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	<title>Arquivos #bastidoresdevocê - Portal Contexto</title>
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		<title>Sua criança interna</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Robson Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Aug 2020 18:52:37 +0000</pubDate>
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<p>Quando falamos de psicanálise, cuidamos do adulto, mas no fundo estamos tratando é justamente dessa criança que habita em cada um de nós, que jamais é efetivamente abandonada e passa a ditar o discurso do inconsciente, discurso esse que, quando entra em choque com o mundo real, acaba levando ao surgimento dos sintomas que levarão ao sofrimento.</p>
<h4><strong>Conflito interno</strong></h4>
<p>O sintoma, quando surge na vida da pessoa é justamente o resultado deste choque de realidades: o desejo infantil do sujeito e as cobranças sociais exercidas contra essa pessoa. Falando psicanaliticamente, é o conflito entre o Id (porção inconsciente) com o superego (porção externa ao sujeito e que limita o exercício do desejo idílico).</p>
<p>Diante desse conflito, muitas vezes essa criança interior, acaba sendo ferida, pois em dados momentos preferimos esconder nossos desejos no fundo de nossa alma a encarar o compromisso de dar vazão a eles. Claro que alguns desejos não podem ser realizados, até mesmo porque as consequências seriam trágicas demais. Quantas vezes você sentiu um ódio tão profundo que desejou matar uma pessoa? Ninguém aqui está pregando que você deva dar vazão a esse desejo, por motivos óbvios.</p>
<p>Por outro lado, quantas vezes você não sentiu vontade de mudar de vida, trocar de emprego, de ter mais tempo livre para fazer aquela determinada atividade, mas não fez isso por medo do que iriam pensar a seu respeito?</p>
<h4><b>Escondendo a própria </b><span style="font-size: 14.4px;"><b>essência</b></span><b> </b></h4>
<p>Esse processo de esconder a criança interior faz com que você simplesmente “esconda” suas dores, bem como esconda as virtudes que essa criança traz consigo, fazendo com que a graça do mundo se torne oculta.</p>
<p>Nesse processo de ocultar a sua criança interna, você perde algumas coisas, perde a coragem de brincar sem preconceitos, de se alegrar sem se importar com o que o outro pense. Mas, o mais importante é que perdemos a coragem de cair.</p>
<p>Como assim? Coragem para cair? Sim, viver é arriscado, como uma criança que está aprendendo a andar de bicicleta sem rodinhas. Ela vai cair, certeza que vai, mas ela cai, sobe de novo e continua&#8230; Cai de novo, levanta e segue tentando. Quando aprende a andar, muitas vezes, começa ficar mais corajosa e sabe que pode cair, mesmo assim arrisca, cai de novo e continua a andar de bicicleta.</p>
<h4><strong>As falhas nos ensinam</strong></h4>
<p>Lembro de um tombo que tomei de bicicleta que me levou para o hospital, sim eu era uma criança arteira, saí do hospital, depois de um internamento e logo estava sobre ela novamente, descendo as ruas do meu bairro em alta velocidade.</p>
<p>Queria dizer para você que tombos, ralados, fraturas não acontecerão em sua vida, mas isso seria uma mentira sem tamanho. Tenho certeza que já aconteceram antes e que vão continuar a acontecer. Quero te perguntar: E daí? Vai doer? Sim! Vai ferir? Muito! Pergunto de novo: E daí? Sabe, deixa eu te contar uma coisa, não adianta colocar armadura, proteção. Nada disso resolve e vai lhe dar uma vida sem dores. Se armadura fosse sinônimo de proteção, os guerreiros da idade média que as usavam não morreriam em combate.</p>
<h4><strong>O resgate</strong></h4>
<p>Meu objetivo nesse texto é tentar fazer você começar a resgatar a sua criança interna, aquela que não temia a vida, que ia atrás de seus sonhos, que brincava sem se importar muito com o amanhã. Felizmente a vida é para ser vivida, temos que saber que não é só prazer, que haverá momentos ruins.</p>
<p>Os mais velhos vão se lembrar que quando ralávamos o joelho em um tombo, nossas mães passavam aquele antisséptico que todos temiam. Aquele que só de pensar já sentimos o ardor e a queimação do contato dele com nossa pele. Mas era necessário para evitar que o machucado infeccionasse.</p>
<p>A vida é assim, de vez em quando vai ser dolorida mesmo, em outros, teremos que passar um antisséptico ardido. Mas também tem momentos como quando fazíamos um gol na partida de futebol na rua, ou quando demos o nosso primeiro beijo, em que nossa felicidade ia nas alturas.</p>
<p>Quero convidar a você a olhar para o mundo do mesmo modo que fazia quando era criança e, assim, descobrirá que o mundo é muito mais simples. Está difícil se lembrar disso, pois bem, aproxima-se o fim de semana, convido você a assistir um filme antigo do <strong>Tom Hanks</strong>, “Quero Ser Grande” e verá que o grande sucesso da personagem principal é que ela nunca matou a sua criança interna.</p>
<p>Para os mais novos, quero lembrar de Frozen, quando uma das personagens diz: “E os medos que uma vez me controlaram. Não chegam nem perto de mim”. Em ambos os casos podemos concluir que a vida é para ser vivida e não algemada pelo medo de ser o que se é!.</p>
<p>Bom fim de semana a todos</p>
<p><a href="https://www.instagram.com/espaco_wortel/"><img data-recalc-dims="1" decoding="async" class="alignleft wp-image-3043 size-full" src="https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/03/Cuidado-integral.png?resize=400%2C200&#038;ssl=1" alt="" width="400" height="200" srcset="https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/03/Cuidado-integral.png?w=400&amp;ssl=1 400w, https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/03/Cuidado-integral.png?resize=300%2C150&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a></p>
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		<title>Ser Pãe [Bastidores de Você]</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Robson Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Aug 2020 19:15:52 +0000</pubDate>
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<p>Ferramentas que as mães usam, do tipo: “vou falar para seu pai”, “seu pai não vai gostar nada disso”, simplesmente não existem, especialmente quando aquele pai parece um avô que mora distante e aparece somente para dar presentes, quando aparece.</p>
<p>Mas quando se é uma pãe de verdade, percebe-se que ainda que difícil, ainda assim é muito melhor, pois afinal de contas, ser pãe é fazer tudo que seria dividido por duas pessoas absolutamente só, mas também é uma profunda prova de amor a sua cria, pois nesse caminho a Pãe vai ter que conversar sobre tudo com seus filhos, desde assuntos como drogas, namoro, vida, trabalho, enfim, ser pãe é ser multitarefa e por isso que só as mulheres conseguem.</p>
<p>Ser pãe é saber que seus filhos, assim como você, tomarão tombos no caminhar da vida e que nem todos você estará ao lado para dizer que não foi nada e que já passou. Ser pãe é saber que mesmo estando sozinha e não podendo ensinar sobre todos os riscos da vida, rezar para que eles não errem os mesmos erros que você.</p>
<p>Ser pãe é ter orgulho dos passos dados no caminho, é saber que você vai se emocionar com as vitórias de seus filhos e também que vai sentir medo e tristeza quando eles sofrerem algum revés.</p>
<p>Ser pãe é enfim, um gesto de amor no qual as palavras são impotentes para sintetizar a sua grandeza. Feliz dia dos Pais para você que é pai e mãe.</p>
