
Em “Governança em Tempo Real”, que será lançado em 22 de outubro, Eduardo Carvalho Nepomuceno Alencar analisa os limites dos sistemas de controle, defende o uso de evidências para antecipar riscos e alerta que, quando falta governança, a inteligência artificial pode ampliar falhas e dar escala a decisões equivocadas
O servidor público federal Eduardo Carvalho Nepomuceno Alencar lança nesta quinta-feira (22) seu primeiro livro: “Governança em Tempo Real: como o Brasil pode parar de fingir que governa”. Na obra, o autor analisa por que leis, auditorias, indicadores e sistemas digitais nem sempre são suficientes para evitar falhas na administração pública e o que precisa mudar para que as informações disponíveis ajudem a melhorar as decisões. O lançamento acontece a partir das 19h, na Livraria Leitura do Terraço Shopping, em Brasília.
Com mais de 20 anos de experiência no setor público, Alencar investiga a distância entre o que o Estado sabe e o que faz com esse conhecimento. O autor chama de “governança por intuição” a prática de tomar decisões com base em percepções, pressões políticas e resultados presumidos, sem avaliar adequadamente riscos e evidências.
“Os governos aprenderam a elaborar uma linguagem sofisticada quando o assunto é governança. Também construíram instrumentos formais em torno de conceitos como integridade, transparência e accountability, mas continuam tomando decisões e ampliando políticas públicas sem conseguir demonstrar, com rigor suficiente, se elas funcionam”, escreve.
Um dos exemplos discutidos no livro são os descontos indevidos e desvios envolvendo aposentados e beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Alencar propõe investigar não apenas as irregularidades, mas também as condições que permitiram sua ocorrência e por que os mecanismos de controle não conseguiram impedir ou identificar os problemas a tempo. Em situações que envolvem grandes volumes de recursos e milhões de pessoas, defende, é preciso cruzar informações, identificar padrões anormais e apurar reclamações antes que os prejuízos aumentem.
Nas compras públicas, a proposta é usar dados administrativos e ferramentas analíticas para identificar sinais de risco antes que possíveis irregularidades ganhem dimensão. “O desafio está em fazer as perguntas certas aos próprios dados. Quando o poder público só examina o que aconteceu depois que o prejuízo já ocorreu, acaba administrando escândalos. Ao aprender a identificar sinais sutis de risco, passa a atuar de forma preventiva. Essa mudança depende menos da tecnologia disponível e mais da disposição das instituições para transformar dados em inteligência, inteligência em decisões e decisões em aprendizado”, afirma.
Inteligência artificial pode acelerar erros
O livro também examina o uso da inteligência artificial na administração pública. Embora a tecnologia amplie a capacidade de analisar informações e identificar padrões, sua adoção não corrige processos mal desenhados nem substitui critérios claros de atuação. Dados inadequados, modelos pouco transparentes e falta de supervisão podem acelerar procedimentos sem melhorar as decisões. Por isso, Alencar defende auditoria, explicabilidade, responsabilização e mecanismos que permitam contestar resultados produzidos por sistemas de IA.
A avaliação de políticas públicas é outro eixo da obra. Cumprir metas ou registrar uma melhora em indicadores não comprova, por si só, que uma iniciativa causou aquele resultado. Para medir seu impacto, o autor defende comparar o cenário observado com o que provavelmente teria ocorrido sem a intervenção, método conhecido como contrafactual. Essa análise pode orientar decisões sobre manter, ajustar ou encerrar políticas públicas.
A proposta de governança em tempo real apresentada pelo autor reúne essas frentes: produzir dados confiáveis, identificar riscos, acompanhar resultados e incorporar as conclusões às decisões de gestão. “Não se trata de reagir a cada crise nem de apostar em uma ferramenta isolada, mas de criar rotinas para que o Estado reconheça problemas mais cedo e aprenda com os próprios erros. A mudança depende da capacidade de conectar informação, controle e avaliação às escolhas que afetam a vida da população”, conclui.
Serviço
Livro: Governança em Tempo Real: como o Brasil pode parar de fingir que governa
Autor: Eduardo Carvalho Nepomuceno Alencar
Editora: Juspodivm, 2026
Extensão: 216 páginas
Lançamento: 22 de outubro de 2026, quinta-feira, às 19h
Local: Livraria Leitura do Terraço Shopping, Sudoeste, Brasília
Confirmação de presença: Link
Compra: venda no dia do lançamento exclusiva na livraria; demais canais em Link