
O Brasil vive uma virada demográfica sem precedentes. Segundo o IBGE, já são mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, e o contingente de pessoas nessa faixa etária cresceu 57,4% em pouco mais de uma década. Nesse cenário, ganha força um conceito que já é tendência global: o aging in place, ou seja, a possibilidade de envelhecer em casa com segurança, autonomia e apoio. O desejo de permanecer no próprio lar tem moldado novos hábitos de consumo e acelerado a economia da longevidade.
Esse movimento também fica evidente no comportamento de busca. Nos últimos quatro meses, segundo dados extraídos pela TeleHelp a partir do Search Console do Google, as pesquisas por serviços que ajudem idosos e famílias a manter a rotina cresceram quase 75% em comparação ao mesmo período de 2024. Isso inclui desde soluções de segurança até tecnologias de teleassistência e dispositivos de emergência. A tendência sugere que autonomia, proteção e suporte remoto deixaram de ser temas periféricos e passaram a ocupar o centro das decisões familiares — especialmente entre pessoas que preferem envelhecer em casa.
Para compreender as necessidades reais de idosos que vivem sozinhos, a TeleHelp realizou um levantamento com cerca de 6 mil usuários, majoritariamente mulheres entre 60 e 90 anos. A pesquisa identificou que o medo de quedas é o principal receio, citado por 62% dos entrevistados. Em seguida aparecem o temor de não conseguir pedir ajuda em emergências (49%) e a sensação de isolamento social (25%). Além disso, 22% dizem temer perder autonomia ou “dar trabalho” à família — um dilema que expressa a tensão entre independência e necessidade de apoio.
Separadamente, os dados operacionais de toda a base de clientes da TeleHelp mostram que essa preocupação se traduz em comportamento real. Em 2025, houve um aumento de 24,42% (YTD) nos atendimentos por queda, em comparação a 2024. As quedas, que antes representavam 18% dos acionamentos e ocupavam o 3º lugar entre os motivos de chamadas, passaram a ser o principal motivo neste ano, representando 22% de todos os acionamentos. Esse salto acompanha o aumento das buscas por soluções de autonomia e segurança e sugere maior sensibilidade das famílias ao risco de acidentes domésticos.
A pesquisa também revela que envelhecer em casa continua sendo a preferência da maioria. A valorização da autonomia aparece como principal vantagem do aging in place, citada por 67% dos entrevistados. Os benefícios incluem ainda segurança emocional proporcionada pelo ambiente familiar (56%), convivência com vizinhos e comunidade (45%) e redução de riscos de depressão e ansiedade (35%). Para 18% dos respondentes, permanecer na própria residência é também uma escolha financeiramente mais vantajosa.
Segundo José Carlos Vasconcellos, fundador-presidente da TeleHelp, esses resultados reforçam a força da nova economia da longevidade no país. “O envelhecimento da população reorganiza o consumo e acelera a busca por soluções que permitam viver sozinho com segurança. A teleassistência cresce porque responde diretamente aos principais medos desse público e porque oferece o suporte necessário para que o idoso mantenha autonomia sem abrir mão da proteção”, afirma.
As transformações demográficas, combinadas ao comportamento de busca e às necessidades identificadas pela pesquisa, mostram que o Brasil já atravessa uma mudança estrutural. A integração entre tecnologia, prevenção e cuidado contínuo deixa de ser alternativa e passa a fazer parte da rotina de quem envelhece — e de um mercado em franca expansão.