Formação gratuita impulsiona presença de pessoas negras no setor de tecnologia

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Foto: Divulgação

60 mil pessoas já foram formadas por iniciativa do MOVER e Movimento Black Money

Para impulsionar a equidade racial em tecnologia, um dos setores que mais cresce no país, o Movimento pela Equidade Racial (MOVER) e o Movimento Black Money oferecem 10 mil vagas afirmativas para o programa Afreektech, voltado a formação em Marketing Digital, Inteligência Artificial, Programação, Vendas e Ciência de Dados, com foco em empregabilidade, empreendedorismo digital e inovação. As pessoas interessadas podem se inscrever clicando aqui.

Dados do último Diagnóstico Comportamental de Profissionais de TI mostram que apenas 4% dos profissionais do setor de Tecnologia da Informação são negros. As mulheres também são minoria neste setor, ocupando apenas 12% dos cargos, o que traz ainda mais obstáculos para as mulheres negras.

Desde o lançamento do programa, 60 mil pessoas negras foram formadas. Uma delas é Quéren Hapuque de Oliveira, de 33 anos, atualmente analista de Customer Service em uma empresa de tecnologia reversa, que atua nas áreas de TI e ESG. Ela se especializou em ITAD, processo de gestão do ciclo de vida de ativos de tecnologia da informação, área estratégica para a sustentabilidade e a governança tecnológica nas empresas.

Antes de ingressar no setor de tecnologia, Quéren passou pela construção civil, chegou a iniciar a graduação na FATEC e viveu por dois anos na França. Ao retornar ao Brasil, enfrentou um período desafiador de recolocação profissional, com dezenas de processos seletivos, até conquistar uma vaga bilíngue que marcou sua entrada definitiva no universo da tecnologia.

Poliglota e autodidata, Quéren desenvolveu seus conhecimentos em idiomas de forma independente, conciliando os estudos com a rotina de mãe de uma menina de seis anos. Foi nesse momento de transição profissional que conheceu o Afreektech, voltado à capacitação em tecnologia para pessoas negras.

“Foi uma virada de chave. Eu não imaginava encontrar mentores tão qualificados e, ao mesmo tempo, tão dispostos a ensinar. Estar em um ambiente com tantas pessoas negras interessadas em tecnologia foi muito marcante”, conta.

Pouco tempo depois e já atuando na empresa atual, Quéren foi promovida ao cargo de Analista Pleno, movimento que reforçou seu interesse pela área de dados. A partir dessa experiência, decidiu aprofundar seus estudos nas trilhas do Afreektech, especialmente nas formações voltadas à Ciência de Dados.

O contato com mentores da iniciativa também contribuiu para direcionar seus próximos passos acadêmicos. Recentemente, foi aprovada no curso de Ciência de Dados da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), decisão que, segundo a própria Quéren, ganhou força a partir do incentivo e da confiança construídos durante a participação no Afreektech.

Além da evolução profissional, ela também começou a desenvolver ideias para aplicar tecnologia em desafios do cotidiano. Uma das iniciativas em construção busca explorar soluções tecnológicas capazes de reduzir a sobrecarga enfrentada por muitas mães, utilizando automação e ferramentas digitais para facilitar tarefas e organização da rotina.

“A tecnologia precisa de mais mulheres. A experiência da maternidade desenvolve capacidades analíticas e de organização que podem contribuir muito para a construção de soluções mais completas”, afirma.

A trajetória de Quéren reflete o propósito do Afreektech de ampliar o acesso da população negra ao ecossistema de tecnologia, inovação e economia digital. Nina Silva, CEO do Movimento Black Money, explica que a iniciativa nasceu da percepção de que pessoas negras ainda enfrentam barreiras históricas de acesso a oportunidades sociais, econômicas e profissionais, especialmente no setor de tecnologia, que ainda é pouco diverso.

“Ampliar a presença de mulheres negras na tecnologia é fundamental para tornar esse setor mais inovador e representativo. Ainda existem muitas barreiras de acesso à formação, às redes de relacionamento e às oportunidades profissionais. Iniciativas como o Afreektech ajudam a romper esse ciclo ao criar ambientes de aprendizagem, pertencimento e desenvolvimento para novos talentos. Quando a tecnologia é construída por pessoas diversas, ampliamos a capacidade de inovar e de desenvolver soluções mais responsáveis e conectadas com as necessidades da sociedade“, afirma.

10 mil vagas em tecnologia

O Afreektech é uma plataforma gratuita de capacitação em tecnologia voltada exclusivamente para pessoas negras. Neste novo ciclo, o programa disponibiliza 10 mil vagas. O programa reúne capacitação prática, orientação profissional, certificações e acesso a uma comunidade de apoio, ampliando as oportunidades de inserção e permanência no ecossistema de tecnologia.

“A parceria com o Movimento Black Money reforça nosso compromisso de ampliar o acesso de pessoas negras à formação e às oportunidades no mercado de tecnologia. Oferecer ferramentas para que profissionais como a Quéren desenvolvam novas competências e ampliem suas possibilidades de carreira é parte importante da atuação do MOVER. Queremos contribuir para que mais talentos negros estejam preparados para acessar oportunidades, empreender e crescer profissionalmente, avançando em nossa meta de gerar 3 milhões de oportunidades até 2030”, destaca Fernando Soares, gerente de Projetos, Operações e Dados do MOVER.

“O Afreektech é muito mais do que uma iniciativa; é uma plataforma que nasce da força do Movimento Black Money para abrir portas e transformar a realidade da população na tecnologia. Desde o início, o Afreektech tem sido o ponto de virada para talentos negros que enxergam na tecnologia a oportunidade de mudar suas trajetórias de vida e carreira”, afirmaNina Silva, CEO do Movimento Black Money.

Além dos cursos, os participantes terão acesso a mentorias, planejamento de carreira, banco exclusivo de vagas do MOVER e do MBM e a uma formação alinhada às demandas de empresas parceiras. A jornada formativa inclui ainda o desenvolvimento de competências essenciais em inovação e liderança, seis meses de curso gratuito de inglês, participação em hackathons exclusivos (InovaHack) e o uso do NinaVerso, assistente de inteligência artificial disponível 24 horas por dia para tirar dúvidas e oferecer feedback personalizado.