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RenovaDF já capacitou cerca de 2 mil pessoas em situação de rua e promove mudança de vida no DF

 

Histórias como a de Rafaella refletem os impactos do RenovaDF na vida dos participantes, que são capacitados no curso de auxiliar de manutenção enquanto aplicam o conhecimento na reforma de equipamentos públicos. Foto: divulgação GDF

Criado pelo Governo do Distrito Federal (GDF) como política de inclusão produtiva, o RenovaDF já capacitou cerca de 2 mil pessoas em situação de rua desde 2022, promovendo qualificação profissional, geração de renda e reinserção social. O programa reserva 10% das vagas exclusivamente para esse público, aliando formação técnica, acolhimento e acesso ao mercado de trabalho formal.

A iniciativa tem impactado diretamente a vida de pessoas que viviam em extrema vulnerabilidade social, como a estudante Rafaella Vieira, de 23 anos, que hoje tem emprego formal, moradia fixa e voltou a estudar. “Minha vida mudou completamente, foi da água para o vinho”, resume.

Do acolhimento à reinserção no mercado de trabalho

O RenovaDF foi criado em 2021 e passou a reservar vagas para a população em situação de rua em abril de 2022. Desde então, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda (Sedet-DF), 240 pessoas desse público já foram contratadas, atuando em áreas como obras, serviços gerais, limpeza, conservação e funções administrativas no âmbito do GDF.

Além disso, em 2024, o governo determinou que empresas contratadas pelo Distrito Federal reservem 2% das vagas para pessoas em situação de rua e criou 15 cargos comissionados exclusivos para esse público, ampliando as oportunidades de inclusão profissional.

“Foi da água para o vinho”, diz participante do programa

Antes de ingressar no RenovaDF, Rafaella vivia nas ruas, enfrentava a dependência do álcool e havia rompido os vínculos familiares. Sem perspectivas, encontrou no programa a chance de recomeçar. Ainda durante o curso, foi contratada como copeira em um prédio do Departamento de Estradas de Rodagem do DF (DER-DF).

Com renda fixa, direitos trabalhistas e rotina estruturada, Rafaella retomou os estudos e voltou a morar com a mãe e a filha de 8 anos. Atualmente, cursa a educação básica na Escola Meninos e Meninas do Parque (EMMP), da Secretaria de Educação, com previsão de conclusão neste ano.

“Agora eu sonho em passar em um concurso público. São sonhos que antes eu nem conseguia imaginar”, relata.

Política integrada para romper o ciclo da rua

Coordenador do Plano Distrital para a População em Situação de Rua, o secretário-chefe da Casa Civil, Gustavo Rocha, destaca que o trabalho é integrado e vai além da qualificação profissional. “Mapeamos o perfil dessa população e o que faltava ser oferecido: moradia, local para pernoitar, qualificação, escola para os filhos e até espaço para os animais de estimação. Sem trabalho, ninguém rompe o ciclo da rua”, afirma.

A política pública envolve ações de acolhimento, alimentação gratuita nos restaurantes comunitários, criação do Hotel Social, ampliação do atendimento especializado e até oferta de passagens interestaduais para reintegração familiar.

Formação técnica, bolsa e vivência profissional

Durante o RenovaDF, os participantes são capacitados como auxiliares de manutenção, com aulas práticas aplicadas na reforma de equipamentos públicos. Além da formação técnica, recebem orientações sobre ética, comportamento profissional e convivência no ambiente de trabalho.

Os alunos têm direito a bolsa equivalente a um salário mínimo, desde que cumpram ao menos 80% da carga horária, além de lanche diário, uniforme e equipamentos de proteção individual. Os 25% com melhor desempenho seguem para a chamada vivência profissional, realizada em grandes empresas do setor da construção civil, em parceria com o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-DF).

Articulação entre políticas sociais e trabalho

A seleção dos participantes ocorre de forma articulada com a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF), por meio dos Cras, Centros POP e Creas, que fazem a triagem das pessoas em situação de vulnerabilidade. Os nomes são encaminhados à Sedet-DF, que realiza a indicação conforme o perfil exigido pelas empresas.

Para o subsecretário de Atendimento ao Trabalhador e Empregador da Sedet, Ilton Teixeira, os resultados comprovam a efetividade do programa. “De 2022 para cá, já contratamos 240 pessoas em situação de rua que hoje estão trabalhando e tiveram sua dignidade de volta”, destaca.

 

 

 

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