<p><a href="https://www.instagram.com/espaco_wortel/"><img data-recalc-dims="1" decoding="async" class="size-full wp-image-3043 alignleft" src="https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/03/Cuidado-integral.png?resize=400%2C200&#038;ssl=1" alt="" width="400" height="200" srcset="https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/03/Cuidado-integral.png?w=400&amp;ssl=1 400w, https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/03/Cuidado-integral.png?resize=300%2C150&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Você já ouviu falar de Infodemia? [Bastidores de Você]</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Robson Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Jul 2020 17:17:37 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img data-recalc-dims="1" decoding="async" class="wp-image-6652 alignleft" src="https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/07/Arte-de-Capa-da-Coluna-reduzida.png?resize=400%2C400&#038;ssl=1" alt="" width="400" height="400" srcset="https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/07/Arte-de-Capa-da-Coluna-reduzida.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/07/Arte-de-Capa-da-Coluna-reduzida.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/07/Arte-de-Capa-da-Coluna-reduzida.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/07/Arte-de-Capa-da-Coluna-reduzida.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/07/Arte-de-Capa-da-Coluna-reduzida.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" />Olá! Amigos leitores, hoje escrevo sobre um assunto que me impactou bastante ao ver o editorial que será publicado em Primeiro de Agosto desse ano na revista <em>The Lancet. </em>O documento denominado em inglês <em>“The truth is out there, somewhere”</em>.</p>
<p>O documento sintetiza o resultado da Primeira Conferência de Infodemiologia da Organização Mundial da Saúde, do qual pego o gancho para falar justamente do adoecimento psíquico por conta deste assunto.</p>
<p>O termo infodemia, cunhado pela primeira vez em 2002, caracteriza-se como sendo uma “sobrecarga de informações, algumas corretas e outras não, de tal forma que isso torna difícil identificar as confiáveis e as que são não confiáveis”. Isso, por si só, gera um risco enorme para a saúde pública, seja porque os riscos de contaminação aumentam, seja pela utilização ou não da utilização de medicações adequadas, enfim, as informações ficam contaminadas.</p>
<p>Um exemplo destes riscos são os movimentos que pregam contra as vacinações. As notícias falsas sobre o assunto levaram ao retorno do aparecimento de doenças que eram erradicadas, como por exemplo, o sarampo.</p>
<p>No caso da pandemia do COVID-19, as informações contraditórias tornam mais grave ainda, porque discursos fatalistas ou negacionistas acabam por turvar a visão da população, levando a um conflito interno nas pessoas.  Conflito esse que além de colocar em risco a saúde física, também representa um perigo para a saúde mental dos mal informados.</p>
<p>Redes sociais representam um risco maior para a disseminação destas informações dúbias, especialmente por conta de seus algoritmos que privilegia exibir assuntos que a pessoa usualmente lê. Numa realidade em que a pessoa está ávida de conhecimento, ao ver tais informações contraditórias, acaba gerando uma angústia, causando sofrimento psíquico. Ainda que as redes sociais retirem conteúdos não checados, essa informação fica na rede por um tempo suficiente para fazer estragos, devido ao compartilhamento massivo e seu alcance.</p>
<p>Nós somos constituídos de uma forma em que precisamos, seja pela anatomia de nosso cérebro, seja pelo dinamismo do psiquismo, de algumas certezas. Assim, quando a ciência, que desde a revolução do pensamento proposta por Descartes no Discurso do Método, assumiu o campo da segurança, em certa medida trouxe uma segurança psíquica para nós, tal como no período do medievo as pessoas tinham na religião sobre a vida.</p>
<p>O COVID-19, como escrevi em outros textos, por si só já abala nosso psiquismo devido pela maculação de nossa confiança no porto seguro da ciência, assim, quando perdemos esse refúgio, já temos um grande problema para lidar. Quando a ciência não consegue apontar respostas para aplacar as nossas necessidades ficamos expostos ao desamparo. Como a saída psíquica buscamos encontrar alguma tábua de salvação para nos estabilizar e, diante da proliferação de notícias, ainda mais as contraditórias, caímos em um mar bravio sem saber onde nos aportarmos para esperar a tempestade passar. Ficamos como uma nau em um mar revolto no centro de uma tempestade e, por conta disso, nossos medos e necessidades de amparo, sentimos medo, ansiedade, angústia, enfim, uma gama de sintomas que, em longo prazo, vai causar adoecimento psíquico.</p>
<p>Nosso psiquismo não diferencia o que é fakenews ou informação técnica conflituosa. Por exemplo o intenso debate é a forma de transmissão do vírus, alguns estudos apontavam para um lado, outros para uma direção oposta. O que confiar? O que fazer? Qual a comprovação? Tudo isso nos coloca em um lugar desconhecido e nós, seres humanos, por razões evolutivas, temos a tendência de não lidar bem com o desconhecido, nos levando a temer o futuro.</p>
<p>O medo talvez seja o maior desafio para a humanidade, pois ele é o maior limitador dos comportamentos. Segundo Paula Frazão, “é apenas um pensamento mal formulado em nossa mente”. Neste sentido, se temos uma gama de informações contraditórias, por consequência lógica, o pensamento que há de vir desse conflito é naturalmente contido com um defeito de origem desta forma que o medo nasce.</p>
<p>Assim, meus amigos, muito cuidado ao se informarem. Sugiro que utilizem, sempre que possível órgãos oficiais e de base científica, para que você não seja contaminado com esse pensamento. Caso não seja uma pessoa versada nas ciências, não procure informação em demasia, pois você poderá ser contaminado com informações não fidedignas e isso, ao invés de acalmar sua angústia poderá fazer com que você acabe aumentando-a.</p>
<p><a href="https://www.instagram.com/espaco_wortel/"><img data-recalc-dims="1" decoding="async" class="size-full wp-image-3043 alignleft" src="https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/03/Cuidado-integral.png?resize=400%2C200&#038;ssl=1" alt="" width="400" height="200" srcset="https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/03/Cuidado-integral.png?w=400&amp;ssl=1 400w, https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/03/Cuidado-integral.png?resize=300%2C150&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>O que os Pinguins me ensinaram</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Robson Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jul 2020 17:37:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>     Olá meus amigos da coluna “Bastidores de Você”. Antes de mais nada, quero me desculpar com você leitor. Na semana passada tive umas dificuldades técnicas por conta de um relacionamento tormentoso com meu computador, associado a questões de trabalho e não consegui trazer para você nossa conversa semanal. Dito isso, converso hoje sobre [...]</p>
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<p>Dito isso, converso hoje sobre os pinguins, sim pinguins, e como eles me deram uma lição de vida. Eles me ensinaram a persistência. Mesmo que custe um esforço tremendo, devemos perseguir nossos desejos.</p>
<p>Você deve estar se perguntando, o que pinguins têm a ver com isso? Tudo! Você sabia que um pinguim azul, uma das menores espécies de pinguins, medindo aproximadamente 33 centímetros. Imagine o que isso significa, eles são em média, pouco maior do que uma régua escolar. Suas pernas são diminutas e, mesmo assim, eles viajam anualmente mais de 700km atrás daquilo que desejam, ou seja, simplesmente saem por aí se deslocando, atrás de alimento ou reprodução.</p>
<p>Agora, pense comigo, se esse pinguim, com uma perna que não chega a 10 centímetros, é capaz de se deslocar por uma distância tão grande movido apenas por uma coisa, seu desejo.</p>
