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	<title>Arquivos Robson Paiva - Portal Contexto</title>
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	<title>Arquivos Robson Paiva - Portal Contexto</title>
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		<title>O que explica os comportamentos de risco diante da pandemia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Robson Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Mar 2021 17:53:57 +0000</pubDate>
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<p>Hoje converso sobre o motivo pelo qual penso que o brasileiro está enfrentando este momento calamitoso e, ao meu sentir, deixando claro que não quero falar de política, pelo contrário, quero problematizar o que levam as pessoas a tomarem medidas que sabidamente são um risco para a saúde.</p>
<p>A grande questão é, partindo do meu local de observação, que é a psicanálise, isto se dá pela morte do fator ordenador da sociedade, a Lei, ou sendo mais freudiano, o pai. Explico.</p>
<p>Quando falo da morte do pai, não falo do perecimento do seu, do meu ou de qualquer outro genitor, mas sim do apagamento da figura paterna que tem sido feito sistematicamente em nossa sociedade.</p>
<p>Outro dia vi uma foto da Estação da Luz, em São Paulo, lotada na hora do rush com as pessoas indo para o trabalho e o apresentador da notícia dizia em tons, quase raivosos, que a culpa da pandemia não está na recusa do brasileiro em se afastar, mas também na recusa dos nossos governantes em criar condições para que não haja aglomerações seja nos ônibus, metrôs ou trens urbanos, mantendo os meios de transporte em constate lotação.</p>
<p>Diante dessa realidade caótica, em que a maioria dos trabalhadores precisam enfrentar, associado à descrença geral que nossos líderes, salvo algumas exceções. Nossas lideranças são pessoas que se mostram nem um pouco preocupadas com o povo e tão somente com seus interesses pessoais eleitoreiros. Diante disso, fica fácil entender os motivos que a população se aglomera nos fins de semana, o porquê de nos feriados estão lotando as praias e muito mais.</p>
<p>Em psicanálise o Pai aparece como uma figura ordenadora, que impõe a regra para todos limitando nossos desejos, operando dessa forma a castração. Já no Brasil, infelizmente, na relação da população com o poder isso não se opera dessa forma, pelo contrário, me parece que vivemos em uma sociedade em que, via de regra, as leis não importam muito. Temos alguns exemplos para citar: em que país do mundo conseguimos ouvir a expressão “lei que pega” e “lei que não pega”? Ora, o próprio fundamento da existência da lei é obrigar a todos da mesma forma, mas aqui, algumas leis simplesmente não pegam, ou seja, simplesmente não exercem qualquer coerção sobre as pessoas. Outro exemplo que acho delicioso em nossa sociedade é a velha frase: “poder não pode, mas bem conversadinho&#8230;” Essas expressões revelam exatamente como funciona o brasileiro em sua grande maioria, onde a regra não vale, aliás, vale para o outro.</p>
<p>O que percebo é que o pai, enquanto função simbólica, é estruturante, de modo que o exercício de sua função tem ressonâncias na estruturação psíquica da criança e no seu processo de desenvolvimento. Do mesmo modo funciona com as sociedades, onde o Estado tem essa função, assim, na relação entre mãe e filho, o pai real está fora, ainda mais pelo fato de o filho estar identificado ao seu falo.</p>
<p>O Estado no Brasil está mutilado em seu falo, o falo não existe, assim, fica muito difícil o cidadão acreditar nas medidas que determinariam comportamentos. Neste sentido, temos que lembrar as lições de Rozitchner que afirma o seguinte:</p>
<p>Assim, a subjetividade fica determinada e organizada por uma forma infantil que tem características muito importantes e particulares porque a solução a que a criança chegou é o resultado de um processo infantil, mas também individual e imaginário. E sem dúvida isso vai aparecer organizando esta estrutura pessoal que terá vigência no campo real, coletivo e adulto (Rozitchner, 1989: 35).</p>
<p>Aliás, diante do que estamos dizendo, podemos expandir o pensamento e entender que o processo civilizatório cobra uma conformação e a contenção da energia pulsional, pois essa pulsão tem que ser contida para que a sociedade se organize minimamente.</p>
<p>Neste sentido, o Complexo de Édipo passa a fazer a tradução da contenção, mas a sua experiência faz com que também se contenha a heteroagressividade.</p>
<p>A nossa sociedade, possui uma organização psíquica tal como um indivíduo, assim o Estado (função paterna eO que explica os comportamentos de risco diante da pandemia ordenadora) que tem o papel de impedir os rompantes individuais, frutos dos desejos idílicos (como o superego faz em cada indivíduo).</p>
