
Os resultados do PISA 2025 mostram que o Brasil reduziu, no longo prazo, a distância para a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No entanto, a aproximação não ocorreu apenas pelo avanço brasileiro: parte importante veio da queda no desempenho dos países desenvolvidos.
Desde 2006, a diferença caiu 44 pontos em Leitura, mas apenas 15 correspondem à melhora do Brasil, enquanto 29 vieram do recuo da OCDE. Em Matemática, o contraste é ainda maior: dos 39 pontos de aproximação, sete são resultado do avanço brasileiro e 32 da queda da média da organização. Em Ciências, o Brasil avançou 19 pontos, enquanto a OCDE recuou 17.
“Os dados mostram uma melhora do Brasil no longo prazo, principalmente em Ciências e Leitura, mas é preciso interpretar essa aproximação com cautela. Estar mais perto da média da OCDE não significa que avançamos na mesma proporção, porque parte dessa diferença foi reduzida pela piora dos demais países”, explica Gabriel Serpa, diretor de Inovação e Tecnologia do Poliedro Educação.
No curto prazo, o cenário é de estabilidade. Entre 2022 e 2025, o Brasil recuou dois pontos em Leitura e Matemática e avançou seis em Ciências, diferenças que não representam mudanças estatisticamente significativas. Na edição mais recente, o país alcançou 408 pontos em Leitura, 377 em Matemática e 409 em Ciências, ainda abaixo das médias da OCDE.
Para Serpa, os números evidenciam desafios que vão além da média nacional, como a concentração de estudantes nos níveis mais baixos de proficiência e a desigualdade socioeconômica. Em Ciências, por exemplo, a diferença entre os 25% mais favorecidos e os 25% mais vulneráveis chega a 96 pontos.
“Temos um país que avançou quando observamos uma janela mais longa, mas que não conseguiu manter um ritmo consistente de evolução. O desafio agora é transformar essa estabilidade em avanço efetivo e, principalmente, fazer com que ele alcance estudantes de diferentes realidades socioeconômicas”, afirma.
O PISA também revela mudanças na forma como os jovens estudam e se relacionam com a informação. Entre 2018 e 2025, houve um aumento de aproximadamente 58% na ocorrência da chamada “leitura apressada”, marcada pela rapidez e imprecisão. No Brasil, 48% dos estudantes afirmaram utilizar ferramentas de inteligência artificial semanalmente ou mais para estudar.
“O acesso à informação e à tecnologia aumentou, mas isso não garante aprendizagem. A escola precisa ajudar o estudante a sustentar a atenção, ler com profundidade, avaliar informações e construir raciocínios. A tecnologia deve ampliar o pensamento, e não o substituir”, conclui Serpa.
Essa abordagem também orienta a Bússola, avaliação do Poliedro inspirada no PISA. Além de Leitura, Matemática e Ciências, a iniciativa avalia a capacidade dos estudantes de aplicar conhecimentos na resolução de problemas, interpretar informações e analisar situações complexas, gerando diagnósticos que ajudam as escolas a identificar lacunas de aprendizagem.
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