<p>Uma coisa muito importante é exatamente o compromisso que firmamos com nossos desejos. Incrivelmente deixamos nossos desejos de lado por absoluta infidelidade a nós mesmos. Acontece que esse comportamento gera em nós um sentimento estranho, um sentimento de querer algo e ao mesmo tempo, sentimos, por nossas crenças, que não podemos realiza-los.</p>
<p>Acontece que o desejo continua, mesmo diante das crenças de impossibilidade, a martelar incessantemente, mas como há a repressão do desejo, nasce então a angústia.</p>
<p><strong>   Heidegger</strong> dizia que a angústia é aquela disposição fundamental que nos coloca diante do nada, ou seja, o sentimento de angústia invade quando, diante de um desejo que é reprimido, nos colocamos em um vazio, pois aquilo que se deseja e não se pode ter, devido as repressões autoimpostas, nos lança em um vazio que nos mostra o dilema entre desejar e buscar nossos desejos.</p>
<p>Frankstein, a obra de<strong> Mary Shelly</strong>, nos mostra exatamente isso, aquele homem, feito de pedaços de outras pessoas, que vive assombrado com o seu desejo e suas repressões impostas, não por outro motivo ela escreve:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;">          Meu coração fora tomado de angústia e desespero.</p>
<p style="text-align: right;">Dentro de mim, sentia um inferno, que nada podia aplacar.</p>
</blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>Viver não é das tarefas mais fáceis, mesmo porque a vida não tem uma fórmula mágica, tanto que ao olhar livros de autoajuda, os títulos chegam a ser pérolas: 8 maneiras de ser feliz; 10 maneiras de ser feliz; Como ser feliz; Seja Phoda. Nada contra esses livros, mas se existisse uma receita que funcionasse para todos, não encontraríamos milhares e milhares de receitas para a felicidade.</p>
<p>E porque existe tanto livro assim? Porque as pessoas perderam a capacidade de firmarem compromissos com seus desejos, especialmente em um mundo onde os valores se tornaram complexos e muitas vezes contraditórios, permeando as pessoas com a incerteza, bem como com o medo do julgamento do outro por conta das redes sociais.</p>
<p>Não pretendo com esse texto lhe presentear com mais uma fórmula mágica para a felicidade, pelo contrário, o que tenho a dizer é profundamente aterrador: A receita para você é uma só e aplicável a todas as pessoas, que é a fidelidade, mas digo da fidelidade para consigo mesmo, para com seus desejos.</p>
<p>Nota que a fidelidade, nunca é para com o outro, a fidelidade é um valor para dentro de si. Sim, quando há uma traição, a pessoa não trai o outro, ela trai a si própria. Em um casamento, quando há a promessa que fazemos para nós mesmos que seremos fiéis, esse compromisso não é o que assumimos com a outra pessoa, mas sim o que assumimos conosco.</p>
<p>A fidelidade é um valor que liga quem fomos a quem somos. Ela alinha nosso discurso do passado ao nosso momento atual. Pois se em nossa vida tudo muda, também nossas células mudam, nossos sentimentos mudam, nossos pensamentos mudam. Assim, nosso único porto seguro, que nos mantém ligeiramente protegidos, é a fidelidade a nós mesmos, pois sem ela nos desatracamos em meio a um mar bravio e sem saber para onde vamos, como vamos e se vamos chegar, nascendo assim a angústia.</p>
<p>Sabe, o pinguim não se angustia porque ele tem compromisso ético com seu desejo e é fiel a isso, por tal razão ele caminha 700 quilômetros por ano, simplesmente porque ele deseja isso, não se importa com a distância,</p>
<p>Nossos desejos são como os passos do pinguim e, tal como eles, precisamos de caminhar rumo aos nossos objetivos, ainda que cada dia demos pequenos passos, ao final de um ano, teremos caminhando bastante, ao final de uma vida, teremos dado voltas e mais voltas em torno do planeta.</p>
<p>Desejar é fazer compromisso ético com você e um ato de fidelidade, lembrando-se de que somente através da fidelidade a nós mesmos é que conseguimos ligar nosso passado com nosso presente e construir um futuro onde nossos desejos sejam realizados e mais, onde nos tornamos livres do inferno da angústia. Afinal de contas, como diria Jacque Lacan: “Se existe um objeto de teu desejo, ele não é outro senão tu mesmo”. Portanto, seja mais pinguim&#8230;</p>
<p>Sigam o autor no Insta <a href="https://www.instagram.com/robsonpribeiro/">@robsonpribeiro.</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.instagram.com/robsonpribeiro/"><img data-recalc-dims="1" decoding="async" class="alignleft wp-image-3043 size-full" src="https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/03/Cuidado-integral.png?resize=400%2C200&#038;ssl=1" alt="" width="400" height="200" srcset="https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/03/Cuidado-integral.png?w=400&amp;ssl=1 400w, https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/03/Cuidado-integral.png?resize=300%2C150&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a></p>
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		<title>A definição do Amor  [Bastidores de Você]</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Robson Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Jul 2020 17:23:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bastidores de Você]]></category>
		<category><![CDATA[Contexto]]></category>
		<category><![CDATA[Fique Bem]]></category>
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<p>Começo fazendo uma pergunta muito forte! Será que a palavra amor tem alguma coisa a ver com o sentimento de amor?</p>
<p>Para responder a esta pergunta eu vou usarei de um artifício. Vou lhe pedir que tente definir o que é o amor, para você. Difícil, né? Se a resposta sua foi sim, acredite, você não está sozinho. Se soubéssemos definir o que é o amor, não teríamos tantos poetas dizendo sobre ele.</p>
<p>Então, proponho algo diferente para você, um exercício que é muito difícil para nós. Sugiro parar de racionalizar o amor. Compreendo a dificuldade de se fazer isso, mas também entendo que mesmo sendo difícil é possível.</p>
<p><strong>Spinoza</strong> dizia que nosso corpo é um conjunto de estruturas que, ao se aglomerarem, são capazes de agir diante do mundo, gerando assim aquilo que ele definiria como potência em ato.</p>
<p>Acontece que, esse agir diante do mundo, em dados momentos, simplesmente não é possível. Quando isso ocorre, somos carregados como folhas ao vento. No amor acontece exatamente isso, somos afetados de uma maneira em que somos absolutamente impotentes. A este impactado, Spinoza nomeou como afecções.</p>
<p><strong>Renato Russo</strong>, vocalista da banda Legião Urbana certa vez escreveu o seguinte:</p>
<p style="text-align: right;">Ela passou do meu lado</p>
<p style="text-align: right;">&#8220;Oi, amor&#8221; eu lhe falei</p>
<p style="text-align: right;">&#8220;Você está tão sozinha&#8221;</p>
<p style="text-align: right;">Ela então sorriu pra mim</p>
<p style="text-align: right;">
<p style="text-align: right;">Foi assim que a conheci</p>
<p style="text-align: right;">Naquele dia junto ao mar</p>
<p style="text-align: right;">As ondas vinham beijar a praia</p>
<p style="text-align: right;">O sol brilhava de tanta emoção</p>
<p style="text-align: right;">Um rosto lindo como o verão</p>
<p style="text-align: right;">E um beijo aconteceu</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Spinoza afirmava que nas afecções ocorre o encontro de dois corpos, onde ambos são impactados mutuamente, sofrendo transformações involuntárias e o mesmo filósofo também explica que existem afecções que nos levam a uma capacidade de agir o chamado Afeto de Alegria, bem como o Afeto de Tristeza que nos leva a uma condição de menor potência, onde há uma diminuição na capacidade de agir.</p>
<p><strong>Freud</strong>, mais tarde, iria chamar essas duas formas de afeto de Pulsão de Vida e de Morte, claro que, dentro de uma modulação um pouco diferente da afirmada por Spinoza.</p>