<p>Acontece que no Brasil o Estado não exerce esse papel. Isso se dá porque quando o cidadão médio olha para nossos governantes e percebe o pouco caso das autoridades com a coisa pública, também não vê nele a representação de seus anseios, assim, sentindo-se isolado e sem um fator ordenador não é difícil compreender os motivos que levam a determinadas regras simplesmente não funcionarem.</p>
<p>Ao tomar conhecimento de um baile da 3ª Idade, onde mais de 100 pessoas do grupo de risco se reuniram, ao ver o crescente número de jovens sendo infectados e mesmo assim as aglomerações estão acontecendo, só me resta concluir que estamos vivendo exatamente o quadro em que o Pai está morto e, sendo assim, cada um faz o que quer para o seu prazer.</p>
<p>Outro ponto que também não podemos deixar de fora é que os comportamentos de risco feitos pelas pessoas servem também como uma válvula de escape para uma realidade caótica, pois não me causa espanto argumentos como o que ouvi outro dia. “Eu ando em ônibus porque não tem outro meio de ir para o trabalho, porque não posso me juntar com meus amigos em um bar para beber?” A pessoa ainda disse: “Se eu tenho que correr os riscos todos para trabalhar, porque vou matar meu único momento de prazer na semana?”</p>
<p>Essa é a nossa psicose, esse é nosso maior problema, infelizmente, por conta de uma elite que só pensa em si mesma, que fica politizando a pandemia, seja para um lado ou para o outro, o cidadão fica perdido no meio desse fogo cruzado e por conta disso abre mão até de sua segurança.</p>
<p>Não consigo condenar as pessoas, talvez a saída psíquica que alguns têm encontrado seja a única forma de não entrarem em parafuso e se arrebentarem diante de uma realidade tão hostil que se põe à frente das pessoas. Apenas sinto que os comportamentos de risco são frutos da tempestade perfeita. Um psiquismo em sofrimento associado a uma cultura que não reconhece o agente ordenador.</p>
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		<title>A dificuldade de conversar sobre a morte</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Robson Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 Jan 2021 13:23:30 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img data-recalc-dims="1" decoding="async" class="alignleft wp-image-7385 size-full" src="https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/08/Arte-de-Capa-da-Coluna-Robson-1.png?resize=400%2C400&#038;ssl=1" alt="Morte" width="400" height="400" srcset="https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/08/Arte-de-Capa-da-Coluna-Robson-1.png?w=400&amp;ssl=1 400w, https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/08/Arte-de-Capa-da-Coluna-Robson-1.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/08/Arte-de-Capa-da-Coluna-Robson-1.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" />Olá, leitores, hoje decidi falar mais uma vez de um assunto que em tempos de pandemia é forçoso tocá-lo, que é a morte e a finitude, especialmente, neste mês de janeiro que foi dedicado à saúde mental, por conta do chamado Janeiro Branco.</p>
<p>Escrever sobre a morte é algo muito difícil, pois apesar de nossa consciência saber que a morte é o fim de uma vida, por outro lado, nosso inconsciente não consegue lidar com a questão da finitude por não reconhecer a morte como algo que de fato existe.</p>
<p>Em outras palavras, podemos perceber a morte enquanto pessoas racionais, mas nosso inconsciente não consegue entender este fato que é da ordem somente do real, não conseguimos fazer a simbologia, nem tão pouco imaginar o que seria morrer.</p>
<p>Pode-se perceber isso por alguns exemplos que ocorrem em nossas vidas. Vejamos o sonho: Em nossos sonhos jamais morremos! Se você prestar atenção aos seus sonhos, quando sonhou com a própria morte, uma das três situações aconteceu: a) quando você iria morrer no sonho, você acordou; b) aquela situação que fatalmente lhe mataria, de repente, algo absurdo acontece e você escapa da morte; c) finalmente, mas não menos importante, a pessoa vê seu corpo morto em alguma situação, mas essa mesma pessoa, tem consciência, no sonho que morreu, mas se olharmos de perto, o simples fato de ter consciência significa que efetivamente, em seu psiquismo, a morte não ocorreu. Ainda que a pessoa sinta que está em espírito, vendo seu próprio corpo, existe uma preservação do Eu.</p>
<p>Como lidar, então com a questão da própria finitude? Que desafio hercúleo, pois diante da morte em si, a carruagem das palavras, como diria o pensamento budista, cessam. Ou seja, apesar de sermos atravessado pelas palavras, diante do ocaso da vida, essas mesmas palavras se ausentam e fica um suposto vazio.</p>
<p>Lidar com a própria finitude é lidar com o que não conseguimos escrever, falar ou mesmo racionalizar. Assim, me parece que temos que retornar a uma frase de <strong>Lacan</strong>: “A verdade somente pode ser dita nas malhas da ficção”. Diante disso, precisamos achar um caminho de construir uma teia que consiga dar sentido a este evento que é apenas e tão somente da ordem do real.</p>
