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Saidinha do Dia dos Pais: DF reforça fiscalização de presos mas população deve redobrar cuidados

Equipes encarregadas das investigações farão visitas aos endereços informados pelos custodiados | Foto: Divulgação

Quinta saída temporária de 2026 libera 1.520 custodiados no Distrito Federal; operação prevê cerca de 2,5 mil fiscalizações até segunda-feira

A quinta saída temporária de custodiados em 2026 começou nesta quinta-feira (6) no Distrito Federal e seguirá até a próxima segunda-feira (10), período que coincide com o fim de semana do Dia dos Pais. Ao todo, 1.520 reeducandos — sendo 58 mulheres — foram autorizados a deixar as unidades prisionais, conforme a Portaria nº 02/2026 da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal (VEP-DF).

Durante o período, a Secretaria de Administração Penitenciária do DF coordena uma operação de fiscalização em diversas regiões administrativas. A previsão é de cerca de 2,5 mil fiscalizações, com visitas aos endereços informados pelos custodiados para verificar se as regras judiciais estão sendo cumpridas.

Popularmente conhecida como “saidinha”, a saída temporária é um benefício previsto na Lei de Execução Penal para pessoas que cumprem pena em regime semiaberto e atendem a requisitos legais e judiciais. A medida, no entanto, permanece no centro do debate público por envolver dois temas sensíveis: a ressocialização de presos e a segurança da população.

Como será a fiscalização no DF

Segundo a operação anunciada no Distrito Federal, equipes encarregadas das investigações farão visitas aos endereços informados pelos custodiados. As fiscalizações serão registradas em sistema informatizado e comunicadas à Vara de Execuções Penais.

Caso o beneficiado não seja localizado no endereço nos horários em que deveria permanecer em casa, a ocorrência será registrada e encaminhada ao Poder Judiciário. O descumprimento das condições pode levar à suspensão do benefício por até três meses, além de outras medidas previstas na legislação e na portaria da VEP-DF.

O não retorno à unidade prisional na data e no horário determinados faz com que o custodiado passe a ser considerado foragido da Justiça, sujeito à regressão de regime e às demais consequências legais.

A população pode colaborar com denúncias anônimas sobre descumprimento das regras ou sobre custodiados que não retornarem ao sistema prisional. No DF, o canal informado é o telefone/WhatsApp da Polícia Penal: (61) 99666-6000.

O que é a saída temporária e o que mudou na lei

A saída temporária foi criada dentro da lógica de execução progressiva da pena, prevista na Lei de Execução Penal, de 1984. O objetivo original era permitir, em hipóteses específicas, que pessoas em regime semiaberto tivessem contato gradual com atividades externas e com o convívio social.

Em 2024, a Lei nº 14.843, conhecida como Lei Sargento PM Dias, restringiu o benefício. A norma alterou a Lei de Execução Penal, revogando hipóteses antes previstas para visita à família e participação em atividades voltadas ao retorno ao convívio social. A legislação manteve a possibilidade de saída temporária para frequência a curso supletivo profissionalizante, ensino médio ou superior, na comarca do juízo da execução.

A nova lei também passou a impedir a saída temporária e o trabalho externo sem vigilância direta para condenados por crime hediondo ou cometido com violência ou grave ameaça contra pessoa.

No Distrito Federal, a VEP-DF divulgou calendário de saídas temporárias para 2026. A quinta saída, de 6 a 10 de agosto, foi definida dentro do calendário anual, que considera datas de relevante cunho social e familiar, como Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia das Crianças e Natal.

Quantos presos não retornam após o benefício?

Os índices de não retorno variam conforme o estado, o período de saída e o perfil dos beneficiados. No caso da saída temporária do Dia dos Pais no DF, o percentual de não retorno só poderá ser calculado após o fim do prazo de reapresentação, na segunda-feira (10).

Em saídas recentes, os dados públicos mostram percentuais diferentes entre os estados. No Distrito Federal, balanço divulgado após a primeira saída temporária de 2026 apontou que 16 dos 1.555 detentos beneficiados não retornaram às unidades prisionais no prazo estipulado, índice de aproximadamente 1%.