<p>Assim, o amor, para Spinoza seria “a alegria acompanhada de uma causa exterior” e essa alegria seria a “passagem para um estado mais potente do próprio ser”.</p>
<p>Fiz toda essa digressão para apontar justamente uma falha que cometemos diariamente. Tentamos racionalizar tudo, inclusive o amor. Talvez, minhas palavras ao longo da primeira parte do texto, tenham feito sentido para você, mas quero virar o rumo de nossa conversa e ir para onde me importa, que é propor uma mudança de leitura.</p>
<p>E se nós deixássemos de tentar definir o que é o amor, para que quando estivéssemos diante dele, pudéssemos estar livres da forma racionalizada, para apenas sentir o que se sente?</p>
<p>Talvez, seria mais fácil viver esse sentimento tão forte e tão transformador. É exatamente por isso que penso que antes de definir o amor, penso ser melhor gozar o sentimento, pois o amor é melhor vivido do que pensado.</p>
<p>A racionalização do amor está construindo uma gama de impactos que nos tem privado de sentir o amor, e, por conta disso, percebo as pessoas mais frias, pois estamos perdendo a capacidade de entender a linguagem dos sentimentos e estamos caindo na teia do racionalismo.</p>
<p>O amor, longe de ser definível como algo, é corpo em movimento, é alma em gozo. Não existem provas de amor, amor é um olhar, um sentir, um pulsar. Nossa racionalidade foi tão longe que aprendemos o que é o amor nos bancos escolares, nos livros de autoajuda. Enfim, racionalizamos o amor de tal modo que não sentimos sua existência no beijo, no suspiro, no cheiro.</p>
<p>Novamente recorro a Renato Russo, na mesma música “Hoje à noite não tem luar”, onde ele fala:</p>
<p style="text-align: right;">Lua de prata no céu<br />
O brilho das estrelas no chão<br />
Tenho certeza que não sonhava<br />
A noite linda continuava<br />
E a voz tão doce que me falava<br />
O mundo pertence a nós</p>
<p style="text-align: right;">
<p style="text-align: right;">E hoje a noite não tem luar<br />
E eu estou sem ela<br />
Já não sei onde procurar<br />
Não sei onde ela está</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Portanto, o que tenho para deixar de mensagem final é: Ame, mas não meça o amor, simplesmente ame, seja qual amor for. Talvez quando paramos de racionalizar a vida, podemos perceber o brilho que ela tem por si só e também entender que amor não é para ser simplificado ao cativo das palavras, amor é verbo e como tal precisa ser conjugado.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img data-recalc-dims="1" decoding="async" class="size-full wp-image-3043 alignleft" src="https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/03/Cuidado-integral.png?resize=400%2C200&#038;ssl=1" alt="" width="400" height="200" srcset="https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/03/Cuidado-integral.png?w=400&amp;ssl=1 400w, https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/03/Cuidado-integral.png?resize=300%2C150&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Será que é amor? [Bastidores de Você]</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Robson Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Jul 2020 14:51:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bastidores de Você]]></category>
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<p>Amor, o sentimento, cantado em prosa e verso pelos poetas, músicos cantores, sempre tem a capacidade de nos inspiram, nos deixam leves e nos fortalecem. Afinal de contas, o amor é, como diria <strong>Shakspeare</strong>, <em>“aquilo que não se vê com os olhos mas com o coração”</em>.</p>
<p>Aliás, amor é o substantivo do verbo amar, portanto deve ser conjugado em todas as pessoas. Já o substantivo, na língua portuguesa, é aquilo que evidencia a essência de algo e como essência é essencial à vida.</p>
<p>O amor não se confunde com a paixão, que apesar de ter sua importância, tal como uma febre para indicar que o corpo está adoecido, a paixão é o fogo que acende a alma. O fogo, esse elemento essencial para a existência humana, por facilitar a digestão e responsável pelo evolução do cérebro, quando fora de controle, destrói, mata, arrasa.</p>
<p>Sim, de fato o amor precisa da paixão para acender, mas nem de longe, depende exclusivamente dela para viver. Me recordo do poema de<strong> Bruno Aparecido</strong>, que diz o seguinte:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;">Fogo para mim é igual a paixão.</p>
<p style="text-align: right;">Paixão é composta por fogo.</p>
<p style="text-align: right;">Fogo da paixão não é aquele que queima, arde, dói&#8230;</p>
<p style="text-align: right;">É aquele que dá prazer!!</p>
<p style="text-align: right;">O fogo da paixão tem uma faísca de quero mais,</p>
<p style="text-align: right;">uma mistura de diversos amores diferentes,</p>
<p style="text-align: right;">uma miopia de graus Celsius, pra piorar a situação.</p>
<p style="text-align: right;">O fogo da paixão solta faísca pela boca.</p>
</blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em outra coluna escrevi que a palavra paixão tem origem no grego “<em>pathos”, </em>que também gerou palavras como patologia, patológico. Enfim, a paixão, também pode se tornar uma doença, quando ao invés de acender a alma, ela a incendeia.</p>
<p>Quando isso acontece, a paixão deixa de ser saudável, pois mesmo sendo a chama que acende a alma e consequentemente o amor, torna-se um incêndio, e o resultado de todos os incêndios é a redução a cinzas. Cinzas da alma.</p>
<p>Essa paixão que esquenta também pode incendiar. Quando isso acontece vira fonte de sofrimento e leva a danos na autoestima, por isso é necessário estabelecer os limites de um e outro. Gostaria que fosse fácil, mas se definir amor é impossível, como saber o limite entre ele e a paixão?</p>
<p>Enquanto o amor é libertador, a paixão gera um vínculo de dependência emocional que, ao contrário do amor, aprisiona o indivíduo devido ao apego excessivo.</p>
<p><strong>Nietzsche</strong> distinguiu do amor das outras coisas do mundo. Segundo o autor, o amor está na própria realização do ser. Para ele: <em>“a melhor cura para o amor é ainda aquele remédio eterno: amor retribuído”.</em></p>
<p>Dizer do amor é tão difícil que podemos lembrar de <strong>Camões</strong>. Para ele o amor é: <em>“um não sei quê, que nasce não sei onde, vem não sei como, e dói não sei por quê”</em>. <strong>Fernando Pessoa</strong>, por sua vez dizia: “quem ama nunca sabe o que ama; nem sabe por que ama, nem o que é amar”.</p>
<p>Desde a antiguidade tentamos entender o que é o amor. Se tivéssemos essa capacidade, o amor perderia justamente seu maior poder, que é o magnetismo da sua indefinição.</p>
<p>Essa incapacidade de definição repousa no paradoxo existente nele. Uma pessoa que ama, ama aquilo que acredita que o amado possui, colocando o amado em um lugar de possuidor de algo. Em psicanálise nomeamos isso de objeto de desejo do amante.</p>
<p>Por outro lado, o amado, não tem esse aquilo que o amante deseja, mas por não saber que não o tem, aceita entregar ao amante. O amado não sabe o que lhe é amado, mas mesmo não sabendo, ocupa o lugar de objeto do desejo.</p>
<p>Isso não significa objetalizar a pessoa, esse é o erro. Quando confundimos o amor com a paixão e agarramos a ela, o amado se torna objeto, se torna coisa e por isso, torna-se tão destruidor. Coisas prendem nossas almas enquanto o amor é libertador.</p>
<p>A paixão nos inscreve no plano das relações imaginárias, daquilo que se define e que se vê, exatamente por isso que a paixão exige provas, demanda posse, cobra por algo que nunca poderá ser satisfeito e vai criando na pessoa a dor que vai consumindo e transformando em cinzas a sua alma.</p>
<p>A paixão, então, faz com que o outro seja aniquilado, que suas individualidades sejam anuladas, de tal forma que o destino da paixão que não se converte em amor é fazer dos dois um, não pela fusão, mas pelo aniquilamento do outro.</p>
