
O futebol continua sendo a maior paixão nacional, mobilizando torcedores, movimentando bilhões e dominando a atenção da mídia. Mas o comportamento esportivo dos brasileiros mudou nos últimos anos. Modalidades como corrida de rua, beach tennis, futevôlei, triathlon e golfe registraram crescimento expressivo no número de praticantes, investimentos e infraestrutura, indicando que o país passou a viver uma nova cultura esportiva, mais plural e conectada a valores como qualidade de vida, bem-estar e experiências ao ar livre.
Esse movimento ocorre em um momento emblemático para o futebol brasileiro. Desde o penta em 2002, a Seleção não voltou a disputar uma final de Copa do Mundo, e o desempenho abaixo das expectativas nas últimas edições coincidiu com o fortalecimento de esportes impulsionados pela busca por saúde e longevidade. Os exemplos são numerosos: a corrida de rua saltou de 13 milhões para 15 milhões de praticantes entre 2024 e 2025; o beach tennis cresceu de 400 mil para 1,5 milhão de adeptos no mesmo período; e o golfe, antes restrito a clubes fechados, hoje conta com 117 campos e cerca de 20 mil praticantes, quase o dobro de uma década atrás.
O triathlon também se democratizou, atraindo cada vez mais atletas estreantes e movimentando destinos turísticos com eventos de grande porte, como o TRIDAY Series e o circuito IRONMAN. O crescimento dessas modalidades reflete uma mudança geracional: os brasileiros não querem mais apenas assistir ao esporte, mas praticá-lo, incorporando a atividade física ao estilo de vida.
Para a Confederação Brasileira de Golfe (CBGolfe), o fenômeno não representa uma perda de força do futebol, mas uma transformação cultural. O vice-presidente da entidade, Felipe Almeida, destaca que o futebol continuará sendo a principal paixão nacional por muito tempo, mas que hoje existe uma geração que busca participar, viver experiências e incorporar o esporte à rotina, abrindo espaço para modalidades que antes tinham pouca visibilidade.
Essa mudança também tem impacto econômico. O esporte deixou de ser apenas entretenimento e passou a integrar um mercado movido por consumo de experiências, turismo esportivo, tecnologia e bem-estar. Academias especializadas, arenas de areia e assessorias esportivas se multiplicam pelo país, acompanhando a demanda por práticas diversificadas.
O resultado é um Brasil onde o futebol segue no topo da pirâmide esportiva, mas já não ocupa sozinho o centro das atenções. O país, que antes era reconhecido quase exclusivamente pelo futebol, agora também se destaca pelo crescimento consistente de modalidades que refletem novos hábitos, novos perfis de praticantes e uma visão mais ampla sobre saúde e qualidade de vida. “Quanto mais brasileiros praticam esporte, mais forte se torna o ambiente esportivo do país como um todo. Não se trata de substituir o futebol, mas de ampliar possibilidades”, conclui Almeida.