Projeto Viagem Capixaba reúne em site produções de estudantes da rede pública no Espírito Santo

Foto: Vagner Rezende

Plataforma apresenta podcasts, músicas, fotografias e histórias em quadrinhos produzidos por jovens de escolas próximas à Estrada de Ferro Vitória a Minas

O Projeto Viagem Capixaba lançou um site que reúne produções criativas desenvolvidas por estudantes de escolas públicas de Cariacica, município do  Espírito Santo localizadas próximas à Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM).

Disponível desde 19 de outubro, a plataforma apresenta os resultados das oficinas de podcast, composição musical, fotografia e roteiro e criação de personagens para histórias em quadrinhos (HQs) realizadas durante o primeiro ano do projeto.

O conteúdo pode ser acessado pelo endereço www.projetoviagemcapixaba.com.br.

A iniciativa é da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), viabilizada por meio dos Recursos para Preservação da Memória Ferroviária (RPMF). A realização é do Instituto Com.Chá, em articulação e parceria com a Vale.

Oficinas transformam memória e cotidiano em produções culturais

Cada oficina tem 20 horas de duração, distribuídas em cinco dias de atividades. Durante esse período, os estudantes participam de experiências práticas e criações coletivas relacionadas a temas como memória, comunidade e segurança ferroviária.

As músicas, fotografias, histórias em quadrinhos e episódios de podcast produzidos ao longo do primeiro ciclo apresentam diferentes olhares dos jovens sobre os territórios onde vivem.

Nas oficinas de podcast, os participantes trabalham com produção em áudio, captam paisagens sonoras, realizam entrevistas e transformam histórias do entorno da ferrovia em episódios.

Segundo a jornalista e oficineira Aline Dias, a escuta dos estudantes é parte central da metodologia.

“A escuta e o acolhimento são os principais métodos para engajar os alunos nas atividades. Eles sempre têm histórias para contar e o nosso papel é estimular a criatividade deles”, afirma.

Alunos transformam experiências em músicas autorais

Nas oficinas de composição musical, os estudantes experimentam diferentes sonoridades, produzem letras coletivamente e gravam canções autorais inspiradas nas próprias vivências.

De acordo com o músico e oficineiro Uncle Wender, gêneros como rap, trap, funk, pagode, forró e k-pop aparecem entre as referências dos participantes.

“Os alunos refletem muito seu cotidiano, trazendo ritmos que já fazem parte de seu gosto e que são muito comuns em espaços periféricos”, explica.

Entre as produções destacadas estão “O Trem Vai Avançando”, composta por estudantes da EFMTI Presidente Castelo Branco; “Paisagem do Trem”, da EMEF Martim Lutero; e “Memórias da Ferrovia”, do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes-Cariacica).

“A possibilidade de eles verem e sentirem suas vozes gravadas, escutarem a produção do instrumental com suas demandas e opiniões, são a cereja do bolo para o resultado positivo que estamos alcançando”, afirma Uncle Wender.

Fotografia registra paisagens e comunidades próximas à ferrovia

Nas oficinas de fotografia, os estudantes investigaram a relação entre a comunidade e os trilhos por meio de atividades práticas.

Os ensaios coletivos registraram arquitetura, paisagens urbanas e relações humanas nos territórios próximos à ferrovia.

A fotógrafa e oficineira Ana Luzes destaca que o contato rápido entre teoria e prática ajudou no processo de aprendizagem.

“Eles aprendiam a parte teórica e logo seguíamos para o campo. Isso não só os ajudava a desenvolver o olhar, mas também a se acostumar com o equipamento fotográfico”, afirma.

Registros produzidos por estudantes da EMEF Terfina Rocha Ferreira, EMEF Martim Lutero, EMEF Padre Gabriel e Ifes-Campus Cariacica estão disponíveis no site.

“Cada uma com suas perspectivas visuais marcantes, não só pela localidade, mas também pela forma de enxergar o mundo dos próprios alunos. Além de ensinar, aprendi muito com cada troca”, acrescenta Ana.

HQs misturam segurança ferroviária e imaginação

Nas oficinas de Roteiro e Criação de Personagens para HQs, os participantes desenvolveram personagens inspirados em suas comunidades e produziram tirinhas e histórias em quadrinhos nos formatos impresso e digital.

Segundo o cartunista Arabson de Assis, um dos facilitadores das oficinas, o interesse dos jovens pela narrativa se destacou mesmo em uma geração fortemente ligada ao ambiente digital.

“Muitas tiras foram produzidas. Algumas estão animadas no Instagram do projeto e outras no site. Entre muitas divertidas, cito a de uma bota que se transforma em um trem, com o título: TrensFormers. Outras tiras mostram trens que viajam até ao espaço, trens fantasmas… Um imaginário lúdico que os coloca em contato com a proposta do projeto”, relata.

Projeto terá duração de quatro anos

O Projeto Viagem Capixaba tem como pilares a promoção da memória e da segurança ferroviária de forma lúdica, o estímulo ao sentimento de pertencimento dos jovens e o resgate da história da Estrada de Ferro Vitória a Minas, que conecta cidades e comunidades desde 1904.

Com duração prevista de quatro anos, em ciclos anuais, a iniciativa também promove viagens culturais de trem no trecho entre Cariacica e Serra e prevê a construção de um acervo imaterial a partir das produções dos estudantes.

Para Carolina Castilholi, coordenadora do Instituto Com.Chá, o primeiro ciclo também serviu para aprofundar o conhecimento sobre as comunidades atendidas.

“Antes de mais nada, foi um período de imersão na realidade das comunidades abrangidas pelo projeto e de amadurecimento do nosso planejamento e metodologias a fim de potencializar o impacto positivo do projeto sobre o seu público-alvo”, afirma.

 

Serviço

Site do Projeto Viagem Capixaba

Disponível desde: 19 de outubro
Conteúdo: fotografias, episódios de podcast, histórias em quadrinhos e gravações de composições musicais produzidas por estudantes da rede pública de Cariacica
Acesso: www.projetoviagemcapixaba.com.br
Instagram: @projeto_viagemcapixaba