<p>Numa sociedade como a nossa, onde tudo é objetalizado, onde devido a falta de tempo dos pais, o amor acaba sendo supostamente correspondido pela entrega de presentes, pelos tablets, celulares, e tudo mais, fica natural as pessoas passarem a ligar o amor a uma coisa. O amor não é coisificável, por ser indefinível. O amor se liga a sensações e não a coisas.</p>
<p>O verdadeiro amor, como <strong>Lacan</strong> descrevia, está para além do amado. Ele afirmava que “amar é dar aquilo que não se tem para alguém que não o quer”. Assim, numa sociedade coisificada, onde comerciais de tv falam que amar é presentear, é dar algo material, sendo que na verdade o amor é intangível, fica fácil confundir as coisas e por conta da confusão, arruinar-se.</p>
<p>Digo de ruína porque ao coisificar as relações, cria-se a dependência do outro, levando ao amante a enterrar a sua própria vida em um ato de automutilação psicológica em que o amor-próprio, o autorrespeito e a nossa essência são oferecidos e presenteados irracionalmente.</p>
<p>Isso leva a não ocorrência da troca que uma relação a dois deveria proporcionar. O que se tem é uma dependência coberta por um falso sentimento de amor. Isso leva a um processo onde a pessoa passa a perder, paulatinamente, a sua personalidade, até se tornar um mero arremedo de pessoa, tal como um acessório do outro. Um corpo em que a alma já não mais está acesa, mas sim, reduzido a uma porção de cinzas.</p>
<p>Não estou pregando contra a paixão, como disse no início do texto, a paixão é a centelha que faz o fogo se acender, mas como todo fogo deve ser controlado para que a chama, ao invés de destruir tudo, passe a aquecer a alma, transformando a lenha que temos em nossa alma em brasa que vai nos permitir cozinhar os pratos, doces, salgados, amargos e ácidos da vida, tornando tudo mais gostoso e mais fácil de ser digerido.</p>
<p>Não existe amor sem paixão, mas também não pode haver paixão sem amor. Saber diferenciar é fundamental para uma vida mais leve e libertadora, pois mesmo sabendo da impossibilidade de definição do amor, é possível perceber se a situação vivida é apenas amor ou paixão. No final das contas, a paixão causa dependência, enquanto o amor, como sentimento da pessoa, é absolutamente libertador.</p>
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		<title>Todo mundo é substituível? NÃO! [Bastidores de Você]</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Robson Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 20 Jun 2020 14:18:46 +0000</pubDate>
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<p>Em 1920, todos os lobos do Parque Nacional de Yellowstone (EUA) foram extintos. Isso trouxe um grande desequilíbrio ambiental, de tal modo que até os leitos dos rios mudassem, seu curso normal, por conta de assoreamento.</p>
<p>Você deve estar estranhando que a retirada de um animal, que habitava o topo da cadeia alimentar fosse capaz de mudar todo o ecossistema para pior. Aprendemos que a cadeia alimentar se organiza de baixo para cima, ou seja, dos menores até chegar ao predador máximo.</p>
<p>Pois bem, com a falta dos lobos, os alces e veados não tinham mais predadores naturais, por conseguinte, sua população aumentou vertiginosamente. Isso levou a um aumento de demanda por comida e eles passaram a comer os brotos da árvores causando um desequilíbrio na floresta e que também levou a diminuição da população de castores, e isso afetou o ecossistema dos peixes. Pássaros deixaram de se manter no local por falta de alimento e muito mais ocorreu</p>
<p>Em 1995 os lobos foram reintroduzidos no parque, fazendo com que alces e veados se vissem compelidos a adotarem um padrão de comportamento mais seguro, obrigando-os a se refugiarem nas terras mais elevadas. Isso diminuiu as suas área de pastagem e, por conseguinte, permitiu que as árvores se desenvolvessem. Árvores mais altas significam mais aves, insetos, e mais castores. Esses, veja só, com suas barreiras, criaram represas que atraíram lontras, patos, peixes e anfíbios.</p>
<p>Os lobos também caçam coiotes que, por sua vez, caçam pequenos roedores tais como coelhos e ratos. Menos coiotes a população desses roedores cresceu, atraindo de volta para o parque falcões, doninhas e raposas. Texugos e corvos chegaram para se alimentar das sobras das caças dos lobos. Ursos também apareceram, em parte pela caça farta, mas também pelo aumento das frutas nas árvores e arbustos.</p>
<p>O crescimento da mata afetou as margens dos rios, pois as raízes reduzem a erosão. Os rios tiveram seus cursos estabilizados, passaram a formar piscinas naturais, e os canais estreitaram.</p>
<p>Pois bem, valho-me dessa história para mostrar justamente o tema proposto, que na verdade ninguém é substituível, pois fazemos todos parte de uma cascata trófica, somos todos uma só corrente e nos interconectamos com o todo.</p>
<h4><strong>Vamos olhar de perto de onde vem a ideia de que todos somos substituíveis.</strong></h4>
<p>Nossa sociedade tem a péssima mania de colocar-nos a ideia de que somos substituíveis. Isso se deu porque nossa sociedade ficou cega pelo Ter, pelo trabalho e pelo acúmulo de riqueza. Assim, se uma pessoa desempenha uma determinada função em um trabalho, tendemos a imaginar que essa pessoa pode ser substituída por qualquer outra que com o devido treinamento, poderá fazer a mesma coisa.</p>
<p>A história da arte nos mostra que isso não é verdade, nunca mais vai existir um <strong>Mozart</strong>, um <strong>Picasso</strong>, <strong>Da Vinci</strong>, então, na verdade começamos a perceber que ninguém é realmente substituível. Mas aí você deve estar pensando, mas um “apertador de parafuso” pode ser qualquer pessoa. Se você pensou justamente isso, acabou de concordar com o argumento de que mudamos tanto, que o Ter passou a ser mais importante do que o Ser.</p>
<p>Lembro aqui uma frase de <strong>Marcos Costa</strong>: “A tua ausência é a amplitude do desejo para a substituição.” Ora, isso nos leva a pensar algo mais profundo, pois imaginemos a pessoa que você mais ama no mundo, seja ela quem for. Seja o amor de uma mãe por seus filhos, de um casal enamorado. Se algo acontecer, contra a vontade deles e um não mais existir, não haverá outra pessoa que irá substituir esse amor.</p>
<p>Ainda que uma mãe perca um filho e depois venha ter outro, o amor, por mais que digamos que seria o mesmo, na verdade não é. Tal amor é por si só diferente, mesmo porque as pessoas são diferentes e a relação de amor é sempre uma experiência única para aqueles que se amam. O amor sim, este é insubstituível.</p>
<p>O que posso substituir é o que o outro faz, nunca, jamais a outra pessoa. Como dizia Cortella: “eu sou único mas não sou o único” e penso que essa é exatamente a fonte de muitas de nossas angústias, pois nossa sociedade tem o condão de reconhecer alguém pelo seu valor externo e não interno.</p>
<p>A dinâmica do desejo é a sua insaciedade. Desta forma, como nossa “civilização” mudou o paradigma, valorizando mais o ter (externo ao sujeito) do que o ser (interno a ele) é que esse discurso falacioso de que todos são substituíveis ganha espaço em demasia.</p>
<p>Nossa sociedade transformou o querer em sinônimo de desejo, e também trouxe para nossa vida, que desejar está sempre ligada a algo material, naquele discurso tipo “eu desejo ter um carro X”, “eu desejo ter uma casa assim”, “eu desejo isso ou aquilo”. Enfim, a sociedade coisificou o desejo.</p>
<p>Acontece que no nosso inconsciente o desejo é sempre insatisfeito, sempre carece de algo e aí repousa o conflito, pois quando conseguimos aquela roupa que desejávamos comprar, aquela viagem que ansiávamos fazer acabamos por satisfazer nosso querer e não nosso desejo e assim a coisa perde relevância.</p>
