro de Câncer de Pele e II Congresso Internacional de Câncer de Pele
Data: 22 a 24 de outubro de 2026
Local: Centro de Convenções de Goiânia
Endereço: Rua 4, nº 1.400, Setor Central, Goiânia (GO)
Realização: Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO)
Informações e inscrições: cancerdepele2026.com.br
Credenciamento para imprensa: Bárbara Conti de Oliveira — (11) 98203-4946 / Moura Leite Netto — (11) 99733-5588
Sobre a SBCO
Fundada em 31 de maio de 1988, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) é uma entidade sem fins lucrativos que reúne cirurgiões oncológicos e outros profissionais envolvidos no cuidado multidisciplinar ao paciente com câncer.
A entidade atua na promoção de educação médica continuada, intercâmbio de conhecimentos, prevenção, detecção precoce e fortalecimento da cirurgia oncológica brasileira. A SBCO é presidida pelo cirurgião oncológico Paulo Henrique de Sousa Fernandes na gestão 2025–2027.




