Em São Paulo, a primeira saída temporária de 2026 ocorreu entre 17 e 23 de março e beneficiou 28,7 mil pessoas do regime semiaberto. Segundo balanço divulgado pela Secretaria da Segurança Pública, a Polícia Militar recapturou 794 detentos durante o período, o equivalente a cerca de 2,8% dos beneficiados. Do total, 770 foram reconduzidos por violação das medidas impostas pela Justiça, e outros 24 foram presos em flagrante por crimes como homicídio, estupro, tráfico de drogas e roubo.

No Rio de Janeiro, levantamento referente à saída temporária do Dia das Mães de 2026 mostrou taxa mais alta de evasão. Dos 1.560 presos beneficiados com a Visita Periódica à Família, 117 não retornaram ao sistema prisional, o que corresponde a 7,5% do total, segundo informações atribuídas à Secretaria de Estado de Polícia Penal.

No Espírito Santo, dado recente divulgado com base na Secretaria de Estado da Justiça aponta que aproximadamente 30 presos não retornaram após a saída temporária de Natal, entre 2.047 beneficiados. O índice informado foi de 1,5%.

Comparativo de não retorno e recapturas

Estado Período informado Beneficiados Não retorno / recaptura Percentual aproximado
Distrito Federal 1ª saída temporária de 2026 1.555 16 não retornaram 1%
São Paulo 1ª saída temporária de 2026, em março 28,7 mil 794 recapturados durante o período 2,8%
Rio de Janeiro Dia das Mães de 2026 1.560 117 não retornaram 7,5%
Espírito Santo Natal de 2025 2.047 cerca de 30 não retornaram 1,5%

Os números não são plenamente comparáveis entre si, porque alguns tratam de não retorno após o prazo final e outros de recapturas feitas durante o período do benefício. Ainda assim, ajudam a dimensionar a fiscalização e os riscos de evasão em diferentes estados.

Há aumento de furtos durante a saidinha?

A relação entre saída temporária e aumento de furtos exige cuidado. Não foi localizada uma série oficial pública, padronizada e comparável para DF, ES, RJ e SP que comprove, de forma direta, aumento automático de furtos em todos os períodos de saída temporária.

O que há são registros de recapturas, descumprimento de regras, prisões em flagrante e alertas operacionais das forças de segurança durante períodos de maior circulação. Em São Paulo, por exemplo, o governo estadual informou prisões em flagrante durante a saída de março de 2026 por crimes que incluíram roubo, além de outras ocorrências graves.

Isso significa que há risco real de descumprimento de regras e necessidade de reforço de fiscalização, mas não permite afirmar, sem base estatística consolidada, que todo período de saidinha provoque aumento geral de furtos. Para a população, a orientação mais segura é reforçar cuidados preventivos no fim de semana, especialmente em áreas comerciais, estacionamentos, eventos, transporte por aplicativo, residências vazias e locais de grande circulação.

Cuidados que a população deve tomar

Durante feriados, fins de semana prolongados e períodos de maior movimentação nas ruas, a orientação das forças de segurança é evitar exposição desnecessária a situações de risco. As recomendações valem para o período da saída temporária e para qualquer momento de maior circulação.

Entre os principais cuidados estão:

Também é recomendável cadastrar o aparelho no programa Celular Seguro, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que permite emitir alerta em caso de roubo, furto ou perda do celular, facilitando bloqueios junto a parceiros do programa.

Em situação de emergência, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar pelo 190. No Distrito Federal, informações sobre custodiados que estejam descumprindo regras da saída temporária também podem ser repassadas, de forma anônima, à Polícia Penal pelo telefone/WhatsApp (61) 99666-6000.

Debate entre ressocialização e segurança pública

A saída temporária permanece como um dos temas mais controversos da execução penal no Brasil. Defensores da medida afirmam que o benefício é instrumento de ressocialização e permite acompanhar o comportamento de pessoas que já estão no regime semiaberto, preparando o retorno gradual ao convívio social.

Críticos argumentam que a saída expõe a população a riscos, especialmente quando há evasões, descumprimento de regras ou prática de novos crimes durante o período. A mudança legislativa de 2024 refletiu justamente essa pressão social por restrições mais rígidas.

No caso do Distrito Federal, a operação anunciada para o Dia dos Pais tenta responder a esse ponto sensível: manter a execução do benefício nos casos autorizados pela Justiça, mas ampliar a fiscalização para reduzir evasões, coibir violações e dar resposta rápida em caso de descumprimento

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