
Devorar a tradição e engolir o mundo para criar a arte de um Brasil livre. É essa a chama da antropofagia dos modernistas brasileiros que renasce em cena com a Agrupação Teatral Amacaca (ATA) dentro e fora do espaço do Museu Nacional da República. O grupo apresenta o espetáculo “Futuro do Passado”, em cartaz até sábado (24 de outubro). As sessões, que começam nesta terça (20 de outubro) são sempre às 20h. Os ingressos estão disponíveis a R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia) pela plataforma Sympla: bit.ly/ATAFuturoPassado26.
A montagem, que estreou em 2023 no mesmo local, estabelece diálogo com a Semana de Arte Moderna de 1922 e faz uma provocação crítica a respeito do nascimento e ascensão do modernismo brasileiro. Iniciado no campo da arte, o movimento se expandiu para vários outros setores.
“Futuro do Passado” é uma obra coletiva, criada por todo o elenco, com coordenação geral de Márcia Duarte e direção cênica de Abaetê Queiroz, ambos integrantes do grupo. Foi concebida em homenagem a Hugo Rodas, premiado diretor e professor teatral uruguaio, radicado em Brasília desde a década de 1970. Hugo conduziu os trabalhos da ATA desde sua fundação, em 2011, até seu falecimento, em 2022. A temporada atual da montagem é realizada com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), da Secretaria de Cultura e Economia Criativa.
A peça conduz o público por diversos espaços do Museu Nacional, em uma experiência cênica que une teatro, dança, música e artes visuais. A proposta é voltar para 1922 com o olhar de 2026. “Pensar, celebrar e criar inspirados nesse marco é tarefa incontornável. A relevância do tema é incontestável nesse momento em que a negação de conhecimentos consolidados, de conquistas culturais, sociais e políticas se infiltra no tecido social, na tentativa de restaurar hegemonias de pensamento há tempos contestadas”, afirma Márcia Duarte.
Para o diretor cênico, o desafio do trabalho tem várias frentes. “Ocupar um lugar tão simbólico, tombado como patrimônio cultural, com cenas, música, performances, instalações, e ainda guiar o público pelo trajeto espacial e dramatúrgico que concebemos é uma responsabilidade imensa. Estamos compartilhando não somente palavras, efeitos visuais ou entretenimento. O que estamos fazendo, acima de tudo, é dividir com o público nossos questionamentos sobre o Brasil que temos e os sonhos de país que queremos”, acentua Abaetê Queiroz.
Além de Abaetê e Márcia, estão no elenco Camila Guerra, Dani Neri, Diana Porangas, Flávio Café, Iano Fazio, Juliana Drummond, Pedro Tupã e Victor Abrão. A coordenação técnica é de Rodrigo Lélis e Jefferson Landim. O figurino é criado por Juliana e Diana, com colaboração de Marcus Barozzi. As projeções são de Thiago Sabino, e a produção é de Marina Olivier, responsável pela Divina Produções.
Acessibilidade – A sessão do dia 20/10, terça-feira, terá interpretação em Linguagem Brasileira de Sinais (Libras). Já a sessão de 23/10, sexta-feira, contará com guia para cegos e audiodescrição.
SERVIÇO
Futuro do Passado
De 20 a 24 de outubro de 2026 (terça a sábado)
Sempre às 20h
Museu Nacional da República
Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia) via Sympla bit.ly/ATAFuturoPassado26