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Presidenciáveis abrem campanha em redutos eleitorais com disputa por segurança, economia e programas sociais

Arte ctxt com fotos de divulgação dos candidatos.

Lula iniciou a agenda no ABC Paulista; Flávio Bolsonaro foi a Copacabana; Renan Santos, que aparece em terceiro em levantamento Palver, lançou campanha no Largo São Francisco

A campanha presidencial de 2026 começou oficialmente neste domingo (16), primeiro dia autorizado pela Justiça Eleitoral para propaganda nas ruas e na internet. Os atos de largada dos presidenciáveis foram marcados por escolhas simbólicas de território, tentativa de mobilização das bases e apresentação dos temas que devem dominar a disputa pelo Palácio do Planalto.

A ordem de apresentação dos candidatos nesta matéria considera o cenário geral das pesquisas nacionais recentes, em que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) aparecem como os dois principais nomes da disputa, e dá destaque a Renan Santos (Missão) em terceiro lugar com base no levantamento Palver, no qual o candidato aparece isolado nessa posição. Outros institutos mostram variações, com Renan empatado tecnicamente ou em posição diferente, o que reforça a necessidade de leitura cautelosa dos números.

Pelas regras eleitorais, os atos de campanha estão permitidos até 3 de outubro, véspera do primeiro turno. Os comícios podem ocorrer até 1º de outubro, entre 8h e meia-noite. A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão começa em 28 de agosto.

Lula abre campanha no ABC e aposta na comparação entre governos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou oficialmente a campanha à reeleição em São Bernardo do Campo, na Região Metropolitana de São Paulo. O ato ocorreu no Estádio da Vila Euclides, local associado à trajetória sindical do petista e às assembleias de metalúrgicos do ABC no fim da ditadura militar.

Em discurso, Lula convocou a militância a comparar as ações de seu governo com as gestões adversárias. O evento indicou que a campanha petista deve trabalhar temas como soberania nacional, programas sociais, participação das mulheres e segurança pública.

Na área de segurança, Lula defendeu propostas em andamento, como a criação de um Ministério da Segurança Pública e a aprovação de uma legislação de combate ao crime organizado, com foco nos grandes beneficiários econômicos da atividade criminosa.

O ato também reuniu lideranças do PT de diferentes estados e funcionou como palanque para candidaturas ao Legislativo.

Flávio Bolsonaro escolhe Copacabana e reforça vínculo com o bolsonarismo

Flávio Bolsonaro (PL) começou a campanha presidencial na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. A escolha do local reforça a conexão com atos bolsonaristas realizados na orla carioca nos últimos anos.

O candidato subiu ao carro de som acompanhado do vice, Alfredo Gaspar, de familiares e aliados. No discurso, apresentou-se como continuidade política do ex-presidente Jair Bolsonaro e defendeu o legado do pai.

A segurança pública foi um dos principais temas do lançamento. Flávio prometeu classificar milícias e organizações do tráfico de drogas como terroristas, defender a redução da maioridade penal, enfrentar roubos e furtos e reduzir os índices de feminicídio.

Na economia, criticou a taxa de juros e prometeu cortes de gastos e cargos públicos em um eventual governo.

Renan Santos lança campanha em São Paulo e aparece em terceiro em pesquisa Palver

Renan Santos (Missão) realizou seu primeiro ato oficial de campanha no Largo São Francisco, no centro de São Paulo, em frente à Faculdade de Direito da USP, onde iniciou sua trajetória política no movimento estudantil.

O evento contou com a presença de lideranças ligadas ao partido Missão e ao MBL, entre elas Kim Kataguiri, Arthur do Val, Amanda Vettorazzo e Aroldo Medina.

No discurso, Renan criticou o assistencialismo, falou sobre empreendedorismo, segurança pública e combate ao crime organizado. Também buscou se apresentar como alternativa aos dois principais polos da disputa.

A candidatura ganhou atenção adicional após a pesquisa Palver mostrar Renan em terceiro lugar, com 10% das intenções de voto no primeiro turno, atrás de Lula e Flávio Bolsonaro. O próprio instituto observou que a metodologia online pode favorecer candidatos com base digital mais mobilizada. Em outros levantamentos recentes, Renan aparece com desempenho menor, mas ainda competitivo no grupo que disputa espaço abaixo dos dois líderes.

Caiado percorre Goiás e tenta se consolidar como opção de oposição

Ronaldo Caiado (PSD) iniciou a campanha em Goiás, estado que governou de 2019 a março de 2026. O roteiro incluiu cidades do entorno do Distrito Federal, como Águas Lindas de Goiás, Santo Antônio do Descoberto, Novo Gama, Valparaíso, Cidade Ocidental e Luziânia.

Caiado afirmou disputar a eleição para derrotar o PT e disse que não apoiará Lula caso não avance ao segundo turno. A fala contrastou com declarações do presidente nacional do PSD e candidato a vice, Gilberto Kassab, sobre a relação de partidos do Centrão com o atual governo.

