Exclusivo: Especialista esclarece dúvidas sobre o coronavírus

Nesta semana, médicos partiram para ajudar nos esforços de controle de coronavírus em Hubei. Foto: Governo China

O coronavírus é o assunto do momento. Autoridades e pessoas no mundo todo estão preocupadas e muitas perguntas surgem: o que seria essa infecção, como combatê-la, ela pode se tornar uma epidemia global, e quando sairá uma vacina?

Todas estas questões são motivadas pelos números. Até o momento, mais de 34 mil pessoas foram infectadas na China e mais de 700 perderam a vida. 

No Brasil, o Ministério da Saúde vem trabalhando para que as unidades de saúde do país estejam preparadas para receber casos suspeitos e investigar de fato. No momento, ainda não se tem nenhuma confirmação do vírus no país.

Uma situação que mudou foi quanto ao repatriamento dos brasileiros que estavam no epicentro da infecção, em Wuhan, na China. No primeiro momento, a orientação era deixar as pessoas na região, mas nesta semana, dois aviões da Força Aérea Brasileira partiram com a missão de trazer 34 pessoas de volta ao país.

Os repatriados e todos que fizeram parte da missão ficaram na base aérea em Anápolis (GO) que foi preparada para recebê-los. Diferente da orientação mundial, a quarentena no Brasil será de 18 dias, são quatro dias a mais. Ou seja, durante esse período, as pessoas passarão por exames, coletas de material, tudo para verificar se estão ou não infectadas pelo coronavírus. Se algum caso for confirmado, o paciente será transferido ao Hospital da Força Aérea (HFA) em Brasília.

 

Palavra de Especialista

Em busca de esclarecimentos sobre o coronavírus, o Portal Contexto conversou com a infectologista Eliana Bicudo.

 

Dra Eliana Bicudo, foto: divulgação.

Quais os cuidados que um cidadão comum pode tomar para se proteger?
O coronavírus é um vírus respiratório. Sendo assim, a disseminação se faz pela pessoa que está doente, pela tosse por exemplo. A forma de disseminação é a mesma da gripe comum. Assim é importante higienizar as mãos, porque elas são o principal veículo de contaminação, isso vale para quem está doente e para quem está próximo. Se for tossir, usar um lenço descartável. O ideal também é guardar distância de que está doente.

Na hora de tossir ou espirar, vale usar a parte interna do cotovelo para não contaminar a mão?
O ideal é usar o lenço descartável, melhor do que usar o cotovelo é o lenço. 

Concorda com a medida de repatriar os brasileiros que estavam no epicentro da infecção? isso pode trazer algum risco ao país?
Não temos nenhuma informação se o coronavírus vai chegar ao Brasil. A gente acredita que vamos conseguir conter o vírus. Com relação a quarentena, não devemos nos preocupar, se a pessoa passou os 18 dias da quarentena e não teve nenhuma manifestação, a pessoa não tem nenhum risco de transmissão. A situação está bem organizada em Anápolis para deixar as pessoas confortáveis durante a quarentena.

Tomar vitaminas e suplementos podem diminuir a chance de contágio? Essa alternativa aumenta a imunidade? E o uso de chás e outras receitas caseiras?
Remédio para melhorar imunidade é conversa. Quanto aos chás, o chá ajuda a melhorar mas porque o chá tem muita água e no caso da gripe e outras doenças respiratórias a recomendação médica é hidratar bastante.

Como podemos aumentar a nossa imunidade?
Para você ter uma boa resposta imune, é preciso ter vida saudável. Ser feliz, pois a depressão compromete a imunidade. Evitar trabalhar de forma exaustiva, evitar fazer exercícios físicos de forma exaustiva e ter cuidado com a alimentação.

Quando uma pessoa pega um vírus e desenvolve sintomas fracos da doença, o vírus que ela irá repassar para os outros seria uma versão mais fraca?
Não, o vírus é um só. O que muda é a resposta imunológica, a capacidade do organismo de deter aquela infecção e isso é genético. Por exemplo, o vírus da dengue é igual, mas eu posso ter a dengue hemorrágica e outra pessoa pode ter apenas dor e febre. O mesmo acontece com a hanseníase, tem pessoas que tem uma mancha branca, e outras perdem ponta do dedo, mas a microbactéria é o mesma. Não conseguimos prever a resposta imune.

Como fica a situação dos pacientes crônicos?
São pessoas mais frágeis, a capacidade de resposta é mais lenta em diabéticos, idosos, pacientes em tratamento de quimioterapia, recém nascidos e pacientes cardíacos. Eles são mais graves pois o tempo de produção de anticorpo é maior, existe uma lentidão de resposta. O importante é tratar da forma correta, caso apresentem um quadro infeccioso.  É preciso ter precaução com esse grupo 

Sabemos que ainda é cedo, mas a comunidade científica já fala sobre a possibilidade de uma vacina contra o coronavírus. O que senhora pensa sobre isso?
Eu sou a favor da vacina, eu recomendo tomar todos os anos a vacina da gripe. Mas o desenvolvimento de uma vacina demanda muita tecnologia e testes. Por exemplo, a vacina da AIDS nunca saiu, mas a do Ebola saiu. As coisas não são simples, mas é preciso testar para ver se a vacina irá funcionar.

Vem sendo divulgado que a taxa de mortalidade do coronavírus seria de 1.1%-1.2%? Seria um índice baixo, ou seja, podemos ficar tranquilos?
Devemos ficar tranquilos, mas é muito importante que a gente fique em alerta. Não sabemos o comportamento desse vírus fora da China, começamos a ver casos fora da China como aquele navio japonês que foi isolado. Mas precisamos entender melhor como esse vírus funciona e se manter em alerta, acreditando que tudo que está sendo feito está de acordo com os protocolos.

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