<p>É exatamente por esse motivo que a morte é tão difícil de ser lidada. Lidar com a própria finitude angustia, pois ela se constitui como sendo algo que nasce do instante no qual a pessoa se encontra suspensa entre um tempo em que ela se perde do local onde se encontra e para onde precisa ir, sendo que a resposta sobre o que venha ser o próprio fim jamais é encontrada.</p>
<p>A angústia, que é esse medo inominado de algo para além do nosso conhecimento traz a reboque outro sentimento: A ansiedade que se caracteriza como sendo uma relação de dois lados a ponto de desaparecer para ser substituída por outra coisa, algo que a pessoa não pode enfrentar sem vertigem. Neste sentido, como substituir a morte? Não há modo. Tanto que as religiões falam em vida após a morte, como uma continuação da própria existência, retomando novamente a percepção que não conseguimos lidar com a nossa finitude.</p>
<p>Confúcio traz uma nova reflexão, que para nós ocidentais, é meio confusa, mas quando paramos para entender a sua profundidade, conseguimos ver a real dimensão de sua fala. Segundo ele: Para quê preocuparmo-nos com a morte? A vida tem tantos problemas que temos de resolver primeiro. Na verdade, ele simplesmente prega que ignoremos a morte e que foquemos nossa vida a caminhar nosso caminho, sem se preocupar com o dia do fim. No popular, o que ele quis dizer é: viva como se fosse seu último dia na Terra, pois um dia você acerta.</p>
<p>Quem acompanha minhas colunas já notou que gosto muito de voltar aos gregos, mesmo porque penso que neles estão a maioria das questões da atualidade, pois se de um lado temos a percepção do fim, <strong>Epicuro</strong> nos dá outra solução e que eu concordo: A morte em si é um nada, pois se estamos vivos ela não existe e se estamos mortos ela não importa mais.</p>
<p>Diante disso tudo, penso que a pandemia nos colocou face a face com algo muito mais profundo do que os riscos enfrentados pelas pessoas. Ela na verdade nos fez olhar para nossa existência e perceber que não somos tão senhores assim da natureza, desta forma, o risco da finitude aportou em nossas moradas.</p>
<p><strong>Shakespeare</strong> dizia que quando lutamos e perecemos nossa morte é uma forma de derrotar a própria morte, ao passo que temer o próprio fim é fazer uma homenagem vitalícia para o inexorável através de um corpo que somente se presta a servi-la. Em outras palavras, temer a morte é festejar a sua existência por usar o próprio corpo como cativeiro da vida.</p>
<p>O mais curioso disso tudo é que <strong>Schopenhauer</strong> nos dá a derradeira lição sobre vida e morte, quando sintetiza em uma frase tudo que estamos querendo dizer neste texto: Quem não tem medo da vida também não tem medo da morte. Então, levantemos e caminhemos, pois na morte, no nosso fim, não há nada para temer.</p>
<p>O grande problema é a morte daquele que amamos, mas deixo isso para uma outra oportunidade.</p>
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		<title>Fim de Ano e a 2ª Onda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Robson Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Dec 2020 12:20:27 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img data-recalc-dims="1" decoding="async" class="alignleft wp-image-7385 size-full" src="https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/08/Arte-de-Capa-da-Coluna-Robson-1.png?resize=400%2C400&#038;ssl=1" alt="Ano 2020" width="400" height="400" srcset="https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/08/Arte-de-Capa-da-Coluna-Robson-1.png?w=400&amp;ssl=1 400w, https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/08/Arte-de-Capa-da-Coluna-Robson-1.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/08/Arte-de-Capa-da-Coluna-Robson-1.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" />Estamos entrando em uma época do ano na qual muitos esperam ansiosamente, Natal e Ano Novo. Para muitos é tempo de celebrar o ano que passou, as conquistas, as vitórias, repensar aquilo que não deu certo, construir sonhos, repensar metas, enfim, um momento em que fazemos um balanço de nossas vidas.</p>
<p>Acontece que, nesse ano temos uma nova vivência, uma nova experiência, estamos em um momento em que praticamente nenhuma pessoa viva no mundo passou. Eventos semelhantes foram as epidemias de escarlatina e da gripe espanhola. Assim, a população mundial em sua imensa e esmagadora maioria nunca tinha se deparado com um evento semelhante, uma ameaça causada por um fator da natureza, algo incontrolável.</p>
<p>Importante destacar que não estou excluindo de minha análise os fatores da primeira e segunda guerras mundiais e tudo que causaram na população, especialmente nos teatros de batalha, ou mesmo nas regiões conflagradas como na África, Oriente Médio para não dizer de todos os cenários. Mas nesses locais o fator Homem foi e tem sido fundamental para a construção dos sentimentos que atingem a população.</p>
