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Investimentos em 2026: como atravessar eleições, juros altos e incerteza fiscal sem perder o rumo

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Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

O segundo semestre de 2026 começou com um cenário desafiador para os investidores: volatilidade elevada, taxas de juros ainda em patamares restritivos e incertezas fiscais no horizonte. Para o economista Daniel Abrahão, do Grupo Fatorial, a receita para navegar esse ambiente não é surpreendente, mas exige disciplina: cautela, diversificação e foco nos fundamentos econômicos, em vez de reagir a cada movimento de curto prazo.

Embora o calendário eleitoral costume amplificar a sensibilidade dos ativos, Abrahão avalia que parte relevante desse risco já está precificada pelo mercado. “Não há surpresa gigante esperando para outubro, o cenário já está parcialmente refletido nos preços de hoje. Quando um candidato sobe nas pesquisas, a remarcação ocorre em tempo real”, afirma.

Volatilidade maior, mas dentro do esperado

Estudos citados pelo economista mostram que a volatilidade média mensal do Ibovespa sobe de 27,3% para 30,2% em anos eleitorais, um aumento de 10,6%. Apesar das oscilações adicionais, o histórico indica que esses períodos não costumam mudar tendências de longo prazo. Para a assessoria de investimentos do Grupo Fatorial, fatores estruturais como inflação, juros, atividade econômica e trajetória fiscal continuam sendo os principais direcionadores de Bolsa, câmbio e renda fixa, com impacto mais duradouro do que eventos pontuais do calendário político.

Responsabilidade fiscal no radar

O mercado, segundo Abrahão, não teme eleições em si, mas sim sinais de que a próxima administração possa ignorar a responsabilidade fiscal. Anúncios relacionados a gastos públicos, arrecadação e reformas estruturais seguem sendo monitorados de perto pelos investidores institucionais, e momentos de maior estresse costumam estar associados a dúvidas sobre a condução econômica, não apenas ao processo eleitoral.

Planejamento de longo prazo e oportunidades táticas

A recomendação é evitar mudanças bruscas de carteira motivadas por ansiedade. Estratégias construídas para o longo prazo não devem ser abandonadas em períodos de maior volatilidade. “Um investidor com planejamento sólido, carteira diversificada e horizonte adequado não precisa se preocupar com ciclos eleitorais. A estratégia fundamental não muda. Quando houver, os ajustes devem ser apenas táticos”, afirma.

O economista também lembra que movimentos de correção podem abrir espaço para oportunidades seletivas em ativos de qualidade. Ele cita o exemplo das eleições de 2002, quando o Ibovespa acumulou retorno de 295% entre 2003 e 2006, após um momento considerado de máxima tensão pelos investidores. “O histórico demonstra que investidores disciplinados, bem assessorados e com estratégia clara não são quebrados por ciclos eleitorais, mas sim fortalecidos por eles, já que aproveitam quedas para reposicionar em ativos de qualidade”, conclui.

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