Brasília recebe pela primeira vez o Campeonato Paulista de Automobilismo

Foto: Larissa Leite

Pela primeira vez na história do Autódromo Nelson Piquet, a pista recebeu as diversas categorias que compõem o Campeonato Paulista de Automobilismo, organizado pela Federação de Automobilismo de São Paulo (FASP), em parceria com a Interlagos Sport Marketing. O evento, que já passou por outros circuitos além de Interlagos, em São Paulo, promete retornar à cidade ainda em 2026.

Após a reforma e reinauguração do circuito, os fãs perderam as emoções de acompanhar corridas no anel externo, mas ganharam novos sentimentos ao poder ver os pilotos mostrando talento para contornar as curvas do traçado completo que ultrapassa a marca dos cinco quilômetros.

Fórmula 1600, AMG Cup, HB20 Comfort, Marcas e Pilotos, GT Series Cup e a elegância dos Old Stock invadiram a pista e tiveram o desafio de lidar com o tempo. As fortes chuvas se intercalaram com o calor e haja braço para segurar o carro e buscar as melhores colocações.

Carros lado a lado, rodadas, batidas, teve de tudo nas 12 corridas realizadas no fim de semana. Houve até prova cancelada. Na HB20 Comfort, por conta da chuva, as voltas foram realizadas com o safety car. Com tantas provas, a festa no pódio parecia não ter fim e teve piloto que voltou para casa com “excesso de bagagem” com vários troféus na mala.

Fala da organização

Entre uma corrida e outra, Thiago Pereira, produtor da etapa de Brasília do Campeonato Paulista de Automobilismo, se mostrava muito feliz em estar na capital pela primeira vez para a realização de mais uma etapa, contudo, não foi fácil. “Foi um desafio muito grande, por conta da distância e por termos trazido 150 carros. Trouxemos para Brasília sete categorias, mas é muito gratificante”, disse.

Para quem pode ter achado estranho o Campeonato Paulista na capital, Pereira explica que não foi a primeira vez que o evento andou por outros autódromos. “Temos 90% das etapas realizadas em Interlagos, e devido aos shows ou a Fórmula 1, a gente leva o campeonato a outras cidades. Já levamos para Goiânia e Cascavel”, lembrou.

Uma pausa para lembrar que nesse fim de semana dos dias 21 e 22, Interlagos deixou a velocidade de lado para receber o Lollapalooza, que chegou a receber um público de mais de 100 mil pessoas.

Sobre o que os pilotos falaram sobre a nova pista, Thiago Pereira pontuou que “a pista está excelente, é uma das maiores pistas do Brasil em termos de extensão”. Contudo, não dava para deixar de sinalizar os problemas também e o produtor acrescentou: “Ainda falta um pouco de estrutura na parte dos boxes, como energia, os banheiros, mas o mais importante é a pista. A gente tem uma vitória muito grande que não é só para Brasília, mas para o automobilismo brasileiro em poder contar com mais um autódromo”.

E como prova de que o Campeonato Paulista de Automobilismo gostou de rodar em Brasília é a revelação que Pereira fez: existe a chance da cidade receber mais uma etapa ainda em 2026.  

O autódromo está realmente reaberto?

De 2006 até 2014, não houve uma coletiva sem a pergunta sobre o asfalto abrasivo do circuito. Sem reformas desde os anos 1970, a pista resistia e quem sofria eram os pilotos para manter os carros nas melhores condições e isso era até um diferencial entre ser um vencedor ou o segundo colocado em Brasília.

Reaberto depois de praticamente dez anos fechado, o Autódromo Nelson Piquet ganhou a alcunha do patrocinador e um asfalto novinho em folha. De fato, a pista se tornou um grande tapete, as áreas de escape estão bem instaladas, as barreiras de pneus, tudo para que as provas sejam seguras e possam oferecer o máximo de adrenalina para quem assiste e para quem está atrás do volante. Mas tem um outro lado.

É preciso falar da falta de estrutura para pilotos, torcedores, imprensa e outros trabalhadores envolvidos no show. Parece estranho, contudo, o circuito foi inaugurado sem a construção de banheiros, boxes, torres de controle e os paddocks.

Tendas fazem o papel dos boxes, banheiros químicos se tornam necessários e sala de imprensa? Não teve.

Na área dos boxes é possível ver o início de uma construção, do que se pode imaginar sem muito esforço ser espaço para equipes (boxes) e para patrocinadores e público (paddocks). A partir de agora é torcer para que a estrutura se torne completa em breve, para que o autódromo ofereça uma experiência diferenciada para todos os os envolvidos no universo do esporte motor.