<p>O querer, ousando discordar de <strong>Schopenhauer</strong> que também usa a expressão desejo, é sempre de algo que possui um valor externo a si. O carro tem valor pela utilidade dele, uma casa tem valor por sua utilidade, até mesmo o amor, nos dias de hoje, tem valor por sua utilidade em si.</p>
<p>Assim, paulatinamente, fomos perdendo nossa essência e, por conta disso, fomos nos coisificando, passamos ter valor não pelo que somos, mas por pela nossa utilidade, em outras palavras, fomos reduzidos a um fator externo a nós e não pela nossa essência.</p>
<p>Schopenhauer falava que somos marionetes do nosso querer e, por conta disso, ficamos presos a essa dinâmica de buscar exatamente esses “quereres” e, na sociedade consumista atual, nada mais “lógico”.</p>
<p>Assim, termino dizendo dois pontos para que você, pessoa desejosa, reflita um pouco: até onde você está querendo ao invés de desejar, pois seu desejo é que vai trazer a sua felicidade. O desejo tem um valor por si mesmo, interno a você enquanto o seu querer está depositado em um objeto externo e com utilidade externa a você. O segundo ponto consiste em destacar que, assim como os lobos em Yellowstone recuperaram o meio ambiente, quando é que você vai introduzir o lobo na sua vida e notar que apesar de você não ser a única pessoa no universo, você é único e portanto insubstituível, o seu real valor repousa em você e não no seu trabalho, no seu carro ou no seu status. Sua maior riqueza é você, reintroduza você no seu mundo e verá que a vida se tornará mais suave.</p>
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		<title>Relações tóxicas [Bastidores de Você]</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Robson Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 06 Jun 2020 11:30:15 +0000</pubDate>
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<p>Antes de tudo, destaco um erro, muito comum nas pessoas. Muitas acreditam que somente podem ser vítimas de uma relação tóxica nos casos de namoro ou casamento. Isso é um engano. As pessoas podem ser vítimas dessa forma de relação em qualquer campo afetivo, seja amoroso, familiar ou ainda no campo da amizade.</p>
<p>Se posso resumir o exemplo de uma relação tóxica na situação em que o relacionamento com o outro, ao invés de fazer sentir bem, de trazer bons sentimentos, traga dor e aborrecimentos reiterados. Não estou dizendo que amizades, namoros ou qualquer outra interação humana não trará, de vez em quando, algum incômodo, meu ponto é aquela relação que somente traz sofrimento.</p>
<p>Existem várias formas de relação tóxica e passo agora mostrar algumas, dentre elas.</p>
<p>A primeira é formada por aquelas relações nos quais as pessoas têm sempre razão e o outro somente tem razão. Nestas relações, os outros, muitas vezes, por conta de sua própria insegurança, nunca admitem que estejam errados e mais, essas pessoas, por não se sentirem confiança em si mesmo, criam uma máscara de senhores da razão.</p>
<p>Isso acontece muito, nas relações de emprego, onde o chefe, por não reconhecer em si a incapacidade de comandar impõe aos empregados sua posição e ainda costuma dizer frases do tipo: Aqui eu mando e você obedece.</p>
<p>Uma outra forma de identificar uma relação tóxica acontece quando o outro faz você sentir-se culpado de tudo. O interessante, novamente, é que essas pessoas nunca assumem seus erros, pois projetam no outro a culpa. Aliás, essa é mais uma forma de defesa do ego, pois, ao projetar no outro a culpa, em certa medida, defendendo-se de si mesmo.</p>
<p>Também encontramos aquelas pessoas que, por conta de sua estrutura psíquica, tendem a diminuir seus problemas ou suas conquistas. Estas, na verdade, possuem um grande senso de desvalor e uma necessidade de ser o centro das atenções que ninguém, ao seu redor, pode ter um problema ou uma conquista maior do que ela.</p>
<p>Há muitos outros exemplos, mas já deu para perceber algumas coisas: a primeira é que a pessoa tóxica, no fundo é uma grande sofredora. Pois ela, de maneira geral e inconscientemente sente-se diminuída e carente, isso torna o seu viver muito difícil, porque está sempre em conflito, isto é em atrito com os outros e consigo própria.</p>
<p>Diante disso, o que podemos fazer para evitar sofrer em tais relações?</p>
<p>A primeira coisa a ser feita não é contra a relação em si, mas mergulhar em você mesmo e procurar perceber qual é o motivo de sua permanência nessa relação tóxica, pois sendo honesto consigo mesmo, verá que talvez o problema habite em sua alma.</p>
<p>Para existir uma relação é preciso , no mínimo, a existência de duas partes. Se de um lado temos a pessoa tóxica, de outro temos a pessoa que se deixa intoxicar e seja você, leitor, algoz ou vítima nessa relação eu lhe convido a se questionar e tentar perceber que ambos os lados estão experimentando alguma forma de sofrimento.</p>
<p>A vítima da relação tóxica, normalmente possui autoestima baixa, bem como uma saúde mental fragilizada, devido a uma carência afetiva elevada.</p>
<p>Para ambos, eu recomendo uma boa conversa, verdadeira e franca, de tal forma que as partes se ajustem ou eventualmente se afastem do convívio, caso não sejam possíveis os ajustes.</p>
<p>Em uma relação tóxica, uma das pessoas é transformada em lixeira, na qual a outra deposita todos os seus lixos, assim, infelizmente, pode chegar a hora em que a relação se torne como um prego atravessado no pé, que dificulta nosso caminhar. Deste modo para ir em frente não há outro modo de proceder a não ser arrancar o prego.</p>
<p>Vai doer para tirar, pode até mesmo infeccionar, causar grandes desconfortos, no início, mas ao final sempre haverá a cura, aliás Lulu Santos já dizia:</p>
<p>Enquanto isso<br />
Não nos custa insistir<br />
Na questão do desejo<br />
Não deixar se extinguir<br />
Desafiando de vez a noção<br />
Na qual se crê<br />
Que o inferno é aqui</p>
<p>O mais difícil é justamente entender e aceitar que seus desejos não são errados, e que a vida não precisa ser um inferno para aguentar o prego por conta de uma relação tóxica.</p>
<p>Não se esqueça, sejam nas amizades, trabalho, amores, família, você não é obrigado a se curvar à toxicidade de uma relação, se você se sente assim, procure ajuda.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.instagram.com/espaco_wortel/"><img data-recalc-dims="1" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-3043" src="https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/03/Cuidado-integral.png?resize=400%2C200&#038;ssl=1" alt="" width="400" height="200" srcset="https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/03/Cuidado-integral.png?w=400&amp;ssl=1 400w, https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/03/Cuidado-integral.png?resize=300%2C150&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a></p>
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		<title>Narcisismo e autoestima&#8230; [Bastidores de você]</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Robson Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 May 2020 19:37:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bastidores de Você]]></category>
		<category><![CDATA[Contexto]]></category>
		<category><![CDATA[Robson Paiva]]></category>