O ex-governador buscou associar sua candidatura à experiência administrativa em Goiás, destacando segurança pública, educação, saúde, equilíbrio fiscal e responsabilidade orçamentária.

Zema inicia campanha em Montes Claros com discurso anticorrupção

Romeu Zema (Novo) abriu a campanha em Montes Claros, no norte de Minas Gerais. O ex-governador participou de uma missa na Paróquia Nossa Senhora da Conceição e São José e depois esteve em almoço com candidatos do partido a deputado federal.

No discurso, Zema criticou o governo Lula, afirmou acreditar que estará no segundo turno e defendeu propostas relacionadas à segurança pública e ao combate à corrupção.

A campanha do Novo tenta associar a imagem do candidato a gestão eficiente, redução de burocracia, controle de gastos e ambiente favorável ao setor produtivo.

Augusto Cury defende saúde e escuta da população

Augusto Cury (Avante) iniciou a campanha em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O escritor e médico defendeu propostas na área da saúde e afirmou que pretende conduzir um governo baseado na escuta da população.

Cury tem buscado se apresentar como uma alternativa ao ambiente de polarização. Em sua fala, disse que o país não estaria dividido em dois barcos, de direita e esquerda, mas em um mesmo barco chamado “família brasileira”.

Hertz Dias faz caminhada em São Paulo e defende reestatizações

Hertz Dias (PSTU), professor da rede pública e ativista do movimento negro, iniciou a campanha com caminhadas na Avenida Paulista, em São Paulo, e em ruas de São José dos Campos, no interior paulista.

O candidato apresentou como uma das principais propostas a reestatização de empresas estratégicas. Seu discurso mira trabalhadores, movimentos sociais e eleitores críticos à concentração de renda.

Hertz afirmou que o Brasil produz riquezas, mas que elas estariam concentradas nas mãos de banqueiros, multinacionais e grandes empresários.

Samara Martins e Edmilson Costa também iniciam agendas

Samara Martins, candidata da Unidade Popular (UP), fez evento de lançamento de campanha em São Paulo com militantes do partido. A candidatura da UP busca defender uma agenda de esquerda popular, com ênfase em direitos sociais, soberania e organização dos trabalhadores.

Edmilson Costa (PCB) participou de uma live em seu canal no YouTube no primeiro dia oficial de campanha. O partido lançou sua candidatura com discurso voltado à crítica da crise social, defesa dos trabalhadores e oposição ao modelo econômico vigente.

Segundo levantamento da Agência Brasil, não divulgaram agenda pública para o primeiro domingo de campanha Clariana Barão (DC), Rui Costa Pimenta (PCO), Wilson Grassi (Democrata) e Pablo Marçal (PRTB).

Pesquisas mostram disputa concentrada entre Lula e Flávio, com variação no terceiro posto

As pesquisas divulgadas em agosto indicam que Lula e Flávio Bolsonaro concentram a maior parte das intenções de voto no primeiro turno. A disputa pelo terceiro lugar, porém, varia de acordo com o instituto, o método de coleta e o tipo de pergunta.

Na pesquisa Palver, divulgada pela Folha de S.Paulo, Renan Santos aparece isolado em terceiro lugar, com 10%. Já a pesquisa BTG/Nexus mostra Renan em terceiro na espontânea, com 3%, atrás de Lula e Flávio. Em outros levantamentos, como CNT/MDA e Quaest, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema aparecem mais próximos ou alternam posições.

Essa diferença reforça um ponto central da largada da campanha: embora a eleição esteja polarizada entre Lula e Flávio Bolsonaro, há disputa aberta entre candidatos que tentam ocupar o espaço de alternativa competitiva.

Largada antecipa temas centrais da eleição

Os primeiros atos de campanha mostraram que segurança pública, economia, combate à corrupção, programas sociais, soberania nacional e papel do Estado devem dominar o debate presidencial.

Lula aposta na defesa do governo e na comparação com adversários. Flávio Bolsonaro tenta mobilizar o eleitorado bolsonarista e reforçar pautas de segurança. Renan Santos busca se apresentar como renovação à direita, com apelo digital e discurso duro contra o crime. Caiado aposta na experiência de gestão em Goiás. Zema insiste em eficiência administrativa e combate à corrupção. Cury tenta ocupar o espaço da conciliação e da saúde emocional. Já candidaturas de esquerda socialista, como Hertz Dias, Samara Martins e Edmilson Costa, buscam pautar desigualdade, direitos dos trabalhadores e crítica ao modelo econômico.

Com o início oficial da campanha, os candidatos entram agora em uma fase de agendas presenciais, propaganda digital, arrecadação, debates e preparação para o horário eleitoral gratuito. Os atos de estreia funcionaram como cartão de visita das campanhas e das narrativas que cada candidatura pretende levar ao eleitorado até outubro.

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