
No Mês da Mulher, uma queixa se torna frequente nos consultórios médicos: a dor no joelho. Estudos mostram que as mulheres apresentam maior incidência de problemas nessa articulação em comparação aos homens, especialmente quadros como condromalácia patelar, dor femoropatelar e lesões do ligamento cruzado anterior (LCA). A explicação para essa maior vulnerabilidade começa na própria anatomia feminina.
O ortopedista Sérgio Costa explica que as mulheres possuem o quadril naturalmente mais largo, o que aumenta o ângulo entre o quadril e o joelho, conhecido como ângulo Q. Esse desalinhamento anatômico gera uma sobrecarga maior na parte da frente do joelho, favorecendo o aparecimento de dores e o desgaste da cartilagem. Essa sobrecarga repetitiva pode levar à condromalácia patelar, que é um amolecimento e desgaste da cartilagem localizada atrás da patela, condição bastante frequente entre mulheres jovens e fisicamente ativas.
Além da anatomia, os hormônios também desempenham um papel importante. A maior frouxidão ligamentar feminina, influenciada por variações hormonais ao longo do ciclo menstrual, pode deixar a articulação menos estável. Isso aumenta o risco de entorses e rupturas, como a do LCA, uma lesão comum na prática esportiva.
O uso frequente de salto alto também merece atenção. Ao projetar o corpo para frente, o salto altera o centro de gravidade e aumenta a pressão sobre a região anterior do joelho. O uso contínuo pode intensificar dores já existentes e favorecer processos inflamatórios na articulação. Isso não significa abolir o salto do guarda roupa, mas alternar alturas, limitar o tempo de uso e fortalecer a musculatura pode fazer toda a diferença.
Se por um lado o excesso de impacto pode prejudicar a articulação, a falta de movimento também é um problema. A musculatura do quadríceps, dos glúteos e do core é fundamental para estabilizar o joelho. Quando esses músculos estão enfraquecidos, a articulação absorve sozinha o impacto das atividades diárias. O fortalecimento muscular é apontado como a principal estratégia de prevenção. Exercícios orientados, com foco em equilíbrio e estabilidade, reduzem significativamente o risco de dor e lesões.
O ortopedista reforça que sintomas como dor persistente, estalos frequentes, inchaço ou sensação de que o joelho “falha” não devem ser ignorados. O diagnóstico precoce evita a progressão das lesões e permite um tratamento adequado, que pode incluir fisioterapia, ajuste de treino e, em casos específicos, medicação.




