		<category><![CDATA[Últimas notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Olá, tudo bem? Hoje converso com você sobre algo importante e muito confundido pelas pessoas: a autoestima. Antes de começar trago para nossa prosa um resumo da história de Narciso. A lenda conta que, quando nasceu, a mãe de Narciso foi avisada pelo adivinho Tirésias, que ele seria muito belo e despertaria o amor de [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img data-recalc-dims="1" decoding="async" class="alignleft wp-image-3861" src="https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/04/Arte-de-Capa-da-Coluna-reduzida-2.png?resize=400%2C400&#038;ssl=1" alt="" width="400" height="400" srcset="https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/04/Arte-de-Capa-da-Coluna-reduzida-2.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/04/Arte-de-Capa-da-Coluna-reduzida-2.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/04/Arte-de-Capa-da-Coluna-reduzida-2.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/04/Arte-de-Capa-da-Coluna-reduzida-2.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/portalcontexto.com.br/wp-content/uploads/2020/04/Arte-de-Capa-da-Coluna-reduzida-2.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" />Olá, tudo bem? Hoje converso com você sobre algo importante e muito confundido pelas pessoas: a autoestima. Antes de começar trago para nossa prosa um resumo da história de Narciso.</p>
<p>A lenda conta que, quando nasceu, a mãe de Narciso foi avisada pelo adivinho Tirésias, que ele seria muito belo e despertaria o amor de muitas donzelas na região. O adivinho disse também que o menino poderia viver por muitos anos, desde que ele nunca admirasse a sua própria beleza. Caso contrário, uma maldição seria lançada sobre ele e lhe causaria a morte.</p>
<p>Narciso, por ser muito bonito, atraia a atenção de todas as ninfas e donzelas da região. Entretanto, preferia viver só, visto que não havia encontrado ninguém que julgasse merecer o seu amor e sua beleza.</p>
<p>A ninfa Eco, por exemplo, foi uma das pessoas que se apaixonou por ele. Porém, ela foi desprezada. Diante do desprezo, lançou, com ajuda dos deuses, uma maldição. Nesta maldição, Narciso iria amar com a mesma intensidade uma pessoa, mas que ele não poderia jamais tê-la em seus braços. E assim aconteceu, pois a deusa da punição, Nêmesis, escutou e atendeu ao pedido da ninfa Eco.</p>
<p>Ao se dirigir para um lago, para beber água, Narciso se inclina e vê sua imagem refletida. Ele se encanta perdidamente, ficando completamente fascinado pela imagem que via refletida no espelho d’água. Devido à sua grande beleza, Narciso é capturado e apaixona-se por sua imagem.</p>
<p>Com certeza é algum espírito das águas que habita esta fonte. E como é belo!&#8221;, disse, admirando os olhos brilhantes, os cabelos anelados como os de Apolo, o rosto oval e o pescoço de marfim do ser. Apaixonou-se pelo aspecto saudável e pela beleza daquele ser que, de dentro da fonte, retribuía o seu olhar.</p>
<p>Comecei contando, de modo resumido a lenda, porque compreender o mito é fundamental para captar uma série de questões que estamos passando nos dias de hoje, pois muitas pessoas acreditam que autoestima elevada está ligado à beleza externa. Muito por conta do discurso atual da sociedade, onde o belo e o desejado reside apenas na casca de uma pele impecável, de um poder econômico, em outras palavras, na sociedade atual o que importa não é mais o Ser e sim o Ter.</p>
<p>Não estou dizendo que é errado cuidar do corpo, da imagem pessoal, ou de qualquer outra coisa. A primeira questão que coloco é que de nada adianta ter um corpo em frangalhos se no interior a pessoa também está em frangalhos.</p>
<p>Somos pessoas incompletas e com defeitos, com virtudes, aliás, recomendo muito ler meu outro texto, onde falo do mito do amor proposto por Aristófones e também de Eros e Psique, lá exploro a incompletude do ser, texto que você encontra aqui mesmo nessa coluna.</p>
<p>Augusto Branco sintetiza bem o sentimento, não compreendido por uma pessoa dita narcisista:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;">Cultivava a vaidade e a beleza</p>
<p style="text-align: right;">como fonte principal de seu amor próprio</p>
<p style="text-align: right;">e assim, com o passar dos anos e as marcas do tempo,</p>
<p style="text-align: right;">tornava-se a cada dia mais infeliz.</p>
</blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>Pense na vida de Narciso, que se julgava completo sem ser, sem perceber que nunca foi completo, pois ninguém é. Narciso vivia na ilusão de sua plenitude sem jamais tê-la atingido devido a sua “cegueira” para o outro. O Narcisista é um profundo sofredor! Ao contrário do que se pensa, ele está na busca de algo que jamais conseguirá ter.</p>
<p>Lembrando as palavras de Caetano Veloso:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;">Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto</p>
<p style="text-align: right;">Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto</p>
<p style="text-align: right;">É que Narciso acha feio o que não é espelho</p>
<p style="text-align: right;">E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho</p>
</blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>Agora, imagina para Narciso (narcisista) o sofrimento que ele tem em si, pois o narcisista é antes de tudo um incompleto, tal como todos os outros, mas ele também sofre com a “punição”, ao não perceber sua incompletude, jamais encontrará aquilo que lhe completaria, e isso é bem expresso neste fragmento da peça grega, já pelo final Narciso exclama:</p>
<p>Porque me desprezas, bela criatura? E por que foges ao meu contato? Meu rosto não deve causar-te repulsa, pois as ninfas me amam, e tu mesmo não me olhas com indiferença. Quando sorrio, também tu sorris, e responde com acenos aos meus acenos. Mas quando estendo os braços, fazes o mesmo para então sumires ao meu contato.</p>
<p>Suas lágrimas caíram na água, turvando a imagem. E, ao vê-la partir, Narciso exclamou: &#8211; Fica, peço-te, fica! Se não posso tocar-te, deixe-me pelo menos admirar-te.</p>
<p>Não há nada de errado em cuidar do corpo, isso faz bem para a autoestima. Acontece que vivemos em uma sociedade em que as pessoas cuidam somente de si, de sua imagem. Tal como Narciso, não conseguia aceitar Eco, nós não conseguimos aceitar o outro.</p>
<p>De fato, uma mente sã habita um corpo são, mas quando o corpo passa a ser uma tentativa de cura da mente, isso começa a se tornar um problema. Se uma pessoa, por exemplo, tem um complexo de inferioridade grande, muitas vezes vai buscar um corpo supostamente perfeito para tentar, em alguma medida, dar um certo equilíbrio nos seus sentimentos e para isso entregará horas de seu dia nesses cuidados.</p>
<p>O que disse acima da “malhação” é só um exemplo, poderia falar na ânsia por títulos honoríficos, acadêmicos, etc&#8230; É claro que não devemos generalizar, e volto a dizer que se cuidar é excelente, querer crescer profissionalmente, enfim, melhorar é sempre muito bom. O que chamo atenção é a atual forma exagerada com a qual temos feito isso.</p>
<p>Percebe-se, então, que o narcisismo constitui uma possibilidade do indivíduo que caminha na direção de algo mais complicado, porque nele, quando exagerado, a pessoa perde o contato com a realidade. Ele se fecha para o mundo exterior e mergulha em uma busca inútil, ao mesmo tempo em que ele é tolhido da chance de encontrar o seu complemento.</p>
<p>As pessoas, hoje em dia, especialmente por conta das redes sociais, vivem uma ditadura do sucesso e da beleza. Capturados por essa ditadura, o Outro deixa de existir, e dessa forma, o Eu passa a ser o centro gravitacional da pessoa. Isso faz com que, em um limite, a pessoa comece a perder o referencial do outro, e perdendo esse referencial, ela como consequência perde o referencial de si mesma e aí, nasce o falso sentimento de completude, mergulhando a pessoa em um narcisismo doentio, trazendo o sofrimento que Narciso sentiu na beirada do lago.</p>
<p>Acredite ou não, a sua autoestima está ligada à sua mente. Infelizmente ainda existem pessoas que acreditam na “perfeição de ser belo”, ou que vaidade, vai resolver todos os problemas da sua vida. Pois quanto mais admirada, mais completa ela será, o que não é verdade, aliás, como no mito narrado por Aristófones em “O Banquete”.</p>
