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Agricultura orientada por dados se consolida como estratégia para preservar rentabilidade no campo

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O cenário atual do agronegócio brasileiro exige dos produtores rurais mais do que conhecimento técnico e experiência. Com custos de produção elevados, juros altos, oscilações cambiais e incertezas climáticas, a margem de lucro tem se tornado cada vez mais apertada. Nesse ambiente, a análise de dados deixa de ser uma tendência e se consolida como uma ferramenta indispensável para a tomada de decisão, especialmente no momento da comercialização da safra.

Segundo a analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, Yedda Monteiro, a experiência no campo é valiosa, mas já não é suficiente para garantir bons negócios. Decisões que funcionaram em safras anteriores podem não se repetir, porque as condições de mercado, juros, câmbio e demanda internacional mudam constantemente. Por isso, a especialista defende que cada propriedade deve basear sua estratégia em indicadores próprios, como custo de produção, fluxo de caixa, produtividade esperada, capacidade de armazenagem e percentual já comercializado.

Os erros mais comuns na comercialização

A analista lista alguns equívocos frequentes que comprometem a rentabilidade dos agricultores. Entre eles estão a crença de que preços mais altos sempre significam melhores negócios, a concentração de toda a venda em um único momento, a espera indefinida pelo pico do mercado e a negligência com custos operacionais como frete, juros e armazenagem. Esses fatores, quando ignorados, podem reduzir significativamente o lucro final da operação.

Outro erro comum é deixar a comercialização refém da oscilação diária dos preços. Quando o mercado sobe, o produtor teme vender muito cedo. Quando cai, espera uma recuperação. E quando se mantém estável, adia a decisão. O resultado, segundo Yedda, é que a comercialização passa a responder à urgência, e não a um plano estratégico.

Planejamento antes da colheita

Para a Biond Agro, a recomendação é que o planejamento comercial comece antes mesmo do plantio. O produtor deve construir um orçamento detalhado que inclua custos por saca, necessidades de caixa, despesas financeiras e logísticas, além da margem desejada. Com esses números em mãos, ele pode definir faixas de preço para avançar na venda de forma gradual, protegendo parte da produção e evitando a dependência da tentativa de acertar o maior valor do mercado.

Essa abordagem também leva em conta fatores que impactam diretamente o preço recebido pelo produtor brasileiro, como o câmbio, o prêmio, o basis regional, o frete e o comportamento da demanda, e não apenas as cotações da Bolsa de Chicago.

Ao cruzar dados da propriedade com informações de mercado, o agricultor passa a ter uma visão clara de quanto já vendeu, quanto está protegido financeiramente e quanto ainda pode negociar ao longo da safra. Isso ajuda a organizar o fluxo de caixa, reduzir vendas por necessidade imediata e preservar liquidez durante todo o ciclo.

Tecnologia como aliada na gestão

Além da comercialização, o uso de dados também fortalece o planejamento geral da propriedade, permitindo antecipar riscos e direcionar recursos para as áreas de maior retorno. Propriedades que integram gestão agronômica, financeira e comercial conseguem produzir com menos desperdício, planejar investimentos com mais segurança e enfrentar oscilações climáticas e de mercado com maior capacidade de adaptação.

O objetivo final, segundo Yedda Monteiro, não é acertar o maior preço da safra, mas construir resultados consistentes, preservando a rentabilidade e garantindo maior segurança financeira ao produtor ao longo de todo o ciclo produtivo. A agricultura orientada por dados, nesse sentido, não é mais uma opção, mas uma necessidade para quem quer continuar competitivo no campo.

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