Centro-Oeste tem cobertura de mamografias abaixo da média nacional e diagnóstico tardio chega a 70,1% dos casos no DF

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A nova atualização do Panorama da Atenção ao Câncer de Mama revela que a região Centro-Oeste apresenta a segunda menor taxa de cobertura de mamografias do Brasil para a população-alvo, que compreende mulheres de 50 a 69 anos. O patamar alcançado foi de apenas 13,5% em 2025, muito abaixo do mínimo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de 70%, e da média nacional, de 22,1%. A região com pior resultado nacional foi a Norte, com 10,6%.

A plataforma, atualizada anualmente com fontes de dados públicos, é resultado de parceria entre o Instituto Natura e a Avon com o Observatório da Oncologia do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC) e o Instituto Protea. Os dados de 2025 mostram que o Distrito Federal apresentou a pior cobertura mamográfica do Centro-Oeste, com 9,9%, o que pode tê-lo levado a registrar também a maior proporção de diagnósticos tardios do país nos últimos dez anos, com 70,1% dos tumores detectados já em estágios avançados (estádios 3 e 4).

O Mato Grosso apresentou a segunda pior cobertura mamográfica da região (10,8%), seguido por Goiás (14,3%). Mesmo Mato Grosso do Sul, que obteve o maior índice da região, com 18,8%, ficou abaixo da média nacional.

“Nós temos um país já com média muito baixa de cobertura mamográfica e regiões ainda mais prejudicadas, como é o caso do Centro-Oeste, que tem quase metade da média nacional. Isso deixa claro que não basta garantir que a mamografia esteja prevista legalmente: é preciso assegurar que ela chegue às mulheres no território em que precisam”, diz Mariana Lorencinho, gerente de Políticas Públicas pelo Cuidado com a Saúde das Mamas no Instituto Natura.

Aumento de diagnósticos em fase avançada

Analisando a série histórica de 2015 a 2025, todos os estados do Centro-Oeste superaram a marca de 50% de tumores detectados já nas fases 3 ou 4 da doença:

  • Distrito Federal (DF): 70,1% dos diagnósticos foram tardios (a maior taxa do país na série histórica);

  • Goiás (GO): 68,0% de diagnósticos tardios;

  • Mato Grosso (MT): 54,9% de diagnósticos tardios;

  • Mato Grosso do Sul (MS): 54,4% dos diagnósticos foram tardios.

Contexto nacional e a importância do monitoramento

O levantamento nacional mostra que 51% de todos os casos de câncer de mama registrados entre 2015 e 2025 no Brasil foram diagnosticados em estágios avançados da doença. Além disso, a taxa nacional de cobertura mamográfica para a população-alvo sofreu uma diminuição no último ano, passando de 22,8% em 2024 para apenas 22,1% em 2025.

Neste ano, a análise do Panorama deixou de utilizar a Base RHC (Registro Hospitalar de Câncer), considerada defasada, e passou a utilizar os dados do Painel de Oncologia do INCA, mudança de metodologia que revelou um cenário ainda mais desafiador do que o estimado anteriormente.

“Esta atualização representa um avanço importante para o monitoramento do câncer de mama no Brasil. Com dados mais recentes do Painel de Oncologia do INCA, conseguimos compreender com maior precisão a jornada das pacientes, identificar gargalos e desigualdades e produzir evidências que contribuam para políticas públicas mais efetivas”, comenta Dra. Catherine Moura, CEO da Abrale e líder do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer.

Mulheres mais jovens também são afetadas

Outro dado alarmante recai sobre as mulheres mais jovens, justamente as que estão fora da idade de rastreamento ativo recomendada pelo Ministério da Saúde (50 a 69 anos). Segundo o Panorama, 68,3% das pacientes entre 20 e 29 anos recebem o diagnóstico já nos estágios três ou quatro da doença; entre as de 30 e 39 anos, foram 61,9%; e na faixa de 40 a 49 anos, 53,7%. Dentro da faixa etária alvo do exame, 47,6% foram diagnosticadas tardiamente.

O impacto das falhas no rastreamento reflete-se no aumento de óbitos. Entre 2015 e 2025, o Brasil registrou 203.785 mortes por câncer de mama, sendo 21.668 apenas em 2025, o maior número registrado na série histórica.

“É inaceitável que quase metade das mulheres na faixa etária alvo do rastreamento ainda receba o diagnóstico de câncer de mama em estágios avançados, enquanto o país registra aumento da mortalidade pela doença. Esse resultado reforça a necessidade de qualificar a linha de cuidado, com uma rede capaz de assegurar acesso oportuno, redução de desigualdades, integração entre os serviços e continuidade da assistência”, afirma Nira Cará, diretora-executiva do Instituto Protea.