<p>Lembro-me da música da <strong>Simone</strong> “Então é Natal”, nela a cantora começa com uma pergunta avassaladora para os tempos atuais: “Então é Natal. E o que você fez?” Se não bastasse esse questionamento, ela continua com uma afirmação fortíssima: “O ano termina e nasce outra vez” e isso nos faz pensar sobre a nossa vida.</p>
<p>O que 2020, ou como diria o <strong>Leandro Hassoun</strong> 2000 e vixi!, tem de novo? Ele trouxe à tona algo que ninguém estava preparado, ou seja, um momento em que as pessoas se confraternizam, mas como fazer isso em plena pandemia? Como reunir com a família, amigos em torno de uma ceia para comemorar o nascimento de <strong>Cristo</strong> ou a passagem de ano?</p>
<p>Este momento que era absolutamente de encontro, onde o passado e o futuro se encontram, onde amores das mais diversas formas se comungam em um mesmo espaço, onde sempre renovamos nossas crenças em um ano melhor através desse mútuo abraço que nos damos fisicamente falando, como fazer isso agora, especialmente para um povo que tem a necessidade de contato? Que dinâmicas usar? Qual o sentido do Natal? O que virá em 2021?</p>
<p>A pandemia colocou na ordem do dia a necessidade do afastamento, colocou diante do brasileiro um ponto muito grave que é a vedação ao contato, ao aperto de mão, ao abraço, beijo, enfim, distanciou o brasileiro, afastou famílias, filhos sem ver seus pais, netos sem acesso aos avós, e N outros fatores.</p>
<p>E diante disso tudo, o que fazer? Como passar por esse período de uma forma menos dolorosa? Por incrível que pareça as respostas são mais óbvias do que parecem, aliás como na maioria das situações, a resposta é óbvia e nós é que ficamos criando dificuldades na maior parte das vezes.</p>
<p>Em primeiro lugar, quero te fazer um convite, pense em tudo que você passou esse ano, olhe, note que apesar de tudo, se você está lendo esse texto é porque você passou por tudo até agora, com maior ou menor dificuldade, mas passou. Você está terminando um ano que em março parecia que não teria fim e mesmo assim você venceu. Você se adaptou, você em alguma medida, ainda que tenha passado por mudanças intensas em sua vida, seja por ingressar em um home office, seja por perder um emprego, mesmo assim você está aqui. E há um dia a mais para lutar, olhe quantos caíram, quantos não sobreviveram, quantos entraram em sofrimento mental agudo e você, ainda que aos trancos e barrancos, continua mais ou menos de pé.</p>
<p>Temos a tendência de pensar no quadro acima como uma derrota, mas na verdade é uma vitória. Aqui não estou falando como auto ajuda, mas como fato, pois nenhum de nós tinha ferramentas prontas para lidar com o que está acontecendo e tivemos que desenvolver, cada um no seu modo particular, um mecanismo de enfrentamento e isso, por si só, já é uma vitória.</p>
<p>O ano de 2020 foi um ano em que nos tornou mais forte, tal como acontece com as árvores, cujos cortes na casca fazem com que ela se engrosse e fique mais resistente. Esse ano nos fez isso, nos tornou mais fortes para o que virá adiante.</p>
<p>Mesmo para os que aprofundaram em um quadro depressivo, acredite, mesmo esses não foram derrotados, pois a depressão, ainda que dolorosa é sinal de que a pessoa não desistiu da luta. A desistência é vista em um outro lugar, a chamada melancolia, onde a pessoa não quer mais lutar e a desistência da luta é que se torna a verdadeira derrota, como diria o ditado, não está morto quem peleia.</p>
<p>Assim, a minha primeira sugestão para as pessoas passarem com mais leveza por esse período tão intenso é justamente valorizar as vitórias que tiveram, nem que seja somente a vitória de ter vencido esse ano, só isso já seria o bastante para acreditar que o sol vai nascer de novo, que as coisas vão se encaixar.</p>
<p>Uma outra coisa é a impossibilidade de nos reunirmos com aqueles que amamos, muitos só se encontram fisicamente nesta época do ano, famílias que se espalharam pelo mundo, nessas datas, se encontram. Como lidar com isso diante da impossibilidade de viagens ou mesmo pelos riscos de agrupamentos?</p>
<p>Novamente a resposta é simples e passa por uma questão de utilizar as ferramentas que possuem, assim, aplicativos de mensagens, aplicativos de reuniões, tudo isso pode ser empregado para que as pessoas se congratulem nesse ano.</p>
<p>Alguns vão dizer, mas não é a mesma coisa, não tem o calor humano do contato, a troca de presentes, enfim, não tem o tradicional natal ou réveillon. Sim concordo, mas 2020 não foi um ano normal, não foi um ano típico, pelo contrário, situações diferentes implicam em resoluções diferentes.</p>
<p>Novamente tudo é uma questão de ponto de vista, claro que eu ansiava estar reunido com toda a minha família, mas diante da impossibilidade podemos ficar chupando o limão azedo e sem doce ou pegar o limão e fazer uma bela limonada, suave e refrescante.</p>
<p>Sei que não é a mesma coisa, sei disso, mas tudo é uma questão de referencial. Podemos escolher lamentar a falta do outro ou comemorar que se a pandemia tivesse ocorrida a mais ou menos 20 anos atrás, tais possibilidades de encontros virtuais não existiam. Então, vamos aproveitar a tecnologia e fazer dela uma ferramenta para a nossa limonada.</p>