<p>Sua autoestima não melhora com o cuidado da casca, mas sim com a maneira como você lida com sua incompletude. Ainda que você se ache a pessoa mais linda do mundo, aquela que você vê é uma imagem refletida no espelho. Qual é o ganho real que a imagem fantásmica no espelho vai lhe trazer? Sou obrigado a dizer, não há!</p>
<p>É claro que não estou condenando toda a forma de narcisismo, e por óbvio, há uma certa quantidade de narcisismo necessário. O problema e esse foi o objetivo da coluna dessa semana, é o exagero e a autoestima fora de controle. Aliás, como disse no início do texto, o narcisista, no fundo, bem lá no fundo, não tem uma elevada autoestima, pelo contrário, aliás, como diria Freud: “todo excesso esconde uma falta”.</p>
<p>Assim, quero deixar você, caro leitor(a), com uma frase de Voltaire que define bem o que estamos falando: <em>“Os infinitamente pequenos têm um orgulho infinitamente grande”. </em>E aí, como anda seu narcisismo hoje?</p>
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		<title>O Mito da Caverna, o Amor e o Ego [Bastidores de você]</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Robson Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 May 2020 17:04:09 +0000</pubDate>
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<p>Resumidamente falando, no Mito da Caverna, prisioneiros vivem desde a tenra infância presos em uma caverna onde eles somente conseguem ver as sombras projetadas na parede daquilo que se passa do lado de fora. O que este mito nos mostra é que muitas vezes nos acorrentamos a essa realidade e esquecemos que existe um mundo do lado de fora.</p>
<h4><strong>Realidade x expectativa</strong></h4>
<p>E o que isso tem haver com o amor? Muito e é exatamente isso que vamos falar, pois como diria <strong>Lacan, </strong>“o amor é o mais sublime dos sintomas”. E como tudo no mundo se estrutura com base na linguagem, o amor, sendo um sintoma, também se forma de acordo com a linguagem.</p>
<p>A linguagem, nos dias de hoje está conduzindo as pessoas para o império de si mesmo. Levando as pessoas a um isolamento, interpretando a vida não mais pela beleza que reside fora da caverna, e sim nas falsa projeções da realidade que fazemos em nosso mundo individualizado.</p>
<h4><b>Padronização do que era pra ser espontâneo e livre</b></h4>
<p>Nossa sociedade, acabou por massificar o que venha a ser o amor. Onde haveria uma “forma certa de amar” e que o outro deve-se adequar ao que a pessoa julga como uma forma correta de amor. Vemos isso nos mais variáveis campos da sociedade, onde os filhos ditam aos pais o amor que querem, onde a crença no Divino é dada através da medida em que o sacrifício feito torna Deus devedor daquele que se sacrificou. Ou ainda que a pessoa que irá amar a outra deverá se encaixar no modelo de amor preconizado por aquele amado.</p>
<p>Vive-se em uma sociedade em que o Amor é ditado por essa ou aquela maneira. Mas na verdade, o amor é plural e é uma experiência una, de cada pessoa e cada uma delas, aliás, lembro-me das palavras de <strong>Clarice Lispector</strong>:  “Mas há a vida que é para ser intensamente vivida. Há o amor. Que tem que ser vivido até a última gota. Sem nenhum medo. Não mata”.</p>
<p>Clarice nos ensina justamente isso, que o amor não destrói, somente constrói. Mas o amor existe para ser vivido ao máximo, sem medo, ouvindo o coração. Mas o problema da atualidade é que os corações estão prontos para viver somente para si, onde a persona se torna mais importante do que aquilo que se passa no interior da pessoa.</p>
<h4><strong>Amor não é moeda de troca</strong></h4>
<p>O amor se torna, na atual sociedade, um sacrifício e como tal se torna falso tal como as sombras na caverna. Neste ponto surge a questão onde repousaria a falsidade do amor na atualidade? Na noção de troca, amo se esse amor me der algo. Me sacrifico de uma dada forma para que o outro me entregue aquilo que entendo devido. Em outras palavras, no seu mais elementar, o sacrifício repousa sobre a noção de troca: ofereço ao Outro algo que me é precioso para receber de volta do Outro algo que me é ainda mais vital.  Mantenho-me cativo, para que eu possa viver e receber aquilo que julgo necessário e indispensável.</p>
<p>Em um momento seguinte, temos outra forma de nos enganar. Como se aumentássemos o fogo da caverna para vermos mais coisas, quando disfarçamos o desejo egoístico de troca, passando a fazer isso de forma indireta.</p>
<p>Tal como na alegoria da caverna em que num dado momento as pessoas começam a perceber que há algo lá fora, mas o medo de perder o que está dentro as mantém na mesma posição. Isso encobre a necessidade do sacrifício do outro para o meu prazer. E se o outro entrega da forma ansiada, ainda há a opção de que outro cumpra aquele papel. O mundo lá fora, inclusive todas as catástrofes que podem acontecer, não é uma maquinaria cega sem sentido, mas um parceiro em um possível diálogo. De modo que até um resultado catastrófico deve ser lido como uma resposta significativa, não como um reino de cego acaso.</p>
<p>Dito tudo isso de outra forma, o sujeito ao se “dar” em sacrifício o faz para para preencher a falta no Outro. Para sustentar a aparência de onipotência do Outro ou, ao menos, sua consistência, na esperança de uma troca e que em seu lugar lhe seja ofertado algo mais caro.</p>
<h4><strong>Saia da caverna</strong></h4>
<p>O filme Beau Geste, o clássico melodrama hollywoodiano de aventura, de 1938, mostra justamente isso. A personagem vivida por Gary Cooper que reside com sua tia, furta um colar para evitar que sua família tivesse o nome manchado. Sua reputação é arruinada, sacrificada, mas no fundo ele faz isso para satisfazer na verdade um desejo seu.</p>
<p>No amor verdadeiro, a pessoa dá o que não tem para uma pessoa que não pediu, pois tal como a personagem fez, sacrificando-se a si mesmo para manter a aparência de honra do Outro, para salvar o Outro amado da vergonha e consequentemente ficar em paz consigo mesmo.</p>
<p>Buscar a saída da caverna é na verdade algo muito mais difícil, especialmente em uma sociedade que prega a sua própria realização, a sua própria felicidade, onde tudo e todos têm que se adequear ao desejo do indivíduo.</p>
<p>Para que a flecha de Cupido, para que Eros possa cumprir com sua missão é necessário ser flechado, mas para isso é fundamental sair da caverna, pois sombras não marcam corações.</p>
<p>A existência do amor depende da existência do outro de fato, o outro somente se constitui quando este é reconhecido e para isso é preciso se conhecer verdadeiramente e somente ocorre quando saímos da caverna que habitamos e vamos ao mundo exterior, ver que existem duas grandes coisas no mundo que moldam as pessoas: O Eu e o Não-Eu.</p>
<h4><strong>Ego e amor próprio são coisas muito diferentes</strong></h4>
<p>Longe de ser saudosista e acreditar que o passado era melhor. Mas na atual sociedade o Outro deixa de existir, não havendo dessa forma a sensação de completude que o outro nos trás pelo amor verdadeiro. As projeções cavernosas são na verdade um arremedo da expiação de Narciso que recusa Eco por conta de sua própria beleza. Só que esse amor não é erótico, não se dirige a ninguém, somente para sua própria sombra e por isso não gera completude, logo, torna-se descartável, novamente tal como Narciso fez com a ninfa.</p>
<p>Nesse caos, a pessoa passa a vaguear diante das sombras de si mesmo. Embriagando-se consigo mesmo e acaba por se afogar em si mesmo. Levando não a um amor, mas na verdade a um quadro depressivo. O Outro nos resgata do inferno narcisista e nos trás a completude, verdadeiro significado existencial do amor, enquanto sintoma.</p>
<p>A saída da caverna é a chave para o desvelar o mundo. Bem como, através da visão do outro, entender quem a pessoa é e seu papel. Na verdade sair da caverna é a verdadeira forma de responder ao enigma da esfinge.</p>
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<p>&nbsp;</p>
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