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	<title>Arquivos Livrovermelho - Portal Contexto</title>
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		<title>O Comandante e o menino [Bastidores de você]</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Robson Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Mar 2020 17:00:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bastidores de Você]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Olá meus amigos, hoje quero propor uma reflexão a partir de uma história contada por Jung em seu Livro Vermelho. Em tempos de isolamento, quarentena e introspecção, penso que essas palavras podem nos ajudar a tornar menos dolorosa a quarentena imposta. Jung nos conta que em certa vez um capitão de navio (não há [...]</p>
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<p>Em tempos de isolamento, quarentena e introspecção, penso que essas palavras podem nos ajudar a tornar menos dolorosa a quarentena imposta.</p>
<p>Jung nos conta que em certa vez um capitão de navio (não há qualquer referência ao presidente, a não ser a coincidência das patentes) estava muito preocupado com a quarentena que foi imposta à tripulação do navio.</p>
<p>O capitão do navio começa inquirindo ao menino o que lhe apoquentava o pensamento, já que o menino tinha acesso a comida, banho, sono, enfim, ele apesar de ter tudo que precisava estava insatisfeito com a situação.</p>
<p>O garoto então responde ao superior que seu incomodo não era aquilo que o tinha sido dito e sim que não suportava a vontade de ir à terra e abraçar a sua mãe, seu pai e sua família.</p>
<p>O comandante retruca questionando sobre como o menino se sentiria se fosse liberado de seu confinamento e acabasse por contaminar as pessoas que ele ama e, eventualmente, esse alguém, por ele ter sido quem levou a doença, viesse a morrer.</p>
<h4><strong>A dúvida</strong></h4>
<p>Em sua ânsia de justificar uma liberação, o menino afirmou que essa doença poderia ser uma invenção, como forma de fugir de sua primeira resposta que era justamente que não se perdoaria.</p>
<p>O líder do navio então questiona ao menino e se não for algo inventado, se for algo real?</p>
<h4><strong>A revolta</strong></h4>
<p>Subitamente o menino entendeu o que estava acontecendo, mas novamente, tentando achar uma saída para seu desejo, justo, diga-se de passagem, de querer estar com aqueles que ama, ele grita&#8230; – Privaram minha liberdade!</p>
<p>O capitão, agindo quase como um pai a ensinar, pelo amor, ao filho diz que não só a liberdade está privada, mas que o próprio garoto deve se privar de algo a mais, mas que isso deve partir dele mesmo.</p>
<p>Nisso o garoto, por conta de sua falta de percepção, achou que o capitão estaria de gozação. Então, o comandante da embarcação diz ao menino que se alguém lhe priva de algo, e sua resposta a essa privação não for a adequada, haverá mais perdas.</p>
<p>Confuso o menino pede para que lhe explicasse, pois ele não conseguia entender a lógica, pois para o garoto, se lhe estavam privando de algo, para vencer deveria se privar de mais coisas, isso não fazia qualquer sentido para sua mente pouco experiente.</p>
<h4><strong>A explicação</strong></h4>
<p>Então o comandante explicou que há 7 anos atrás ele foi submetido a uma quarentena e, após meses no mar, ele estava louco para descer do barco e curtir seu descanso, bem como estar com os seus e aproveitar a primavera que tinha acabado de chegar, poder ver as flores, os frutos, os pássaros.</p>
<p>Nisso o comandante passa a contar o que aconteceu. Ele narrou que os primeiras dias foram muito difíceis, e ele sentiu tal como o menino reclamava que estava se sentindo. O comandante de início passou a questionar as imposições, mas sempre tentando argumentar com uma lógica sensata, ponderada e racional, tal como o menino fizera com ele.</p>
<h4><strong>Os conselhos</strong></h4>
<p>Então o comandante passou a narrar o que fez para superar a quarentena. Contava o líder, que após um tempo embarcado, ele iniciou mudanças em sua alimentação.</p>
<p>Primeiro, reduzindo o consumo dos alimentos para ter mais para o futuro. Depois, passando a selecionar as comidas de mais fácil digestão para que seu corpo não se sobrecarregasse seu organismo, optando por comer alimentos mais saudáveis.</p>
<p>Como a quarentena não terminava, o comandante passou a depurar seus pensamentos, não se comprometendo com os pensamentos negativos e fazendo uma busca por manter seu pensamento em coisas boas, elevadas e nobres.</p>
<p>Um modo que o capitão disse que lhe ajudou muito foi a obrigação autoimposta de ler uma ao menos uma página, por dia de algo que ele não conhecia, dando uma grande utilidade ao isolamento.</p>
<p>O capitão se impôs uma rotina de exercícios diariamente, pois ele havia aprendido com um velho hindu que exercitar o corpo faria com que seu corpo ficasse mais alentado e se sentiria bem.</p>
<p>Esse mesmo velho hindu lhe ensinou que uma boa rotina de respiração, todas as manhãs, também ajuda na manutenção do corpo e da mente, até mesmo porque ampliava a capacidade pulmonar o que evitaria muitos males que ataca os marinheiros.</p>
<p>Também lembrou o comandante que nos períodos da tarde, ele dedicava a agradecer, da sua forma, a Deus pelo pequeno sofrimento que estava passando, pois poderia ser muito pior, caso perdesse parentes por conta de uma praga que ele pudesse eventualmente estar transportando em seu corpo.</p>
<p>O velho hindu era muito sábio e profundamente equilibrado. Ensinou-lhe ainda sobre o poder da meditação, sugerindo que o comandante criasse o hábito de imaginar que havia uma luz entrando nele, iluminando-o e fazendo com que o capitão ficasse mais forte e ainda, lançasse luz sobre os demais, para que eles se fortalecessem.</p>
<p>Outra saída emocional adotada pelo comandante foi, ao invés de pensar no que estava sendo privado, ele imaginava tudo que iria fazer quando desembarcasse. Ele vivia intensamente esses pensamentos, pois a espera tem a capacidade de fazer a sublimação do desejo e torná-lo mais poderoso.</p>
<p>O capitão disse ao menino que ele havia se privado de alimentos suculentos, de garrafas de rum e outras delícias. Disse ainda que ele se auto impôs a privação de jogar baralho, de dormir muito, de praticar o ócio, de pensar apenas no que me privaram e reforçou tudo que ele fez de bom naquele período.</p>
<h4><strong>Conclusão</strong></h4>
<p>O menino então perguntou como as coisas acabaram e o comandante disse: &#8211; Ficamos três meses embarcados sem poder descer. O menino em um rompante disse: &#8211; Você perdeu a primavera, de que adiantou tudo isso, você não viu as flores, não viu as cores da primavera que você tanto queria.</p>
<p>O capitão respondeu que sim, que naquele ano ele perdeu a primavera, mas que algo melhor nasceu, ele floresceu como ser humano e nunca mais a primavera saiu de dentro dele.</p>
<p>O que isso nos ensina? Duas coisas: a harmonia está dentro de você e que essa situação de isolamento pode ser um bom momento para você marcar um encontro com você mesmo; outra coisa que nos ensina é que a liberdade não é a fazer o que se quer e sim, escolher qual algema ou vou me colocar diante da vida, pois a felicidade não está na ausência de amarras, a felicidade repousa na capacidade de fazer a primavera surgir dentro de você.</p>
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