<p>O amor, o verdadeiro amor, não está na presença da pessoa. Imagine, a morte, em algum momento de sua vida, já levou uma pessoa que você ama, será que seu amor por essa pessoa deixou de existir porque o corpo dela não está mais entre nós? Certamente que não. Com a morte aprendemos a lidar com o amor em uma outra dimensão, onde o amor se liberta da cegueira da carne e fica somente no coração. Um filho que perdeu seu pai não deixa de amá-lo. Um neto que perdeu seu avô da mesma forma. Até mesmo o amor dos pais que eventualmente perdem um filho também não termina com o perecimento da pessoa.</p>
<p>Diante disso, penso que 2020 nos ensinou que podemos amar sem o contato físico e se podemos fazê-lo dessa forma, também é possível sentir o amor através do meio virtual. É possível viver esse sentimento, e muitas vezes, nosso erro é acreditar que somente é possível sentir o amor com a pessoa ao lado fisicamente falando, isso não é verdade.</p>
<p>Assim, penso que o uso das ferramentas tecnológicas que temos hoje é fundamental para o enfrentamento deste momento. E o que esperar para o ano de 2021? Como encará-lo?</p>
<p>A receita novamente é simples, a palavra para o ano 2021 é adaptação, é você ser capaz de se adaptar, tal como foi no ano que está acabando. Uma dica que sempre dou aos meus pacientes é viver um dia de cada vez, como diria o ditado dos militares, sobreviver para lutar mais um dia.</p>
<p>Pense o ano de 2021 como o primeiro ano do resto de sua vida, um ano em que um mundo de possibilidades se abre para você. Um mundo em que você poderá construir e reconstruir seus sonhos, pois 2020 nos ensinou que dinheiro, poder, fama, nada disso tem valor. A pandemia levou embora tanto ricos como pobres, pretos ou brancos, não poupou ninguém, assim, lembro da última disposição de vontade de <strong>Alexandre, O Grande.</strong></p>
<p>Com a morte à espreita, Alexandre percebeu como suas conquistas, seu grande exército, sua espada afiada e toda a sua riqueza eram de pouca importância. Desse modo, o poderoso conquistador quedou-se prostrado e pálido, impotente à espera de seu último suspiro.</p>
<p>Ele chamou seus generais e disse: “Vou partir deste mundo em breve e tenho três desejos, por favor, realizem-nos sem falhas”. E os generais concordaram em cumprir a última vontade de seu rei.</p>
<p>1º pedido: Que seu caixão fosse carregado pelos melhores médicos da época.</p>
<p>2º pedido: Que os tesouros que tinha fossem espalhados pelo caminho até seu túmulo.</p>
<p>3º pedido: Que suas mãos ficassem fora do caixão e à vista de todos.</p>
<p>Os generais, surpresos, perguntaram quais eram os motivos de tais pedidos e ouviram as seguintes respostas:</p>
<p>1º) Eu quero que os melhores médicos carreguem meu caixão, para mostrar que eles não têm poder nenhum sobre a morte.</p>
<p>2º) Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros, para que todos possam ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui ficam.</p>
<p>3º) Eu quero que minhas mãos fiquem para fora do caixão, de modo que as pessoas possam ver que viemos com as mãos vazias, e de mãos vazias voltamos.</p>
<p>Siga o autor no Instagram:<a href="https://www.instagram.com/robsonpribeiro/"> @robsonpribeiro</a></p>
<p>Leia outros artigos do Robson na coluna <a href="https://portalcontexto.com.br/?s=Bastidores+de+voc%C3%AA">Bastidores de você!</a></p>
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		<title>A Luta do Luto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Robson Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Nov 2020 12:00:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bastidores de Você]]></category>
		<category><![CDATA[Contexto]]></category>
		<category><![CDATA[Fique Bem]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Olá, amigos leitores da coluna “Bastidores de Você”. No texto de hoje escrevo sobre o Luto, seu papel em nossas vidas, os motivos para a sua existência. Tentarei, dentro do possível, trazer um certo sentido a essa dor que cada um de nós vive ou em algum momento já viveu. Antes de mais nada, quero [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img data-recalc-dims="1" decoding="async" class="alignleft wp-image-7385 size-medium" src="https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/08/Arte-de-Capa-da-Coluna-Robson-1.png?resize=300%2C300&#038;ssl=1" alt="Luto" width="300" height="300" srcset="https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/08/Arte-de-Capa-da-Coluna-Robson-1.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/08/Arte-de-Capa-da-Coluna-Robson-1.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/08/Arte-de-Capa-da-Coluna-Robson-1.png?w=400&amp;ssl=1 400w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" />Olá, amigos leitores da coluna “Bastidores de Você”. No texto de hoje escrevo sobre o Luto, seu papel em nossas vidas, os motivos para a sua existência. Tentarei, dentro do possível, trazer um certo sentido a essa dor que cada um de nós vive ou em algum momento já viveu.</p>
