
A eletrificação da mobilidade no Brasil não será um processo linear, mas sim marcado pela convivência entre diferentes tecnologias, pelo fortalecimento da indústria nacional e pela construção de políticas públicas capazes de estimular investimentos e inovação. Essa foi a principal conclusão do painel “Eletrificação & Transformação do Mercado Automotivo Brasileiro”, realizado nesta terça-feira (5) durante o Rio Innovation Week.
O debate reuniu Ricardo Bastos, presidente da ABVE; Igor Calvet, presidente da Anfavea; e Wellington Damasceno, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, com mediação de Fernando Miragaya, editor da Automotive Business. Os participantes destacaram que a transformação do setor representa uma oportunidade para impulsionar a inovação, gerar empregos qualificados e fortalecer a competitividade do Brasil no cenário global.
Complementaridade tecnológica e etanol como diferencial
Um dos principais consensos foi que não existe uma estratégia única para a eletrificação da frota brasileira. O país deve apostar na complementaridade entre veículos híbridos, híbridos flex, elétricos a bateria e biocombustíveis, permitindo que a descarbonização aconteça de forma gradual e alinhada à realidade nacional . O etanol foi apontado como um importante diferencial competitivo, especialmente quando combinado à eletrificação por meio dos híbridos flex.
Ricardo Bastos, presidente da ABVE, destacou que o Brasil está em um momento de grande transformação, começando a fabricar veículos elétricos e eletrificados em território nacional . Ele afirmou que a eletromobilidade contribuirá para aumentar a qualidade e elevar o patamar tecnológico dos veículos brasileiros, abrindo novas oportunidades para a indústria de recarga elétrica, setor de autopeças e formação profissional.
Fortalecimento da produção nacional e qualificação profissional
Os debatedores ressaltaram que o crescimento da eletrificação deve ser acompanhado pela localização da fabricação de veículos, componentes e novas tecnologias no Brasil, preservando empregos e consolidando uma cadeia produtiva competitiva . A qualificação profissional foi apontada como um dos grandes desafios, exigindo atualização dos currículos da educação técnica e ampliação de programas de capacitação para toda a cadeia automotiva.
Os participantes também defenderam que o Brasil possui condições de assumir um papel de protagonismo na transformação da mobilidade, mas precisa acelerar investimentos e avançar na construção de políticas públicas que ofereçam previsibilidade e estimulem a inovação . O sucesso da transição energética, segundo os especialistas, dependerá da atuação integrada entre governo, indústria, trabalhadores, academia e instituições de ensino, combinando diferentes tecnologias, investimentos em infraestrutura e qualificação da mão de obra para consolidar o país como protagonista da nova mobilidade.