
Tempo seco aumenta risco de problemas respiratórios, irritação nos olhos, sangramento nasal e queimadas; veja como se proteger durante o período mais crítico da seca
O Distrito Federal está sob alerta laranja de baixa umidade do ar nesta sexta-feira (14) e no sábado (15), com previsão de índices entre 20% e 12%, principalmente durante as tardes. A condição é classificada como de perigo pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e aumenta o risco de incêndios florestais e de impactos à saúde, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.
Segundo a Agência Brasília, a região do Gama pode atingir 12% de umidade relativa do ar na tarde desta sexta-feira. O menor índice registrado no DF desde o início de agosto foi de 13%, no dia 10, na estação meteorológica do Gama, em Ponte Alta. Caso a umidade fique abaixo de 12%, o nível de severidade passa a ser vermelho, considerado de grande perigo.
O período mais crítico é a tarde, quando as temperaturas sobem e a umidade tende a cair. A previsão indica que índices iguais ou inferiores a 12% ainda podem ser registrados até pelo menos segunda-feira (17). A partir de terça-feira (18), a umidade deve apresentar pequena elevação, ficando em média entre 30% e 35%, mas ainda em patamar considerado baixo. Não há previsão de chuva para os próximos dias.
Por que o DF está tão seco
A baixa umidade é provocada pela atuação de uma massa de ar quente e seco, associada à estabilidade atmosférica e à ausência prolongada de chuva. Essas condições dificultam a formação de nuvens e mantêm o tempo aberto no Distrito Federal.
O Inmet também monitora a possibilidade de uma onda de calor em partes da Amazônia, Centro-Oeste e Sudeste. Para que o fenômeno seja oficialmente caracterizado, as temperaturas máximas precisam permanecer pelo menos 5°C acima da média por cinco dias consecutivos. Até o momento, segundo o instituto, essa condição ainda está em avaliação.
No Centro-Oeste, a previsão para sexta-feira indica poucas nuvens em grande parte da região. Para Brasília, a temperatura pode chegar a 31°C no sábado, em um cenário de ar seco e pouca nebulosidade.
O que significa alerta laranja de baixa umidade
A Defesa Civil classifica a situação conforme os níveis de umidade relativa do ar. Entre 21% e 30%, pode ser decretado estado de atenção. Quando os índices ficam entre 12% e 20%, a condição passa para estado de alerta. Abaixo de 12%, o cenário é de emergência.
Com umidade entre 20% e 12%, o ar muito seco dificulta a dispersão de poluentes, resseca as mucosas das vias respiratórias e favorece crises de asma, alergias e infecções virais e bacterianas. Associado ao calor, o tempo seco também potencializa queimadas e incêndios florestais.
Quais problemas de saúde podem aparecer
Nariz, garganta, olhos e pele estão entre as partes do corpo que mais sentem os efeitos da seca. Entre os sintomas mais comuns estão ardência, irritação, tosse seca, olhos vermelhos, boca seca, pele ressecada, obstrução nasal, formação de crostas e sangramento no nariz.
Segundo orientação divulgada pela Agência Brasília, a baixa umidade resseca a mucosa nasal e pode provocar pequenas fissuras, facilitando sangramentos, especialmente quando a pessoa assoa ou cutuca o nariz. Pessoas com rinite, asma, bronquite, enfisema e outras doenças respiratórias podem perceber piora dos sintomas.
O Ministério da Saúde também alerta que a baixa umidade, especialmente quando associada a temperaturas mais altas, aumenta a presença de micropartículas, pólen, bactérias, mofo e fungos no ar, fatores que podem agravar quadros respiratórios e alérgicos.
Lavagem nasal pode ajudar, mas exige cuidado
A lavagem nasal com soro fisiológico é uma das medidas recomendadas para aliviar o desconforto provocado pelo tempo seco. O soro ajuda a remover partículas, secreções e crostas, além de manter a mucosa hidratada.