<p>Antes de mais nada, quero fazer aqui um alerta, o luto não nos atinge somente quando perdemos alguém por conta da morte. Aliás este é nosso primeiro engano, pois o luto se apresenta todas as vezes que perdemos algo que nos é muito importante. Assim, podemos sentir o enlutamento quando há uma perda de emprego, a perda de um animal doméstico, um relacionamento que termina de forma abrupta, uma amizade traída, enfim, em todos os momentos que algo que existia passa a não mais existir.</p>
<p>Então, o que seria o luto? A melhor definição que posso lhe dar é que ele consiste no tempo necessário para nossas mentes compreenderem aquilo que nosso coração já sente.</p>
<p>Assim, meus caros, é possível vivenciar o luto mesmo quando aquele objeto importante ainda não se foi definitivamente. Sabe aquele momento, em um relacionamento, que você sente que o amor acabou, mas ainda assim continua lutando para manter a situação? Isso não passa deste processo.</p>
<p>Aliás, é interessante a palavra luto, pois se de um lado ela pode ser um substantivo, por outro ela pode ser verbo, a primeira pessoa do singular do verbo lutar. Eu luto.</p>
<p>Isso nos descortina a primeira realidade, que o luto é um sentimento que temos que entender solitariamente. Não estou dizendo que nenhuma ajuda neste momento possa ocorrer, estou afirmando que o manejo do luto é uma experiência individual e cada um o fará de uma dada forma, bem como a experiência do luto em cada momento da vida de uma pessoa será diferente.</p>
<p>O luto tem uma força especial dentro de nós porque sabemos que aquele objeto perdido nunca mais vai retornar e essa é a nossa grande angústia, pois também nos revela a impotência diante de alguns fatores da vida.</p>
<p>Para<strong> Freud</strong>, o luto se caracteriza como um processo em que a pessoa sente uma tristeza profunda, donde seu desejo da pessoa é o de se afastar das atividades que não estejam atadas aos pensamentos sobre o objeto perdido. Isso faz com que a pessoa perca o interesse pelo mundo externo e a incapacidade de substituição com a adoção de um novo objeto de amor (FREUD, 1915).</p>
<p>Isto significa que no processo de luto, após a perda do objeto amado, toda carga de afeto que depositávamos naquele objeto fica sem um alvo para receber essa quantidade de energia psíquica, criando em nosso psiquismo um desbalanço. O processo de enlutamento é justamente o caminho do desinvestimento afetivo naquele objeto, para que se possa dar novo destino a essa quantidade de afeto.</p>
<p><strong>Leon Tolstói</strong> já dizia que “apenas as pessoas que são capazes de amar fortemente podem sofrer grande tristeza, mas esta mesma necessidade de amar serve para neutralizar a sua dor e curar”.</p>
<p>Viver o luto é uma importante etapa na vida, pois uma boa resolução deste momento trará para a pessoa mais estabilidade no futuro. Assim, para cada objeto perdido, o luto perdurará por um determinado tempo, por exemplo, a perda de uma mãe, a pessoa experimentará o luto, em média por dois anos.</p>
<p><strong>Elizabeth Kübler-Ross</strong> escreveu um livro onde ela descreve sobre o luto. Nesta nesta obra a autora afirma, com toda a razão, que o processo de enlutamento pode ser divido em etapas e que devem ser vividas sem qualquer tentativa de repressão, pois isso poderá causar mais danos psíquicos à pessoa. Uma “saída repentina” certamente no futuro irá cobrar o preço.</p>
<p>Em um primeiro momento ocorre a negação, onde a pessoa, como forma de se manter sólida, inconscientemente nega a existência daquele evento. No popular, “a ficha ainda não caiu”, ou seja, o evento está diante da pessoa mas ela mesmo reconhecendo o fato em si, seu inconsciente não aceita a realidade. É como se o corpo continuasse emanando aquela energia que descrevi acima e não percebesse que o alvo do investimento não mais estivesse ali.</p>
<p>Em um segundo momento surge um sentimento de raiva, pois a pessoa passa a se sentir injustiçada pela vida, neste momento, como um desdobramento da negação, o inconsciente da pessoa provoca a raiva como se cobrasse da vida a presença daquele objeto de afeto.</p>
<p>Na terceira etapa vem o processo de barganha, onde o inconsciente percebendo que não é mais possível a existência do objeto pelas vias usuais, passa a negociar saídas psíquicas mais producentes. A pessoa começa a buscar saídas psíquicas, criando “soluções mágicas” para uma tentativa de retorno daquele objeto perdido definitivamente. É muito comum nesses momentos haver o recurso de meios místicos como busca de preservação daquele objeto, como por exemplo, a busca de um “milagre”.</p>
