
Uma ruptura tecnológica consolidada em 2025 vem transformando os buscadores em motores de resposta direta. De acordo com dados do Europol Innovation Lab, especialistas da liveSEO alertam que marcas precisarão investir em autoridade para robôs e em personalização extrema para evitar a invisibilidade digital.
O ecossistema digital encerrou 2025 sinalizando uma mudança definitiva no comportamento dos usuários. O modelo tradicional que dominou a internet por cerca de três décadas, no qual o usuário realiza uma busca, clica em um link e consome o conteúdo de um site, perdeu relevância de forma acelerada.
Ao longo de 2025, a inteligência artificial generativa deixou de ser apenas uma camada adicional e passou a ocupar a linha de frente da experiência de navegação. Levantamento do Laboratório de Inovações da Europol, agência da União Europeia para a Cooperação Policial, indica que até o final de 2026 entre 90% e 96% de todo o conteúdo disponível na web poderá ter origem sintética.
Embora o estudo da agência europeia tenha sido inicialmente voltado para questões de cibersegurança, os números acabaram impulsionando uma reconfiguração profunda na forma como as marcas disputam a atenção do consumidor no ambiente digital.
O faturamento das marcas resiste à queda do tráfego orgânico em um cenário de buscas mais volumosas
A chegada em larga escala dos AI Overviews, respostas geradas por inteligência artificial no topo dos resultados do Google, gerou incertezas sobre a chamada era do zero clique. No entanto, análises da liveSEO, maior agência especializada em SEO do Brasil, mostram que o volume total de buscas cresceu cerca de 10%, ainda que o destino do usuário tenha mudado.
O impacto nos negócios surpreendeu o mercado. Mesmo com a redução de acessos diretos aos sites, a receita permaneceu estável. Segundo Lorena Martins, diretora de marketing da liveSEO, a lógica do SEO mudou de forma estrutural. Antes, o foco estava no tráfego; hoje, está na relevância da marca. A queda generalizada de acessos não foi acompanhada por retração no faturamento de e-commerce, pois o usuário passou a buscar respostas prontas, e a marca precisa se posicionar como fonte dessa resposta.
Nova engenharia do Google prioriza o contexto semântico em vez de palavras-chave isoladas
As mudanças nos buscadores substituíram a antiga lógica baseada na contagem de links por sistemas capazes de interpretar a profundidade do conteúdo. O algoritmo conhecido como Block Rank tornou-se um dos novos pilares técnicos, permitindo que as inteligências artificiais analisem a relevância de trechos específicos de um site de forma isolada e simultânea.
Para as empresas, isso representa o fim da repetição mecânica de termos como estratégia comercial. O processamento de contexto passou a ser determinante. Segundo Henrique Zampronio, head técnico da liveSEO, a palavra-chave informacional foi superada pela multimodalidade. Hoje, para alcançar visibilidade, é necessário demonstrar autoridade por meio de vídeos, áudios e textos segmentados. Se antes os buscadores ranqueavam documentos, agora ranqueiam contextos.
A expertise humana torna-se o principal diferencial diante do volume crescente de conteúdo sintético
Com a facilidade de geração de textos por inteligência artificial, a internet foi inundada por conteúdos genéricos e superficiais. Em resposta, os algoritmos passaram a priorizar o chamado People First Content, baseado em experiências reais e dados proprietários. Nesse cenário, autenticidade e bagagem prática das marcas tornaram-se fatores decisivos para o ranqueamento.
De acordo com Laís Mikeyla, coordenadora de estratégias de SEO da liveSEO, o usuário busca resolver dores reais e não identificar nomes comerciais. Para ela, uma marca de moda voltada a executivos com rotina intensa, por exemplo, precisa produzir conteúdo que resolva a falta de tempo, e não apenas apresentar produtos. Plataformas como ChatGPT e Perplexity priorizam entidades que demonstram esse tipo de expertise de forma consistente.
Marcas precisam ser rastreáveis por robôs para sobreviver à era dos agentes de IA em 2026
As projeções para 2026 apontam para a consolidação da chamada Web Agêntica, conceito no qual agentes de inteligência artificial integrados a dispositivos vestíveis passam a executar tarefas de busca e transação de forma autônoma para os usuários.
Nesse contexto, a infraestrutura técnica torna-se essencial. Elementos como arquivos llms.txt passam a funcionar como a linguagem de comunicação entre as empresas e os novos consumidores robóticos. Segundo Lorena Martins, o mercado caminha para um cenário em que o usuário apenas expressa a necessidade, o agente processa a demanda e a solução é apresentada automaticamente. O desafio das marcas será garantir que, quando um agente de IA buscar a melhor opção, sua empresa seja a recomendação prioritária.