O cuidado, no entanto, deve ser feito de forma correta. Especialistas alertam que não se deve aplicar dentro do nariz produtos que não foram formulados para uso nasal, como óleos, pomadas, água oxigenada ou soluções caseiras. O uso prolongado de descongestionantes nasais vasoconstritores também exige atenção, pois pode causar efeito rebote e piorar a obstrução nasal.
A recomendação é usar soro fisiológico próprio para aplicação nasal e procurar atendimento médico se houver sangramento frequente, volumoso, sem causa aparente ou que não cesse após compressão adequada.
Como se proteger durante a seca
Durante o alerta de baixa umidade, a orientação é reforçar a hidratação mesmo sem sede. A Defesa Civil recomenda beber bastante água, evitar exposição ao sol e atividades físicas ao ar livre entre 10h e 17h, além de reduzir esforços nos horários mais secos do dia.
Também é indicado usar roupas leves, bonés, chapéus ou sombrinhas, aplicar hidratante na pele, evitar banhos muito quentes e usar soro fisiológico nas vias respiratórias quando necessário.
Dentro de casa, a recomendação é manter os ambientes limpos e arejados. Como o tempo seco aumenta a concentração de poeira, ácaros e fungos, a limpeza deve ser feita preferencialmente com pano úmido, evitando o uso de vassoura, que levanta partículas no ar.
Umidificadores podem ser usados, desde que estejam higienizados e não deixem o ambiente excessivamente úmido. Bacias com água e toalhas úmidas também podem ajudar em situações pontuais, mas devem ser usadas com cuidado para evitar mofo.
Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias precisam de atenção redobrada
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas devem ser monitorados com mais atenção durante os dias de umidade crítica. Idosos podem sentir menos sede e, por isso, ter maior risco de desidratação. Crianças também podem apresentar irritação ocular, sangramento nasal, tosse e piora de alergias.
Quem já tem rinite, asma, bronquite, DPOC ou enfisema deve manter o tratamento prescrito e evitar exposição à poeira, fumaça, queimadas e ambientes muito fechados ou com ar-condicionado por longos períodos.
A população deve procurar atendimento em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) se os sintomas persistirem ou interferirem na rotina. Em situações de urgência, como falta de ar, dificuldade para respirar, febre persistente, dor intensa ou piora progressiva do quadro, a orientação é buscar uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou serviço de emergência.
Risco de incêndios florestais aumenta
A seca também eleva o risco de incêndios em vegetação. O Corpo de Bombeiros do DF reforça que o período de estiagem no Centro-Oeste é marcado por baixa umidade relativa do ar e maior risco de queimadas, especialmente em áreas de cerrado.
A orientação é não queimar lixo, restos de poda ou vegetação seca, não jogar bitucas de cigarro em áreas abertas, evitar fogueiras e acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo 193 ao identificar foco de incêndio.
Além de destruir áreas verdes e ameaçar animais silvestres, as queimadas pioram a qualidade do ar e aumentam a exposição da população à fumaça e a partículas finas, agravando sintomas respiratórios.
Quando acionar ajuda
Em caso de problemas respiratórios, a Defesa Civil orienta procurar atendimento médico. Para emergências, os canais são:
- Corpo de Bombeiros: 193
- Defesa Civil: 199
- Polícia Militar: 190
- Samu: 192
A população também deve acompanhar informações oficiais e desconfiar de mensagens sem origem confirmada compartilhadas em redes sociais.
Resumo dos cuidados essenciais
- Beba água ao longo do dia, mesmo sem sede.
- Evite atividades físicas ao ar livre entre 10h e 17h.
- Reduza exposição ao sol nos horários mais quentes.
- Use roupas leves, boné, chapéu ou sombrinha.
- Hidrate a pele e os lábios.
- Use soro fisiológico para hidratar as vias nasais.
- Evite banhos quentes e demorados.
- Limpe a casa com pano úmido para não levantar poeira.
- Evite fumaça de cigarro, queimadas e ambientes com muita poeira.
- Não queime lixo nem restos de poda.
- Procure atendimento se houver falta de ar, febre persistente, sangramento nasal frequente ou piora de doenças respiratórias.