<p>O quarto estágio, mais difícil de se lidar, é a fase depressiva, onde a pessoa percebe efetivamente que o objeto se perdeu definitivamente, jogando-a em um vale onde não há outra saída que não seja o repensar a vida. Neste momento, a pessoa se volta para si mesma, passa a sentir-se solitária e a dor é sofrida intensamente, pois torna-se constante.</p>
<p>Finalmente temos o último momento do enlutamento, quando, depois que a pessoa se fechou, consegue ressignificar as questões de sua vida, ela entra na fase final do processo, onde passa a aceitar o que ocorreu. Neste momento, a saudade que existe perde a marca da dor, ela passa a ser constituída de boas e agradáveis lembranças. Isso vai permitir que a pessoa passe a se reorganizar e viver de um modo mais tranquilo.</p>
<p>Quero finalizar o texto lembrando que a experiência do luto é somente sua e será única, a cada situação de sua vida. O importante é você saber que é um fato normal da vida. Não estamos dizendo que não vai doer. Junto com a perda vem sempre a dor, entender o processo não significa que ele não ocorrerá, pelo contrário, compreender o enlutamento pode dar uma dimensão para que você não lute contra a existência dele, pelo contrário, faz com que você passe melhor pelo processo.</p>
<p><a href="https://www.instagram.com/espaco_wortel/"><img data-recalc-dims="1" decoding="async" class="alignleft wp-image-3043 size-full" src="https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/03/Cuidado-integral.png?resize=400%2C200&#038;ssl=1" alt="" width="400" height="200" srcset="https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/03/Cuidado-integral.png?w=400&amp;ssl=1 400w, https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/03/Cuidado-integral.png?resize=300%2C150&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a></p>
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		<title>As redes e você</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Robson Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Oct 2020 13:00:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bastidores de Você]]></category>
		<category><![CDATA[Contexto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Olá, amigos leitores da “Bastidores de Você”. Hoje decidi escrever sobre como a internet e as redes tem nos conectado com outras pessoa e ao mesmo tempo tem nos desligado delas. Pode parecer paradoxal essa colocação, mas tenho percebido um sentimento de isolamento e de perda da própria identidade, causando profundo constrangimento. Quando os criadores [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img data-recalc-dims="1" decoding="async" class="alignleft wp-image-7385 size-medium" src="https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/08/Arte-de-Capa-da-Coluna-Robson-1.png?resize=300%2C300&#038;ssl=1" alt="a internet e as redes" width="300" height="300" srcset="https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/08/Arte-de-Capa-da-Coluna-Robson-1.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/08/Arte-de-Capa-da-Coluna-Robson-1.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/08/Arte-de-Capa-da-Coluna-Robson-1.png?w=400&amp;ssl=1 400w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" />Olá, amigos leitores da “Bastidores de Você”. Hoje decidi escrever sobre como a internet e as redes tem nos conectado com outras pessoa e ao mesmo tempo tem nos desligado delas. Pode parecer paradoxal essa colocação, mas tenho percebido um sentimento de isolamento e de perda da própria identidade, causando profundo constrangimento.</p>
<p>Quando os criadores do Facebook tiveram a ideia de montar um local onde os estudantes pudessem interagir, duvido, com todas as forças que, seus proprietários imaginariam até onde ele iria.</p>
<p>No mesmo sentido os criadores dos aplicativos de mensagens, ou mesmo da Google, que surge como uma plataforma de busca de sites na rede, imaginariam o tamanho e a importância que teriam tais ferramentas nos dias de hoje.</p>
<p>Diante de tantas possibilidades de contato, vejo cada vez mais as pessoas preenchidas com um sentimento de solidão, quando mesmo estando imersas nessas redes e em contato com pessoas do mundo inteiro, elas ainda sentem a dor de olhar a sua volta e percebem que ao seu lado não há ninguém.</p>
<p>Antes de continuar, não estou aqui querendo atacar as redes sociais e aplicativos de mensagens, quero apenas discutir e tentar mostrar que esses mecanismos são só mecanismos de aproximação de pessoas, mas que cada um deve olhar para si e ver que vida está vivendo, a sua vida de verdade, ou se está confundindo com seu avatar.</p>
<p>Aliás, aqui cabe uma primeira reflexão e que vai nos guiar ao longo do texto. A palavra “Avatar” remonta ao hinduísmo e significa a encarnação de uma divindade sob a forma de um homem ou de um animal, sobretudo do deus <strong>Vixnu</strong>, segunda pessoa da trindade indiana, cujos avatares mais cultuados pelos hindus são <strong>Krishna</strong> e <strong>Rama</strong>.</p>
