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Do breaking ao grafite: nova série revela bastidores da cultura urbana no DF

Foto: divulgação

O que acontece quando a cultura urbana deixa de ser vista como entretenimento periférico e ocupa seu lugar como território legítimo de formação, pensamento crítico e transformação social? É essa pergunta que atravessa os quatro episódios de “Culturas Urbanas”, documentário já disponível no YouTube que traça um retrato potente e sensível das manifestações artísticas que pulsam no Distrito Federal.

Com realização do IBRANOVA e produção de Juno, Nove Zero Um e Carol Cortez, a série não se limita a registrar cenas da cena cultural brasiliense. Cada episódio mergulha na trajetória de personagens que transformaram a arte em ferramenta de pertencimento, resistência e construção de novas possibilidades para jovens da periferia e, no caminho, revela como a dança, o rap, o grafite e a moda podem ressignificar a relação com a cidade e com a própria identidade.

Episódio 1: Fab Girl e o breaking como território de afeto

A abertura da série apresenta Fabiana Pereira, a Fab Girl, dançarina e educadora que encontrou no breaking um caminho de reconexão com sua própria história. Mais do que uma manifestação coreográfica, a dança se revela, em sua trajetória, como território de afeto, ancestralidade e transformação coletiva. O episódio mostra como o breaking, nascido nas periferias de Nova York e adaptado ao solo brasiliense, tornou-se ferramenta de formação de jovens e de ocupação simbólica de espaços.

Episódio 2: Batalha da Escada — rima improvisada e pensamento crítico

O segundo episódio desloca o olhar para a Batalha da Escada, tradicional encontro de rimas improvisadas na Universidade de Brasília (UnB). Ali, o que pode parecer uma disputa entre MCs se revela como um ecossistema de formação, pensamento crítico e fortalecimento comunitário. O episódio mostra como a rima, naquele espaço, se transforma em instrumento de expressão política, acolhimento e construção de identidade para jovens que encontram na poesia marginal um lugar de fala e de escuta.

Episódio 3: Pedro Sangeon e a cidade como tela

No terceiro episódio, a capital federal vira tela. A partir da trajetória de Pedro Sangeon, artista visual que utiliza o espaço público como território de reflexão e sensibilidade, a série explora como a arte urbana pode criar novos territórios simbólicos. Suas obras, que convidam o passante a pausas, ao estranhamento, à contemplação, propõem uma ressignificação da relação com a cidade, ampliando o olhar sobre o cotidiano e sobre o próprio espaço que habitamos.

Episódio 4: Verdurão — moda, skate e o orgulho de ser de Brasília

O último episódio fecha a série com uma narrativa sobre construção de identidade. Wesley Santos, criador da Verdurão, uma marca que nasceu no Conic e se tornou símbolo da cultura urbana brasiliense, protagoniza uma história que entrelaça moda, skate e as ruas da capital. O episódio revela como o empreendedorismo periférico pode afirmar o orgulho de pertencer a Brasília, traduzindo em linguagem estética uma identidade em constante transformação e mostrando que a cultura urbana também se veste, se comercializa e se expande como movimento econômico e simbólico.

Mais que documentário: um retrato da periferia que cria

Mais do que um registro audiovisual, “Culturas Urbanas” se apresenta como um retrato sensível e contemporâneo das periferias e da cidade. Com estética vibrante, narrativa ágil e um olhar que recusa o lugar comum do “documentário sobre pobreza”, a série propõe uma inversão de chave: os protagonistas não são coadjuvantes de suas histórias, mas sujeitos ativos na produção de conhecimento, arte e transformação social.

A cultura urbana, como os episódios deixam claro, não é apenas o que se consome nos grandes festivais ou o que vira tendência nas passarelas. É, antes de tudo, o que acontece todos os dias nas bordas da cidade nos encontros de breaking, nas escadarias da UnB, nos muros pintados, nas marcas que nascem do chão e ganham o mundo.

“Culturas Urbanas” já está disponível no YouTube. A série é uma realização do IBRANOVA, com produção de Juno, Nove Zero Um e Carol Cortez.

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