Pesquisa revela sobrecarga emocional entre empreendedores sociais no Brasil

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Um estudo inédito do Instituto Legado investigou as dimensões internas de lideranças do empreendedorismo social no Brasil e no exterior. A pesquisa DNA do Empreendedorismo Social ouviu 67 participantes e revelou um cenário marcado por forte propósito, mas também por sobrecarga emocional, solidão e falta de suporte psicológico.

Principais achados:

  1. Origem do propósito: Para 70% dos entrevistados, o propósito nasce de uma ampliação da consciência sobre problemas sociais; 28,8% foram motivados por vivências de dor pessoal e 25,8% por sentimentos de solidariedade.

  2. Custo emocional elevado: Apesar de relatarem sentimentos positivos como esperança (57%) e motivação (52%), os líderes também enfrentam cansaço (55%), ansiedade (51%), angústia (43%), solidão (37%) e insegurança (33%). A nota média para o bem-estar pessoal foi 7,2, mas cai para 6,4 quando avaliado o ambiente de trabalho.

  3. Falta de apoio estruturado: Apenas 22% dos participantes têm acompanhamento psicológico regular. A maioria recorre a práticas individuais, como meditação e espiritualidade, e relata a ausência de espaços coletivos de escuta e cuidado.

  4. Visão sistêmica e inovação: A maior parte das lideranças (66%) atua com uma visão holocêntrica, considerando o impacto em todas as formas de vida. A inovação, para 62,7%, está mais na mudança de percepção sobre os problemas do que em soluções puramente tecnológicas.

  5. Demanda por suporte emocional: Os participantes expressaram clara necessidade de mais recursos para cuidar da saúde mental, incluindo terapias, mentorias, grupos de escuta e reorganização das rotinas de trabalho.

“O impacto não é sustentável se as pessoas que o promovem estão adoecendo ou se sentindo sozinhas”, alerta James Marins, presidente do Instituto Legado.

Programa de apoio: Com base nos resultados, o Instituto Legado criou o Programa Legado Interior, focado no fortalecimento das lideranças por meio do desenvolvimento humano e do bem-estar organizacional. A iniciativa combina encontros online, imersões presenciais, mentorias e apoio psicoterapêutico.

A pesquisa destaca a necessidade urgente de o ecossistema de impacto social olhar não apenas para os resultados externos dos projetos, mas também para a saúde e a sustentabilidade emocional de quem os conduz.