
Reconhecimento público na COB Expo reforça união com CBT e Federação Paulista na busca por sede permanente, patrocinadores e acesso gratuito à memória da modalidade
O Comitê Olímpico do Brasil (COB) anunciou apoio oficial ao Memorial do Tênis Brasileiro (MTB) nesta quarta-feira (30 de setembro), durante a COB Expo, em São Paulo. O reconhecimento público à relevância do projeto para preservar a história da modalidade fortalece a mobilização por uma sede permanente e por investimentos que permitam consolidar suas três grandes frentes: museu, biblioteca e Hall da Fama.
Segundo o jornalista e professor Walmor Elias, presidente e idealizador do Memorial, o ato no Palco Talk reuniu Marco La Porta, presidente do COB; Alexandre Farias, presidente da Confederação Brasileira de Tênis (CBT); e Danilo Gaino, presidente da Federação Paulista de Tênis (FPT), além de representantes das entidades. Para o MTB, a união amplia o respaldo institucional a uma iniciativa dedicada a tornar esse patrimônio conhecido e acessível.
“É o reconhecimento ao MTB do maior órgão esportivo do país a um projeto que veio para preencher uma lacuna do nosso tênis”, afirma Walmor.
A força dessa articulação está na convergência entre a entidade que lidera o movimento olímpico no Brasil, a confederação que representa o tênis nacional e uma federação com 102 anos de história. Fundada em 1924, a FPT soma sua trajetória à consolidação de um Memorial que completou três anos em junho.
De acordo com Walmor, as tratativas pelo apoio do COB começaram em 2023 e contaram com a participação da CBT e de Alexandre Farias. A chancela representa, agora, um reforço à busca por novos patrocinadores e parceiros para ampliar o alcance do projeto.
Um patrimônio que atravessa gerações
Fundado em 9 de junho de 2023, o Memorial do Tênis Brasileiro nasceu de um trabalho de pesquisa e reunião de materiais que, segundo seu idealizador, começou em 2010. Walmor doou o acervo que deu origem à instituição, sem fins lucrativos, com a proposta de preservar os registros de uma modalidade cuja trajetória no país remonta ao século XIX.
A dimensão desse patrimônio ajuda a compreender a importância do Memorial. O conjunto que deu origem à instituição reúne cerca de 9 mil fotografias, aproximadamente 700 vídeos e pequenos filmes, além de livros, revistas, recortes de jornais, publicações, perfis de atletas, objetos históricos e raridades.
Descrito por Walmor como o maior acervo do tênis brasileiro, esse conjunto documenta conquistas, personagens, clubes e competições. São fontes que permitem conhecer o caminho percorrido pela modalidade e reconhecer também as contribuições de quem trabalhou fora dos grandes holofotes.
A proposta é transformar essa memória em um patrimônio disponível para consulta, pesquisa e descoberta. Novas doações de materiais históricos, destaca o presidente, poderão ampliar a coleção e enriquecer os registros preservados.
Museu, biblioteca e Hall da Fama em um mesmo projeto
Essas frentes têm a participação de nomes que viveram capítulos importantes do tênis nacional: Carlos Kirmayr, na curadoria do museu; Paulo Cleto, na biblioteca; e Luiz Mattar, no Hall da Fama. O Memorial conta ainda com Thomaz Koch como presidente de honra e José Édison Mandarino como vice-presidente de honra, além de sua diretoria, conselheiros e membros honorários.
O Hall da Fama já anunciou sete indicações. Alcides Procopio, tenista, empresário, dirigente e criador do Banana Bowl, foi o primeiro laureado definitivo, em cerimônia realizada em abril deste ano. Em setembro, Maria Esther Bueno teve sua indicação anunciada durante o SP Open, em São Paulo, em uma homenagem à sua trajetória.
As outras indicações são a primeira equipe brasileira na Copa Davis, de 1932, Sofia de Abreu, Ronald Barnes, Ingrid Metzner e Paulo da Silva Costa, que presidiu a CBT e a Federação Internacional de Tênis (ITF). As homenagens abrangem diferentes épocas e formas de contribuir para o desenvolvimento da modalidade.
Uma sede para abrir o acervo ao público
A conquista do apoio institucional se soma a uma prioridade decisiva: encontrar uma sede definitiva capaz de abrigar o acervo, preservar seus materiais e oferecer acesso gratuito aos amantes do tênis e ao público em geral.
Segundo Walmor, MTB, COB, CBT e FPT atuarão na busca por uma solução para esse espaço permanente. A intenção é reunir as atividades do Memorial em um lugar que permita conhecer os objetos históricos, consultar a biblioteca e acompanhar as homenagens do Hall da Fama.
As exposições itinerantes e os encontros em clubes contribuíram para tornar o projeto conhecido. A sede representa o próximo passo para ampliar a presença pública da instituição e dar continuidade à preservação de sua coleção.
O avanço também depende de novos investimentos e patrocinadores. Entre as prioridades está estruturar a área comercial e de marketing, com o objetivo de obter recursos para implantar o museu, desenvolver a biblioteca e dar continuidade ao Hall da Fama.
Projeto cultural prepara a memória para novos públicos
Outra etapa desse caminho é o primeiro projeto cultural apresentado pelo Memorial no âmbito da Lei Rouanet, voltado à organização, conservação e catalogação do acervo. A proposta está em análise no Ministério da Cultura e ainda aguarda autorização para captar recursos.
O trabalho previsto pretende produzir um inventário detalhado dos materiais e organizar suas informações, criando condições para que fotografias, documentos, vídeos e objetos sejam preservados e conhecidos por mais pessoas.
A iniciativa também prevê um catálogo eletrônico pesquisável e conteúdos digitais com acesso gratuito. Seu valor está em aproximar esse patrimônio de estudantes, pesquisadores, jornalistas, profissionais do esporte e pessoas interessadas na história do tênis brasileiro.
Em paralelo, o Memorial tem como prioridade desenvolver sua biblioteca presencial, digital e on-line, integrada ao site oficial, que já reúne arquivos e informações sobre a modalidade.
Preservar o passado e acompanhar as novas gerações
Para Walmor, a missão do MTB também ganha importância diante de uma nova geração representada por nomes como João Fonseca, Guto Miguel, Naná Silva e Victoria Barros. Conhecer a história do tênis brasileiro, em sua avaliação, ajuda a reconhecer o trabalho de atletas, treinadores, clubes, academias, federações e projetos que construíram essa trajetória.
A intenção do Memorial é consolidar-se como um centro de referência em memória, estudos, dados e pesquisas, capaz de preservar o passado e documentar o presente da modalidade. O reconhecimento público na COB Expo fortalece essa busca: dar à história do tênis brasileiro um lugar permanente e compartilhá-la com quem acompanha o esporte hoje e com as gerações que ainda chegarão às quadras.
