
Queda no tempo de permanência no emprego e avanço das contratações comprovam mercado mais aquecido, porém mais volátil, aponta estudo da FecomercioSP
A escassez de mão de obra no setor de Serviços tem se agravado em meio ao aquecimento do mercado de trabalho, elevando a dificuldade de retenção de profissionais. O setor abrange 57% dos empregos formais no País e responde por cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB), o que amplia os impactos da falta de trabalhadores sobre a atividade econômica. Ao mesmo tempo, indicadores revelam vínculos mais curtos e aumento da rotatividade, mesmo diante do crescimento expressivo das contratações.
Estudo do Conselho de Serviços da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) mostra que um dos principais sinais desse quadro é a queda no Tempo Médio de Permanência no emprego (TMP). Entre fevereiro de 2021 e fevereiro de 2026, o indicador recuou 6,8 meses no Brasil, uma redução de 27%, e 6,3 meses em São Paulo, queda de 27,2%. Esses números evidenciam relações de trabalho mais breves e maior dificuldade das empresas para manter seus quadros.
Apesar disso, o volume de admissões avançou cerca de 80% no período analisado, indicando um mercado aquecido, porém mais instável. Na prática, as empresas estão contratando mais, mas enfrentam maiores dificuldades para reter trabalhadores. Esse cenário eleva custos operacionais, exige investimentos contínuos em treinamento e afeta a produtividade.
Segundo o presidente do Conselho de Serviços da FecomercioSP, Marcelo Braga, o momento exige uma mudança de foco por parte dos empresários. Ele afirma que, hoje, mais do que contratar, o empresário precisa pensar em como reter, pois o mercado está mais dinâmico e o profissional circula mais.
Mais mobilidade e mudança no perfil da força laboral
De acordo com o estudo, no Brasil, a redução no tempo de permanência nas empresas foi generalizada entre diferentes faixas etárias, mas mais intensa entre trabalhadores de 50 a 64 anos. Esse grupo apresentou as maiores quedas em termos absolutos e relativos. O movimento reflete maior mobilidade no mercado, especialmente entre profissionais mais experientes, que encontram mais oportunidades e passam a trocar de emprego com mais frequência.
Outro aspecto observado é a mudança no perfil das contratações, com aumento da participação relativa de trabalhadores mais velhos. Esse comportamento ocorre em paralelo ao crescimento das admissões e sugere uma reconfiguração da força laboral, com maior valorização da experiência.
Setores mais pressionados pela escassez
Na análise por atividade, alguns segmentos se destacam pelo ritmo de expansão das contratações em São Paulo. Alojamento e alimentação lideram, com alta de 159,4%, seguidos por outros serviços (112,8%) e transporte e armazenagem (81,9%). Esses setores, tradicionalmente mais intensivos em mão de obra e com maior rotatividade, tendem a sentir de forma mais acentuada os efeitos da escassez.
Segundo Braga, compreender essas dinâmicas é fundamental para decisões mais estratégicas. Ele destaca que o empresário deve considerar não apenas o número de vagas abertas, mas também fatores como rotatividade, perfil dos profissionais e características de cada segmento.
Dentre os fatores que ajudam a explicar o cenário, destacam se a normalização das atividades após a pandemia, a maior mobilidade entre trabalhadores e a recomposição dos quadros em setores presenciais. O resultado é um mercado de trabalho mais aquecido, porém mais volátil, no qual o desafio vai além da contratação e passa, cada vez mais, pela capacidade de retenção e pela estabilidade das equipes.




