<p>Como já disse inúmeras vezes aqui, não existe palavra sem significado e o conjunto de significados, associado aos significantes dados é que montamos o discurso. Este por sua vez, orienta nosso psiquismo, pois nos constituímos como seres através do atravessamento do discurso e, neste sentido, a outra pessoa é fundamental para nos dar a nossa percepção de quem somos.</p>
<p>Em outras palavras, somente identificamos e nos percebemos como pessoas quando conseguimos nos conectar com outras e, especialmente, quando conseguimos perceber as diferenças entre o Eu e o Outro.</p>
<p>Essa nossa sociedade atual, baseada muito em redes sociais especialmente porque nelas a nossa capacidade e discurso é ampliada, pois em um simples vídeo, ou no apertar das teclas para escrever um texto, em minutos seu “post” pode correr o mundo.</p>
<p>Em uma primeira visão, pode parecer que isso seria bom, mas como estamos diante de uma sociedade de avatares, ou melhor dizendo, em uma sociedade onde todo mundo é um deus encarnado e um deus não pode adorar a outro deus, todos os deuses são adorados por quem está abaixo dele no panteão. Assim, temos a presença etérea do outro mas que não nos entrega aquilo que todo deus anseia: a adoração.</p>
<p>Há um exercício simples que pode ser feito. Como todos podem escrever o que desejam nas redes sociais, em nome de uma suposta liberdade de expressão, todo mundo se posiciona sobre tudo, mas dentro da internet ninguém é ouvido. Muito pelo contrário, não há mais a troca de ideias, não há mais o diálogo entre as pessoas, o outro simplesmente não existe de fato e as pessoas mergulham na ilusão de que estão sendo ouvidas.</p>
<p>Basta você reparar, estamos em época de eleição, tal como foi na presidencial, cada um exalta seu candidato, sua opção, mas não há debates de ideias, quem não concorda com a sua opinião lhe ataca, quem concorda curte o comentário e pronto.</p>
<p>Lembro-me da história de muitos expoentes da humanidade. <strong>Freud</strong> sofreu intenso preconceito, <strong>Lacan</strong> da mesma forma, mas ambos viveram em um momento em que suas opiniões eram debatidas, por vezes refutadas, mas o fato é que o debate, a conversa, sempre levou ao reconhecimento de uma evolução no pensamento.</p>
<p>Todo pensamento é baseado justamente na discussão, na aplicação do discurso. Desta forma, quando uma pessoa se posiciona e sua ideia é debatida, verdadeiramente, existe a enorme possibilidade de que desse debate as ideias melhorem e formem um novo pensamento, mais evoluído.</p>
<p>A essência do pensamento é justamente isso. Temos uma tese, que é oposta por uma antítese e do fruto dessa relação surge a síntese. Esta por sua vez, torna-se tese e que será oposta por uma nova antítese e desse novo choque nasce outra síntese e o ciclo se repete.</p>
<p>Na sociedade atual, nada disso ocorre, mesmo porque um avatar, o deus encarnado não pode aceitar que sua posição seja questionada, assim, em um movimento de economia psíquica, a pessoa anula a existência do outro.</p>
<p>Anulando a existência do outro, deus fica sem adoração, perde seu posto de centro das atenções e isso implica em uma dor insuportável, dor essa que se converte justamente no sentimento de solidão.</p>
<p>Esse vazio causado pela solidão, somado ao fato de que somente me reconheço pela diferença entre o Eu e o não Eu, quando não existe o outro, começo a me perder de mim mesmo. Desta forma, a vida se torna profundamente angustiante, pois não sou adorado e também não sei quem sou.</p>
<p>Quero concluir o texto sem condenar as redes sociais, mas para me posicionar no sentido de que elas são muito importantes, mas por outro lado, mesmo sendo importantes, nossos avatares não são reais, são uma fantasia. Com tal, a fantasia se faz necessária para o viver, mas temos que lembrar sempre de que o contato com o outro é fundamental, tanto para sentir o acolhimento, amparo, mas também para que a percepção da minha fronteira existencial somente ocorre com a percepção de onde termino e começa o outro. Avatares são importantes, mas quando se acredita somente no avatar, quando se personifica essa figura mítica, aí tudo se perde.</p>
<p>A internet e as redes sociais aproximaram tanto as pessoas que acabou por romper o limite entre o indivíduo e o outro. Somos mais avançados do que jamais poderíamos pensar, mas esse avanço nos colocou no dilema existencial: Quem sou eu? A resposta está na sua percepção quanto ao mundo que lhe cerca.</p>
<p><a href="https://www.instagram.com/espaco_wortel/"><img data-recalc-dims="1" decoding="async" class="alignleft wp-image-3043 size-full" src="https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/03/Cuidado-integral.png?resize=400%2C200&#038;ssl=1" alt="Anúncio Bastidores de você" width="400" height="200" srcset="https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/03/Cuidado-integral.png?w=400&amp;ssl=1 400w, https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/03/Cuidado-integral.png?resize=300%2C150&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a></p>
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